O fim do mundo chegou

Postado em Mural com as tags , , , , em 20/11/2009 por andreifonseca

Sempre fui contra essas teorias apocalípticas de que o mundo caba tal dia, tal hora em tal ano com uma explosão, bomba atômica ou qualquer outra coisa. Mas ontem eu mudei de idéia. O que aconteceu aqui na província foi um absurdo.

Dirigi até a zona sul de Porto Alegre e estava um calor insuportável. Cheguei suado na agências de viagens e fiquei imaginando como seria difícil enfrentar a viagem de volta, já que meu carro não possui ar-condicionado.

Enquanto esperava atendimento, notei que havia escurecido subitamente. Foi aí que um vento absurdo e extremamente forte entrou pela janela e meus papéis para cima. Molibes caíram dos balcões, a porta bateu, os vidros fizeram barulho, deu um estouro no teto. Um funcionário disse: “Bah! As telhas voaram!”. Pânico na agência.

No caminho de volta, vi muitos carros batidos e danificados devido à queda de árvores. Haviam muitos galhos no chão e unidades da CEEE por todos os lados, além de carros da Defesa Civil. O cenário era de pós-guerra acompanhado de uma chuva leve.

Cheguei na agência e não havia luz. A Ju ficou sem luz no trabalho também. Ligueio para meus pais para saber se as coisas estavam bem. Tudo certo por lá. Foi bem preocupante.

O saldo foi de mais 500 pessoas sem energia elétrica no estado, seis mortes e milhares de desabrigados. Terrível.

Há um bom tempo, as manchetes dos jornais têm sido destinadas às mudanças climáticas repentinas e seus conseqüentes estragos. Lugares onde não haviam fenômenos naturais passaram a tê-los com freqüência. Algo está acontecendo sim. Abram o olho. A natureza está dizendo basta e nos dando um “toque”.

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Uma das cenas mais vergonhosas do futebol aconteceu nesta quarta-feira nas Eliminatórias da Copa do Mundo. O habilidoso atacante francês Thierry Henry aparou a bola com a mão e deu passe para o zagueiro Gallas marcar, na prorrogação de uma partida difícil contra a Irlanda, que acabou eliminada após esse lance.

Fiquei com raiva e vergonha pelos franceses. O desespero do goleiro irlandês quando ocorre o lance é contagiante. Toda zaga parou.

Acho que por ser Copa do Mundo, o Fair Play fica mais em evidência e aumenta o choque. Nunca fui com a cara da seleção francesa no futebol, sempre nos ganharam, algumas de forma justa (1998 e 2006) e outras não (1986).

Decidi eleger a França como a vilã da Copa. Fica minha torcida por um fracasso deles. O próprio Henry, pressionado pela enorme repercussão contrária, declarou que admitiu aos irlandeses e à imprensa, depois do jogo, que usou a mão. Depois do jogo… na hora não teve caráter suficiente, né? E completou dizendo que o mais justo seria jogar de novo. Não acho. E nem a FIFA embarca nessa.

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Vamos lá, Dark Journal com tudo, muitas histórias semana que vem.

Sexta 13 chuvosa

Postado em Histórias - A vida foi assim com as tags , , , , , em 13/11/2009 por andreifonseca

Hoje foi uma sexta-feira que amanheceu noturna em Porto Alegre. Lembro ver tempos parecidos no inverno, porém é bastante incomum no verão. Clareou perto do meio-dia após tempestades, que voltaram no início da tarde.

Talvez eu seja um dos únicos do mundo, mas sou um cara que gosto de chuva. Um tempo fechado assim me inspira, parece um obstáculo a ser ultrapassado, do tipo “ah, não dá para fazer isso porque ta chuvendo”. Quem disse? Eu faço!

Para combinar, é uma sexta-feira 13 e muito chuvosa, dia que ilustra o recém passado Halloween ou os tempos modernos de Crepúsculo. Na verdade, hoje é um dia perfeito para chamar uma pizza, tomar uma cerveja em casa e ver um filme de terror. Apavorante! Pena que a NET não é muito compreensiva nesse ponto.

As minhas lembranças de chuva mais agradáveis são as que eu passei na praia. Um dia, choveu muito logo que havíamos voltado da orla e a mãe “liberou” que a gente tomasse banho de chuva. Putz, eu e meu irmão nos divertimos tanto.

Outra vez, nós estávamos no centro de Capão da Canoa e caiu um temporal, tivemos que voltar desviando de poças e tentando fazer o percurso rápido, já que estávamos a pé. Criança, me senti um soldado enfrentando maldosos pingos de chuva.

Já trabalhando em rádio, tenho a marca de ter feito a cobertura do Furacão Catarina, que devastou dois estados. Percorri muito chão com a unidade móvel e torcendo para que o celular funcionasse. Fiquei encharcado e aprendi um monte nesse trabalho.

A previsão é de mais chuva neste final de semana. Aliás, parabéns ao Weather Channel por ter recrutado Barack Obama, dr Gregory House, Angelina Jolie e outros para serem “o repórter do tempo”. Entrem nesse site e se divirtam.

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Meu presente de sexta-feira fica por conta da cantora Vitória Matos e o seu hit “Kombi Branca”. Não tenho como descrever o que vai assistir, portanto, prefiro deixar o espaço para os comentários de vocês.

 

Sampa

Postado em Mural, O mundo cruel com as tags , , , , , em 12/11/2009 por andreifonseca

Eu moraria em São Paulo, sem problema algum. Sempre fui fã de cidade grande e a capital paulista é um dos mais representativos exemplos mundiais desta categoria. O caos me fascina. Vivo em um e sou um modelo para isso. O caos é o inusitado, o inesperado, o surpreendente. a desordem. No bom sentido, é claro.

Já fui diversas vezes para lá, a passeio, trabalho, reuniões, shows, como escala de vôo, cursos, enfim, é como se fosse uma segunda cidade. Para muito dos brasileiros é assim. E gostaria que estivesse mais presente ainda na minha vida.

Final de semana passado, estive lá com a Ju para ver o Planeta Terra. Ficamos hospedados em um flat em frente ao estádio Parque Antártica, do Palmeiras, que fica ao lado do Bourbon Pompéia, o pedaço do Rio Grande no setor supermercadista em São Paulo.

Foi bastante divertido, mas não consegui aproveitar a cidade dessa vez, de tão corrido que foi e de tão grande que a metrópole é. Mas voltarei no final do mês, na missão AC/DC.

Mas nesse hotel, houve umas coisas curiosas. A primeira delas é que chegamos de viagem debaixo de um calor insuportável. Assim que entrei no quarto, abri o frigobar e peguei uma cerveja, só que ela estava quente. Merda! Pedi duas pelo serviço de quarto, chegaram em 30 segundos, mas também estavam quentes. Merda twice!

No dia seguinte, de manhã, saímos do nosso quarto no 16º andar para tomar café da manhã, porém, devido à falta de energia elétrica, os elevadores não funcionaram. Descemos de escada guiados pela luz de emergência, que funcionou em alguns andares. Na volta do café, os elevadores já estavam funcionando, porém sem luz interna (essa eu não entendi).

Porém, o surrealismo ficou por conta do pobre moço da portaria, o qual solicitei que chamasse um taxi, mas perguntasse antes quanto cobraria para levar ao Aeroporto de Guarulhos.

O herói ligou para um amigo, que disse chegaria em 20 minutos, daí indicou um terceiro, que em seguida estaria lá. Mas esqueceu de ver os valores.

Passados dez minutos, pedi novamente que ligasse para checar onde o cara tava, mas que dessa vez perguntasse quanto custava a corrida. O obediente funcionário ligou e ouviu que o motorista “estava bem próximo” e desligou.

Aí eu falei para ele que só faria a corrida se soubesse antes quanto era, e o insistente recepcionista disse que eu fecharia sem problemas. Ora bolas… como assim? Deixa eu ter a segurança antes, porra.

E o pior que eu pedi ao cara perguntasse novamente… ele ligou, conversou com o taxista e… e… e… esqueceu!

Porra! Três vezes! E daí eu fui cobrar o cara e… e ele riu! Riu dele mesmo, óbvio! Porra, mas é difícil de entender que eu só iria por um valor baixo? Que coisa! Acabamos pegando um taxio na rua.

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Por falar em Palmeiras… bah… que papelão! Achei que o Carlos Simon anulou mal o gol no domingo, mas isso não foi nada comparado aos dois gols ilegais do Corinthians contra o Inter no Brasileiro, aqui no Beira-Rio. E evidentemente, o destaque na imprensa do centro do país foi mínimo.

O Fernando Carvalho mostra um DVD com lances reais de favorecimento (não vem ao caso a intenção) e é execrado publicamente. O presidente do Palmeiras diz que vai bater no Carlos Simon e nada acontece. É foda.

Agora, o que o juiz fez ontem foi um dos maiores erros de arbitragem que eu vi na minha vida. Ele não teve coragem de anular o gol. Sentiu o drama. Pô, o cara apitou, interrompendo a jogava e pisou em cima da convicção dele, para comprar a briga com um time menor. Ridículo. Lamentável. Deprimente.

E esse gol, um erro consentido do juiz tem o mesmo peso do gol irregular do Corinthians na final da Copa do Brasil, com bola rolando. Héber Roberto Lopes apitou falta e não quis interromper a jogada, já que foi um passo para o Ronaldo. Rede Globo? Record? Alguém disse algo? Óbvio que não.

Ah, se fosse o contrário… cartão amarelo para o jogador do inter, cara feia e se duvidasse vermelho.

Os times do centro do país se acham coitados… mas na verdade, sem uma forcinha amiga de vez em quando, complica. No próximo campeonato, além do inter, vou torcer para o Ceará e o Atlético Goianense.

Iggy é foda

Postado em Histórias - A vida foi assim, Músicas com as tags , , em 09/11/2009 por andreifonseca

Quando adolescente imaginei muito como seria ver um show do Iggy Pop. Pensei que poderia vê-lo se cortar, como fazia nas espeluncas de Detroit ou então se assustar com a doidera dele por speed ball, heroína ou haxixe. Ou então vê-lo se contorcer como se estivesse com um Alien por dentro procurando a saída.

Mas não. Vi o Iggy Pop ser fantástico sem se matar ou correr riscos (sérios) de vida. O show foi simplesmente fantástico. Teve de tudo: clássicos, músicas novas, dança maluca, invasão de palco, Iggy na galera e Iggy mostrando o coifrinho e quase outras coisas.

A parada começou quase no horário, não lembro direito que horas, mas foi perto da meia-noite. Logo na largada vieram músicas pesadas, mostrando que o veio tava ali pra quebrar tudo. A terceira foi Search and Destroy, clássica, uma das primeiras a estourar.

Andrei 061

Eu enlouqueci como há muito tempo não fazia. Não cheguei a entrar em roda, afinal a Ju estava ali pra me salvar e botar ordem na confusão. Mas vibrei como um adolescente.

Teve músicas de várias fases, mas eu gostaria de ter ouvida algumas que nem sequer passaram perto da cabeça dele tocar. A energia do cara impressiona, afinal, o velho ta pra mais de 60 e pula mais q criança na creche.

Em uma hora, ele chamou “a banch of guys” para subir no palco. E foram uns 80 malucos, os quais os seguranças não conseguiram conter. Mesmo assim, não houve confusão. O cara cantou uma música com a galera e, no final, todos saíram, sem qualquer tipo de problema. Mas imagino a tensão dos seguranças.

No final, teve a minha preferida, The Passanger, e terminou com Lust For Life. Ah! Sem esquecer que, a medida que o show andava, a calça dele caía. Na última música, o cofrinho tinha virado caixa-forte do Tio Patinhas.

Andrei 063

Iggy Pop… check! Minha lista de show imperdíveis e ainda possíveis está chegando ao fim. Daqui a duas semanas tem ACDC.

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O Planeta Terra em si me surpreendeu pelo organização. Estacionamento, fácil localização, seguranças, muitos bares e banheiros, o que não causa aglomeração e você é atendido rápido, curtição e o mais incrível: PlayCenter liberado para todos!

Pena que eu só soube disso quando cheguei lá. A Ju queria ter ido na montanha russa. Mas tava chovendo e eu corri da raia. E a fila do carro-choque era gigantesca.

Aliás, nota 10 para my Love que agüentou a chuva no osso, curtiu, cantou, brincou e riu das minhas palhaçadas. As usual., né, babe?

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Gostei do Richard Wolf e do dos ingleses da Metronomy, mas fiquei puto pelo show do The Ting Tings ser no mesmo horário do Iggy Pop. Lamentável.

 

O Iguana em Sampa

Postado em Músicas com as tags , , em 06/11/2009 por andreifonseca

Amanhã, vou realizar um antigo sonho de adolescente: assistir a um show do Iggy Pop. Junto com Ramones e Johnny Cash, o “Iguana” (como é conhecido) faz parte das minhas principais influências musicais.

Sempre gostei do estilo inquieto dele no palco. Iggy parece uma lagartixa com câimbra, se move o tempo inteiro, se contorce, se atira na platéia e ainda canta. E corre de um lado para o outro.

Serei um dos visitantes do Planeta Terra, evento que trouxe o Iguana para o Brasil como principal atração. Justo. Porém, não há justificativa para colocar, no mesmo horário, os shows do Iggy Pop e do The Thing Things. Isso é um absurdo. Organização do evento… shame on you!

James Ostenberg (o nome verdadeiro do Iggy) já está no Brasil desde quarta-feira, fez um ensaio secreto ontem e fará outro hoje. Segundo informações, promete um show inesquecível.

Recentemente, lançou um disco chamado “Preliminaires”, com canções em inglês e francês. Muito jazz com pitadas de rock and roll. Destaque para Les Feuilles Mortes, canção francesa de 1945, e a insana I Wanna Go To The Beach.

O repertório é um mistério. Acredito que será um misto de clássicos e músicas recentes. Para que o leitor tenha idéia, postei dois vídeos, a começar pela canção que abre o novo cd.

 

E na sequencia, vem um clássico: a versão de Iggy Pop para Louie, Louie.

Na volta, conto os detalhes. Hasta La vista.

 

Poder dos covardes

Postado em O mundo cruel com as tags , em 05/11/2009 por andreifonseca

Já ouvi de várias pessoas a seguinte frase: “Andrei, você é muito prolixo”. É verdade, síntese é uma coisa que eu tenho dificuldade para fazer. Acho porque sou libriano, que é um eterno indeciso. O que tirar? O que incluir?

Quando eu vou explicar alguma coisa, procuro sempre fazer uma pequena tese, pois temo que ser incisivo magoe. E acreditem: quando eu resolvo atingir o centro do alvo, consigo isso com uma facilidade impressionante.

Um ex-chefe me disse uma vez: “Andrei, teus boletins são muito cumpridos. Como você quer trabalhar em rádio?”. Pois é… trabalhei seis anos. E numa das emissoras, já apresentei um programa de seis horas durante a madrugada. Eu falava o que queria. Também, tinha muito tempo para isso.

Quando mais novo, eu falava demais e tinha imensa dificuldade de ouvir. Facilmente arrumava encrenca ou deixava uma má impressão por querer mostrar que era sabichão. As pessoas começavam a argumentar e eu cortava e saía falando sem parar. Até que um dia, numa acalorada discussão com um amigo meu bem mais velho, ele segurou meu braço e disse aos berros, olhando no meu olho: “Heeeeeey!! Porque tu não escuta antes???”.

Não era a primeira vez que eu ouvia aquilo, mas foi a primeira vez que eu realmente entendi o significado daquela frase. Depois dessa mijada simples e sintética, aprendi a ouvir. E passei a exigir isso também dos meus interlocutores.

O mundo seria mais simples se não houvesse tantos atropelos e cada um respeitasse o seu espaço e tempo. Outros diriam que intrigas são “emocionantes”. Eu prefiro o poder argumentativo do que a pré-histórica disputa de quem fala antes e mais alto. E olha que nessa segunda eu levaria uma ampla vantagem. Quem me conhece, sabe porque.

Talvez esse seja um dos motivos pelo qual eu escolhi ser uma pessoa paciente e ponderada. E, por conseqüência, engolidora de sapos. Várias vezes refleti e cheguei a conclusão que se eu fosse um cara irritado e briguento, minha vida seria mais fácil.

Porém, eu admiro (sem modéstia) a capacidade de diálogo que eu tenho. Se o meu leitor chegou até esta parte do texto, tende a concordar comigo.

Conheci várias pessoas que adoravam brigar e criar problemas. Parece um prazer incrível ver o circo pegar fogo. Essas pessoas te provocam até tu perder a paciência. Quando tu te altera, elas ficam felizes, porque percebem que conseguiram o objetivo delas.

Pior ainda é quando uma pessoa com esse perfil exerce poder sobre outras. Aliás, adoro a frase “você conhece realmente as pessoas quando dá poder a elas”. Fica decretada a unilateralidade. Eu falo, tu escuta e aceita.

É uma ignorância impositiva. E o pior é que quando essas pessoas descobrem as falhas, recorrem sem humildade, como se nada tivesse acontecido.

Querem um exemplo? Eu trabalhei com diversos nomes da imprensa do nosso estado. Fiz muitos amigos mas também houve pessoas que não foram com a minha cara. Normal.

Mas em um caso, trabalhei com o ser humano mais estúpido que conheci em toda minha vida. Posava de tal, sem ser tudo isso. Prepotência é foda. E não era chefe, mas gostava de botar banca. Era amigo do chefe, se portava como o primeiro ministro. Mas para os outros, não passava do bobo da corte.

Ele continua lá, no mesmo lugar que está há 9 anos. E acredito que vai continuar lá. Uma droga de posição. Mas para ele, é como se fosse o David Letterman dos pampas.

Gozar de poder é diferente de gozar de prestígio. Respeito se conquista, jamais se impõe.

Voltei ao blog, meus amigos. E com força total.

Arrumação me irrita

Postado em O mundo cruel com as tags , , , em 28/10/2009 por andreifonseca

Trabalhar em uma sala somente com mulheres é um desafio diário. E hoje passei por uma batalha hercúlea. Minhas colegas de agência decidiram fazer uma arrumação. E, infelizmente, minha mesa não flutua ou pode ser transportada facilmente.

A função começou cedo. Era pressão para que eu empilhasse os papéis, jogasse coisas fora. Porra. Que saco. Não consegui trabalhar. Fora o som de gralhas ao redor. Mulheres em arrumações parecem gralhas. Falam e se movem com uma velocidade de dar inveja a uma Ferrari.

Depois do almoço, eu achei que fossem dar um tempo. Que nada. Fui obrigado a entrar na seita religiosa da organização ambiental de trabalho de todos os santos.

E como principiante nessa seita, fui castigado. Minha principal punição era decidir rápido se os papéis que ficam em cima da minha mesa deveriam ir para o lixo, gaveta ou outro destino qualquer. Menos ficar a mostra. Foi complicadíssimo, pois enquanto eu pensava sobre eles, elas incluíam outros objetos no rol de decisões.

Porra, um libriano não funciona dessa forma. Ele pondera, não é um cara que sai fazendo e acontecendo a la loca. Muita pressão. Outra punição que tive era de cumprir ordens. Furar, parafusar, levantar móveis era o básico.

Por fim, enquanto elas ganharam prateleiras e quadros para escrever, eu fiquei com um banner de passarinhos e corujas em frente a minha mesa.

Homens não estão acostumados a estas faxinas repentinas e vorazes. É torturante. E as mulheres não entendem o significado da expressão “bagunça organizada”. Elas enxergam uma pilha de papéis, enquanto nós vemos um arquivo cuidadosamente administrado e rico em informações.

O sexo oposto não compreende que uma garrafa de água mineral vazia em cima da mesa significa refil, podendo ser novamente utilizada. Para elas, é um item descartável.

Escrever este texto me deu sede e dor de cabeça. Nem água mais eu tenho. Sinto falta da minha garrafinha. E da xícara. Fui proibido de colocar a térmica de café para não manchar a madeira. Não reconheço mais meu ambiente de trabalho. Socorro!

Donas de aluguel

Postado em O mundo cruel com as tags , , , em 26/10/2009 por andreifonseca

No caminho para a agência, hoje pela manhã, vi uma cena que chamou minha atenção. Para cortar o caminho da rótula da Nilo Peçanha, descobri um atalho que passa por várias ruas residenciais, repletas de prédios altos, imponentes e muito chiques. Sem dúvida uma das zonas mais caras de Porto Alegre.

Assim que peguei esse atalho, parei em uma esquina para esperar um carro cruzar por mim. Foi quando vi uma moça de uniforme e um cachorrinho de uma raça que não pude identificar. Até porque sou péssimo nisso.

A moça estava com uma roupa azul e um avental branco, além de um chapéu típico de empregada doméstica, nany, tata ou qualquer outro nome carinhoso que esta nobríssima profissão tenha. Ela aparentava ter uns 45 anos.

Caminhava um pouco constrangida, cansada, demonstrando estar sem paciência para cumprir uma rotina que parecia a mesma há um bom tempo. Sua expressão mudava para uma alegria contagiante quando o cachorrinho que a acompanhava surgia correndo com a língua de fora, fazendo festa e demonstrando todo carinho do mundo por aquela pessoa que a libertava da reclusão do apartamento e ainda propiciava ambiente para as necessidades fisiológicas.

O cãozinho tinha uma aparência de “cachorro de dondoca”, bem cuidado, com fitinhas e tal. Mas não parecia refletir arrogância da dona projetada por mim. Pelo contrário. Demonstrava curtir a liberdade na companhia da sua real paixão: a empregada doméstica da família.

Ambos caminhavam, ela a passos lentos, e ele a mil por hora, em círculos, indo e voltando, mas nunca abandonando a sua acompanhante.

Pelo entusiasmo e entrosamento dos dois, tive a petulância de imaginar perfeitamente como era a rotina daquela família. Uma dona que buscava no seu cão a cura pela frustração de descobrir tarde que o dinheiro não traz felicidade. Enquanto o cachorro deveria ser a peste da casa, que curtia invadir a cozinha para ganhar umas sobrinhas divididas com seu real amor.

Também imaginei que assim que o cachorro demonstrasse mais carinho pela empregada, a dona o puniria por ciúmes, puxando-o para o seu lado contra a vontade dos três. Inclusive da empregada, que mesmo insatisfeita com a rotina e situação que vive, retribuía o calor e carinho do animal.

Quantas pessoas passam por isso? Quantos caseiros de sítio? Quantos pais que precisam cuidar do cachorro dos filhos? O carinho canino está a venda ou para a lugar.

Não adianta. O cachorro é um animal que escolhe as pessoas que vai gostar e não tem jeito. Ele é atraído pela real personalidade dos seres humanos. O cachorro não se importa se você é rico, pobre, feliz ou triste. Ele gosta e pronto.

Há pessoas que tem jeito com cachorros e outras não. A Fabi, minha cunhada, é um belo exemplo disso. Pegar um cãozinho na rua, amá-lo e transformá-lo em uma coisa querida é um trabalho árduo. E a Fabi o fez. Duas vezes.

Por mais que ela chegue exausta do trabalho ou das festas à fantasia de São Chico, ela pega os dois e desce para rua, enfrentando frios polares para que eles se divirtam e se aliviem um pouco. Mesmo contrariada, ela se põe no lugar deles e entende que a dupla esperou o dia inteiro por aquele momento. Ela não pode negar.

Minha mãe era contra comprar cachorro. Meses depois, ganhou um filho, pois é exatamente assim que ela trata o Gandhi. Mesmo que ele destrua as roupas, óculos ou qualquer coisa que ela goste.

Pode ser que a minha imaginação tenha ido longe demais. Mas a cena que vi, trouxe esse filme à minha cabeça.

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Assisti ontem a um dos GRENAIS mais chatos da minha vida. D’Alessandro acabou com o jogo a dois minutos do primeiro tempo. Alecsandro perdeu o gol mais feito da história do Beira-Rio. E o Grêmio não chutou em gol.

E o Victor? Bem… o Victor não é “inVictor”. Mas é um baita goleiro. Mesmo levando 13 gols em sete GRENAIS.

Heineken: ousadia, criatividade e futebol

Postado em Comunicação com as tags , , , , em 23/10/2009 por andreifonseca

Um dos motivos que me faz adorar publicidade foi a ação que a Heineken montou em parceria com o jornal Gazzetta Dello Sport, na Itália. Esse tipo de coisa mostra genialidade e ousadia, coisas que infelizmente poucas empresas permitem que as agências façam.

Para dar o devido crédito, li essa notícia no site Brainstorm9. Mas vamos para a história.

O jogo entre Real Madrid e Milan, realizado esta semana, na Espanha, foi um dos mais esperados da UEFA Champions League, o campeonato mais desejado da Europa. Se fãs de futebol aguardavam este encontro, imaginem os destes times.

Pois bem, aio que entra a sacada da Heineken, patrocinadora oficial do torneio. Através de uma dura pesquisa, esposas, amigos e chefes de torcedores do Milan foram convidados para esta pegadinha. Eles tinham que convencer os fãs a irem com eles em um concerto de música clássica. No dia do jogo.

As desculpas eram as mais diversas, sempre colocando os caras numa saia justa. Não adiantava argumentar sobre o jogo, sobre o adversário, o torneio. Quem fazia o convite era orientado a ser irredutível.

Ao chegar no teatro, havia um quarteto de cordas executando música clássica. Um telão passava frases chamando a atenção das pessoas. “Não é difícil dizer não ao chefe?”, “E para a namorada?”, “Como eles poderiam pensar em perder a grande partida?” surgiram no telão arrancando risos tímidos da platéia.

No final, aparecia a assinatura atual da Heineken, “Are you still with us?” (Você continua conosco?), e o quarteto tocou o hino da Champions League. Baaaaahhhh! Adivinhem? O telão passou a exibir o jogo entre Milan e Real Madrid ao vivo. Frenesi total.

Para completar, o time italiano ganhou por 3 a 2 lá no Santiago Bernabeu.

Vejam o vídeo postado pelo Carlos Merigo, do Brainstorm9.

Gracias

Postado em Histórias - A vida foi assim, Mural, O mundo cruel com as tags , , em 19/10/2009 por andreifonseca

Obrigado pelos parabéns recebidos por telefone, SMS, carta, e-mail, post, pombo-correio e presencial. Comemorei um aniversário muito louco, onde tomei porre gigante na sexta-feira, me recuperei no sábado, fui babá de cachorro e dos meus pais no domingo e ainda não decidi que lugar fazer a festa.

Comecei a semana cansado e fui surpreendido com uma bomba segunda-feira de manhã, que liquidou meu almoço e minha academia. Foi só chegar para trabalhar que o stress começou. Ainda bem que resolvi. Mas amanhã tem mais.

Mesmo assim, meu balanço de presentes foi um avental de churrasqueiro, uma embalagem de Kit Kat (mestre!), um copo de cerveja (óbvio) e uma mesinha de apoio para a sala. E o melhor de tudo foi um belíssimo bolo surpresa na virada de 16 para 17, idéia de my love. Ah, o Churrasquinho do Chef me deu um espumante.

Mesmo puto da vida, cansado, com fome e a fim de encher a cara em plena segunda, presenteio meus leitores com um vídeo maravilhoso, que mostra exatamente o que não se deve fazer às 10 e pico da manhã, depois da festa.

Tem horas que a saideira é prejudicial à saúde e às prateleiras. Percam 10 minutos da vida de vocês que vale a pena. Mas, crianças, não tentem fazer isso em casa.