SeBunda-feira

Postado em O mundo cruel com as tags , , em 08/02/2010 por andreifonseca

Tava escrito no Twitter hoje: “Estamos em 2010 e como é que ninguém inventou algo melhor que a segunda-feira ainda?”. Bela frase. Concordo. Segunda-feira é um dia chato e amaldiçoado por natureza. Ainda mais quando chove, o dia fica com cara de ânus (uma das minhas resoluções de ano novo é diminuir a porra da freqüência dos palavrões).

Pois bem, minha segunda-feira começou quebrando o pau na portaria do meu edifício porque eu fico um dia fora e alguém pega a minha Zero Hora. Inadmissível. E nunca ninguém vê, claro.

Depois, aqui na agência foi uma loucura. Trabalho, e-mail, revisão, uma porrada de coisas. Consegui um mini intervalo e fui na padaria Merco Pan, de origem uruguaia, com quitutes deliciosos, fazer uma boquinha.

Para chegar até lá, preciso descer três quadras, da avenida Lageado até quase a esquina da Ijuí com a Nilópolis. Foi, sem dúvida, a idéia mais infeliz de 2010.

Havia chovido, e a calçada da descida (ou subida, depende do ponto de vista) da Ijuí fica extremamente lisa, fazendo com que o transeunte se arrisque numa aventura onde os movimentos corporais se equivalem aos mais clássicos jogos de plataforma do video-game, como Super Mário Bros e Alex Kid.

É uma sensação horrível de fazer um trajeto e o pé escorregar constantemente, fazendo com que você recupere o equilíbrio e tente mantê-lo, com muita dificuldade. E foi em um momento como esse que vivi a aventura do ano.

Me aproximei de uma esquina, faltavam cinco metros mais ou menos, quando o meu pé escorregou. E foi… na tentativa de ficar em pé, mantive o outro pé no chão, usando um gingando digno de um invertebrado gigante.

Perdi completamente o equilíbrio e fui dançando com os dois pés no chão, mexendo a bunda e os braços de forma descoordenada, modificando a expressão facial, oscilando entre pânico, perplexidade e desespero.

Esqueci de mencionar que, na mão direita, eu tinha um guarda-chuva fechado, pois o aguaceiro havia cessado. E foi com esse instrumento que protagonizei o gran finale da minha cena ridícula.

Cheguei dançando até a esquina e tive medo de cair na rua, pois podia passar um carro. Numa rápida estratégia, enganchei o cabo do guarda-chuva em uma placa de PARE na tentativa de parar. Finalizei com um giro ao redor da placa, já apoiando a mão esquerda também e consegui estabilizar.

Ufa! Acabara meu martírio. Recomposto, olhei em volta para ver se alguém tinha visto ou filmado. Morro de medo de virar celebridade do desastre no YouTube. Ninguém desse lado, ninguém daquele… feito! Anonimato.

Até que escuto um baixinho e discreto “hehehehehe”, vindo de um mendigo que estava deitado embaixo da marquise de um dos prédios em volta. Parecia aquele cara do Pânico que diz “Adriano! Tá me ouvindo?”. Me olhando fixamente, o cara abriu um sorriso de satisfação pelo show, mostrando a totalidade de seus cinco dentes.

Pelo menos, ele não gravou. Fica na memória. E a padaria não tinha pão de queijo.

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Para completar esse dia incrível, cheguei na academia, coloquei o fardamento e fui malhar depois de um mês de ausência. Cumprimentei a todos, enchi a garrafinha d’água e me dirigi à sessão de esteiras.

Assim que subi em uma, apertei em “início rápido” e pensei “ótimo! Vou conseguir fazer o aquecimento rapidinho e malhar em seguida. Mais tempo para almoço”. Dei dois passos na esteira e faltou luz. Fodeu. Tive que esperar 15 minutos. E sem ventilador.

Meus leitores perceberam um rompimento abrupto nos relatos das férias. É que em New York, a internet é mais cara e tem planos de aquisição nada convidativos. Agora, com a vida em ordem e assim que baixar todas as fotos, contarei em ordem cronológica nossas aventuras.

Aqueles que se sentirem a vontade, podem comentar e, principalmente, colaborar com a minha fatura de cartão de crédito. A Ju faz coro comigo. Tá louco. Preciso vender minha coleção de figurinhas para pagar as contas.

Go Leafs Go

Postado em Candadá 2010 com as tags , , , , em 17/01/2010 por andreifonseca

Logo que se chega no Canadá, é possível perceber que o esporte preferido dos caras é o Hóquei no Gelo. Está em todo lugar: nos bares, nos parques, nas propagandas, na tv, enfim, por tudo quanto é canto.

Como já escrevi antes, fomos ao jogo do Ottawa Senators, como convidados da CBC, onde comemos pipoca e bebemos refrigerante a vontade no setor de imprensa.

Mas, agora em Toronto, a coisa foi diferente. A Ju, a melhor companheira de viagem do mundo, topou a parada, e nós fomos comprar ingressos para ver o time do cidade, o Toronto Maple Leafs, uma espécie de Flamengo por aqui, contra o Filadélfia Flyers, pela NHL.

E mais: dois malucos não tinham como apenas comparecer ao jogo como dois turistas. Não, não… a gente tinha que ser realmente torcedores do Leafs. Por isso, uma passadinha na lojinha do clube antes da partida ajudou bastante.

O resultado vocês podem ver nas fotos. Foi extremamente divertido. O jogo foi sensacional, deu Leafs 4 a 0 e saiu briga (como sempre acontece no Hóquei) na quadra.

Já escrevi aqui algumas vezes sobre a civilidade do povo norte-americano em eventos esportivos. Chama a atenção o respeito pelo adversário, pois os torcedores chegam e sentam juntos, tocam flauta mutuamente e vão embora cada um pro seu canto cuidar da sua vida.

CN Tower e o Rei Tut

Postado em Candadá 2010 com as tags , , , , , em 14/01/2010 por andreifonseca

Viajar também é contar com a sorte. E ela esteve presente hoje em Toronto conosco. A começar pelo belo dia de sol, pois pudemos visitar a gigantesca CN Tower, cartão postal da cidade.

Ao chegar de avião, é possível avistá-la do céu, mesmo o aeroporto ficando afastado da cidade. É uma construção extremamente imponente, finalizada nos anos 70, a CN Tower é a maior torre sem sustentação do mundo. De um total de 553 metros de altura, o máximo que se pode chegar é até o Sky Pod, a 447 metros ou 147 andares.

Antes disso, tiramos umas fotos do “globão”, onde tem um restaurante que gira 360 graus. Almoçamos no outro, que é mais barato e não se movimenta. Mesmo assim, foi um momento impar para ser guardado.

Para os corajosos, têm o glass floor, um chão com uma maciça expessura de vidro, onde é possível caminhar e tirar fotos. Eu caminhei rapidamente sem olhar para baixo e tirei uma foto pra mostrar o meu feito. Não suporto altura. Tive uma inveja de um menino que corria animadamente na estrutura.

Ainda com sorte, pois o chão de vidro não rachou, Toronto está recebendo até abril a exposição Tutankhamun – The Golden King And The Great Pharaohs, na Art Galery of Ontario. WOOOOOOOOUUU! Quando estudante de história, antes do jornalismo, a minha parte preferida era o Egito Antigo.

Rumamos para a AGO e compramos nossos ingressos. Infelizmente, não permitiram fotos para “preservar as relíquias”.

A estrutura era bem organizada. Poucas pessoas iam tendo acesso aos poucos, para não acumular. Era possível ver diversos perfis de públicos na visita. Desde casais adolescentes, passando por famílias e profissionais interessados no conhecimento dos tesouros.

Logo na entrada, tem um vídeo introdutório narrado pelo Harrison Ford, dando um clima Indiana Jones para a visita. A primeira sessão mostra peças do Antigo Egito de todos os seus períodos. Destaque pra estátua dos faraós Kha-Fra e Men-Kau-Rá, da quarta dinastia. Ambos fazem parte das Pirâmides de Gizé.

Em seguida, começa propriamente Tutankhamun. A exposição foi organizada de acordo com o túmulo dele: ante-sala, anexo, sala dos tesouros e câmara mortuária. Uma verdadeira aula de história.

Impressionante ver os recepientes onde os órgãos dos faraós eram colocados pra sepultamento. Os tesouros do Rei Tut também chamam atenção,desde colares até estaturas de ouro. Porém, a grande atração não veio: o próprio Faraó.

Achei um pouco frustrante, pois contava com isso. Mas ok. Foi uma aula quase de graça, afinal a credencial de jornalista não cobriu essa. E ainda a lojinha do AGO faturou com as bugigangas que eu comprei.

Ponto de encontro

Postado em Candadá 2010 com as tags , , , , em 14/01/2010 por andreifonseca

Depois de uns dias em Ottawa, voamos ontem para Toronto, a maior cidade do Canadá, com 4,5 milhões de habitantes. Totalmente cosmopolita, é possível perceber diferentes culturas e línguas espalhadas pela rua. Mas antes de entrar no “Place of Meeting”, que é o que significa Toronto para os aborígenes, vou relatar um pouquinho mais da capital federal.

Na segunda-feira, visitamos o cartão postal da cidade: o prédio do Parlamento Canadense. Particularmente, me impressionei todos os dias que passei na frente desta construção imponente. O estilo gótico da construção e a Peace Tower são admiráveis por horas. Do alto da torre, é possível ver a cidade toda.

Existe um rígido sistema de segurança para ingressar no Parlamento, mas que é contestado pelos próprios canadenses. Há algumas semanas, um grupo de ativistas do Greenpeace conseguiu acesso ao telhado do prédio e abriu uma faixa contra os resultados da conferência do clima.

Deu um patcha bafafá por aqui esse ato de ousadia. Fico imaginando se eles soubessem a zona que é cada passeata do CPERS ou então a violência exercida pelo MST nas suas invasões.

Saímos do Parlamento e fomos conhecer o War Museum, a atração que ficou faltando na minha primeira visita. Chegamos lá pelas quatro e pouco e, mesmo com a parada fechando as cinco, não conseguimos entrar.

Da frustração ao êxtase, consegui finalmente conhecer o War Museum pouco antes de pegar o vôo para Toronto. Atenção: você que planeja visitar Ottawa, não deixe de visitar este belíssimo prédio que contém uma aula de história.

O lugar é de várias formas impressionante. A começar que fica exatamente na fronteira entre Ontário e Quebec, numa área que “não tem domínio definido”, como um campo de batalha. Segundo porque o arquiteto do prédio, um japonês já de idade avançada, morou a infância em um campo de concentração no Canadá após o final da Segunda Guerra Mundial.

É possível percorrer em ordem cronológica todos os conflitos que o Canadá passou, desde as revoluções dos tempos de colônia britânica até a honrosa participação nas grandes guerras.

O maior destaque, sem dúvida, fica para a sala dos tanques, com dezenas de veículos de guerra e um gigante caça da Força Aérea Canadense. Talvez o campeão de fotos seja o veículo utilizado por Adolf Hitler em passeatas nazistas.

Do Museu ao aeroporto, deixando para trás 15 graus negativos e uma belíssima cidade de 700 mil habitantes e uma preocupante média de seis homicídios por ano (sim, eles estão preocupados com isso).

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Chegando em Toronto, fomos direto ao hotel deixar as malas. Em seguida, uma rápida visita ao Eaton Center e daí adquirimos os tickets para ver jogos da NHL e NBA.

Na seqüência, mais aventuras da dupla aqui. E ta frio, mas a população comemora a chegada de um calor inesperado na quinta-feira e na sexta-feira, elevando a temperatura para três graus positivos.

Mesa redonda global

Postado em Candadá 2010 com as tags , , , , , , em 11/01/2010 por andreifonseca

Nosso domingo aqui no Canadá foi bastante agitado e teve um tipo de programa de me agrada muito: reunião de pessoas de várias nacionalidades em mesmo lugar. Os assuntos são sempre importantes e, acima de tudo, há algo que aprecio demais: conhecimento de outras culturas.

Mas antes de entrar nessa parte, relato que tivemos um tradicional brunch dominical que se estendeu até três e pouco da tarde. Isso matou nossa intenção de patinar. Talvez fique para a próxima. Até porque o tobagoning já foi perigoso o suficiente.

Futricando nas máquinas que vendem jornais

De noite, fomos para Gatineau, em Quebec, comprar cerveja, pois só é possível achar em Ontario até às seis da tarde e na Beer Store. Já em qualquer cidade de Quebec vende álcool até tarde da noite e é possível achar em qualquer lugar.

Acabamos parando em um Dairy Queen, onde a dona era uma senhora chinesa. Entramos no freezer da parada para pegar a cerveja numa temperatura boa e veio um franco-canadense maluco que quis aparecer nas fotos.

Nós e o franco-canadense maluco

O Adrian organizou uma festa para algumas pessoas, dentre elas, o pai dele, John Harewood. Um cara fantástico, de uma cultura impressionante, professor de latin e grego. Aí vocês já imaginam o calibre da figura. Conversei bastante com ele.

Também havia um casal formado por um diretor de filmes mexicano e uma agrônoma italiana. Eles tinham idéias muito interessantes sobre alimentação do mundo. Segundo o Raul, o melhor seria que não houvesse escolha da cultura a ser plantada na terra, as pessoas deveria simplesmente jogar semente aos quatro ventos e colher aquilo que crescer. Tivemos um acalorado debate sobre isso.

Havia uma jornalista canadense filha de pais egípcios, a Reba, que morou no Oriente Médio e foi expulsa por que o governo do país em que ela estava não concordava com os textos. Ela tem uma cultura impressionante.

Obviamente, perguntamos para a Alessandra o que ela pensava sobre Berlusconi e suas mil e uma mulheres. Ela se mostrou bastante incomodada com ele e disse que o Premier envergonha o país. Mas também concordou que algumas pessoas o defendem incondicionalmente.

O assunto da noite encerrou com uma verdadeira palestra (que foi promovida pelo meu índice alcoólico) sobre política e corrupção no Brasil. Discursei até não poder mais.

Mesmo eu não sendo um grande fã do Lula, ressaltei as suas qualidades. Citei índices que melhoraram com o seu governo, mas também o ataquei sobre seus discursos anti-imprensa e suas furadas públicas que nos embaraçam.

O fato é que Lula é um líder respeitado mundialmente. As pessoas me questionaram sobre ele como se estivessem perguntando a um americano sobre Obama. Isso me impressionou.

Claro que houve os questionamentos obre futebol. Todos querem saber se o Brasil ganha a Copa do Mundo desse ano. Acho que não leva, mas discursei a favor do otimismo da nação.

Tobagoning again

Postado em Histórias - A vida foi assim com as tags , , em 10/01/2010 por andreifonseca

A agitação dos três primeiros dias impediu que eu pudesse atualizar esta página como gostaria. Mas agora as coisas já ficaram mais calmas.

Todo trajeto aéreo foi extremamente tranqüilo. Não tivemos nenhum tipo de problemas em conexões, inspeções, filas, etc. A ressalva fica para o Aeroporto de Guarulhos, quando nós chegamos seis horas antes e tivemos que ficar duas horas em pé na fila da United Airlines esperando o check in abrir. Lamentável.

Não sei se devo mencionar (já mencionando) que quase perdemos o vôo para Chicago por conta do bar que ficava ao lado do portão de embarque. Acho que essa história é melhor de ser contada ao vivo.

Anyway, chegamos perto do meio-dia de Ottawa no Canadá, passamos por uma rapidíssima imigração e já estávamos curtindo um insuportável frio de 10 graus negativos. E ficou bem pior.

O primeiro dia foi apenas de compras e reconhecimento do terreno. Conseguimos terminar a noite nos estúdios de tv da CBC assistindo o Adrian apresentar o jornal ao vivo. Awesome!

Já o nosso sábado foi de agenda cheia. Depois de uma café da manhã absurdamente saboroso preparado pela esposa do nosso anfitrião, fomos comprar pranchas para fazer o Tobagoning aqui em Ottawa. Aproveitei para tentar achar um cartão de memória compatível para a minha máquina.

Através da dica do vendedor, comprei um e resolvi testar. Na abertura do pacote, já consegui cortar o dedo. Então, passei para a Ju, que resolveu o problema. Tentar colocar no lugar indicado, mas, além de não ser o adequado, o cartão sumiu dentro da máquina. Pânico geral. Mas daí, a Lana resolveu o problema com técnicas cirúrgicas.

Depois disso, fomos para o Mooney’s Bay Park, que estava totalmente congelado e tinha um barranco alto e assustador. A idéia era fazer tobagoning. Confesso: ao ver a altura, me borrei. Pensei em desistir, mas resolvi tomar um pouco de coragem e mostrar para my love que não havia perigo.

Foram algumas idas e vindas. É impressionante a sensação de que vai dar algo errado. Ter o controle da descida é praticamente impossível, é necessário ter calma e não fazer movimento brusco. Acho que as fotos mostram bem os detalhes desta movimentada aventura.

Depois dessas fortes emoções, fomos ao jogo de hóquei no gelo do Ottawa Senators, um dos principais times da liga. A partida era contra o Florida Panthers. No gelo, o Ottawa levou um laço e perdeu de 3 a 0, graças ao goleiro bem ruim que eles têm.

Mas o ponto alto ficou para o lugar onde assistimos o jogo: Press Box! Além de não pagar nada, conseguimos uma visão privilegiada e tínhamos pipoca, refrigerante e café a vontade. Pude acompanhar bem como funciona o trabalho de jornalismo esportivo por aqui.

É impressionante a assessoria de imprensa dos caras. Ao final de cada tempo, recebíamos um relatório sobre o que havia acontecido, com números precisos, do tipo quantos minutos tal jogador esteve na quadra enquanto o time dele estava penalizado ou em vantagem de um atleta. Incrível. Facilita muito a vida da imprensa se tivéssemos um serviço por aqui. Fora que criaria muito mais empregos na nossa aérea. Vamos sonhado.

Domingo é dia de patinar. Vou cair certo.

On the road gain

Postado em Mural com as tags , , em 07/01/2010 por andreifonseca

Depois de 18 meses de agência, chegou a hora das minhas primeiras férias. Escrevo nesse momento da sala de embarque em frente ao portão 7, do Aeroporto Salgado Filho. Destino final: Ottawa, capital federal do Canadá.

Eu e a Ju vamos ficar 20 dias afastados de problemas, trabalhos, contas, etc, somente buscando descanso (nooot), caminhadas, compras e visitas a lugares turísticos, com ambientação do fortíssimo inverno do Hemisfério Norte.

Acabo de checar o site do Weather Channel e a temperatura em Ottawa neste final de semana vai variar entre -16 e -20 C. Diferente dos quase 30 positivos que Porto Alegre teve hoje.

A intenção é abastecer este espaço quase que diariamente com fotos, aventuras e causos. Nosso vôo para Guarulhos deveria ter saído há meia hora e ainda há mais atraso pela frente, com decolagem prevista para daqui a 20 minutos. Não afetará em nada nosso próximo compromisso, visto que o avião da United saí para Chicago apenas às 23:01. Pontualmente, segundo o site da companhia.

Enquanto a Ju lê o guia de Toronto, eu tento me lembrar se faltou alguma coisa, esqueci algo ou deveria ter feito isso ou aquilo antes de viajar. Ao sair de casa hoje, desliguei as tomadas, pois confesso que morro de medo de voltar e ter o apartamento (que não é meu) incendiado.

Como bom cristão da comunicação, não consegui deixar de passar na agencia e ver se estava tudo em ordem. E ainda respondi uns e-mails pelo BlackBerry. Mas isso vai ter fim.

Nos planos dessa viagem está uma visita para Niagara Falls, um lugar lindíssimo que faltou. Pensei em escrever mais sobre os planos que lembro agora, mas acabo de descobrir que sentamos exatamente embaixo da caixa de som onde são feitos os anúncios de vôos. O nosso embarque deve estar próximo.

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Já decidi a minha primeira aquisição de última hora no Aeroporto de Guarulhos: um suporte confortável para o pescoço. Sempre achei meio estranho viajar com isso, mas como tenho dificuldade para dormir em vôos, vou tentar fazer uma aposta.

Agora, aquele tapa olhos eu me recuso. Acho muito feio. Ridículo. Mas respeito quem usa.

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Por fim, como não podia deixar de ser, algo precisa acontecer. Tento em concentrar, criar um bom texto, mas o ambiente não ajuda. Tem quatro ou cinco crianças aproveitando a liberdade de espaço entre os bancos da sala de embarque e a Casa do Pão de Queijo e apostando corrida entre elas, com comentários e grunhidos que desafiam a medição de decibéis.

Embora eu adore crianças, essa situação me irrita profundamente. Acho lamentável por parte dos pais não conseguir entreter os filhos de uma forma discreta. Definitivamente, aqui não é o lugar de brincar de Fórmula 1 humana.

Back to work

Postado em Histórias - A vida foi assim com as tags , , , , , em 04/01/2010 por andreifonseca

Após um loooongo e merecido descanso, retorno para breves atividades profissionais antes de embarcar para uma viagem fantástica na companhia de my Love. Juro que tentei escrever durante este recesso, mas sempre acontecia algo que me proibia de fazê-lo, como sol, cerveja, mar, essas coisas chatas.

Porém, agora vou colocar os assuntos em dia. A começar pelo Natal inusitado. Quando eu era pequeno, passei um dia inteiro pensando sobre como seria a noite natalina de uma família se ela tivesse uma perda. E, na manhã do dia 24, fomos surpreendidos com a passagem da vó da Ju.

Uma senhora extremamente carismática e sorridente, a qual tive a oportunidade de encontrá-la por três vezes. A Ju lembra que eu insisti muito para que isso acontecesse. E fico muito feliz de ter feito parte de pelo menos um breve tempo da vida dela. Afinal, ela criou simpatia pelo “Barbudo”, como a Dora gostava de chamar.

Essa dificuldade inesperada e em uma época complicada me fez refletir por diversos momentos. Fiquei um tempo sentado na rede do meu apartamento e pensei sobre os meus avós, tanto os maternos quanto os paternos.

Os da parte mineira, eu vi pouco devido a distância, mas não esqueço o sorriso do Vô Chicão quando me via e logo dizia “Ô, Nego Duro”, a forma como ele chamava seus interlocutores. E a Vó Odete que era bem pequenininha e mostrava um carinho ímpar, principalmente em forma de doce, um incomparável doce de leite cuja receita infelizmente se perdeu no tempo.

Aqui tive o Vô Zé, zagueirão do Passo Fundo dos anos 40, baita gringo com sotaque italiano carregado. Quando eu era pequeno e o vô tinha condições físicas ainda, consertava tudo lá em casa. Era demais. E também ficava boa parte do dia na sala ouvindo rádio. Achava aquela cena maravilhosa.

A Vó Helena, sempre que ia lá em casa, tirava lentamente da bolsa um saquinho de balas de goma que tinha um palhacinho na embalagem. Era um presente bem simples, mas que o sorriso dela ao entregar a mim e ao meu irmão era impagável, ah, isso sim. E adorava quando ela convidava minha mãe para “ir fazer compras no Centro”, que na verdade era a avenida Assis Brasil.

Ah, que saudade desse quarteto. Peço a eles que recebam bem a Dora aí.

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Em um clima completamente diferente, o ano novo foi  em Capão da Canoa, na casa nova. Tchê, que lugar lindo. Nem precisamos ir na orla, pois da sacada do segundo andar se via tudo. Perfeito. Estouramos champagne e nos divertimos com o surto do Gandhi a cada saraivada de foguetes.

Aliás, tivemos sorte no tempo. Só dias de sol e muito calor. E, além do mais, Ca as nova tem piscina. Pronto. Trago e refresco. Maravilhoso.

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Capão da Canoa continua uma praia simpática, mas a minha previsão vai se confirmar logo, logo. Capão da Canoa vai estourar. PÔ, fomos no supermercado fazer compras e se via prateleiras vazias. Lamentável. Fora o buraco nas ruas.

A prefeitura deveria criar projetos para incentivar veranistas a fixarem residência na cidade. Tem muita gente em vias de aposentadoria que é um público-alvo bem interessante.

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Sobre a viagem, minha mala tá quase pronta, a da Ju, não. Oh, God.

Endless Vacation

Postado em Mural com as tags , , em 18/12/2009 por andreifonseca

Tem uma música do Ramones com esse nome: Endless Vacation. Resolvi usar este nome devido à situação que se criou na minha vida profissional, onde há uma junção de férias coletivas com férias pessoais, unidas por um elo de três dias de trabalho na primeira semana de janeiro.

Admito que o calendário é bastante favorável, afinal, tem o recesso de 11 dias até 4 de janeiro, trabalho de segunda-feira até quarta-feira e daí férias a partir de quinta, com retorno 20 dias depois.

Estava pensando sobre férias esses dias. Quando era criança, que tinham as férias escolares, a folga começava exatamente no início de dezembro e ia até a primeira semana de março. A maioria dos pais precisava ficar trabalhando aqui em parte deste período, mas por ter pais professores, o descanso deles praticamente acompanhava o meu e do meu irmão.

No meu caso, essa mamata durou até eu completar 16 anos, pois comecei a trabalhar em rádio neste período. E daí, foram-se férias, folgas, feriados, noites e finais de semana.  Cheguei a ficar seis anos sem férias, apenas com folgas ocasionais. Inclusive, nos tempos da Rádio Pampa, cheguei a apresentar os especiais de Natal e Ano Novo, que começam as duas da manhã e iam até às seis, quando o sol nascia.

Quando tive empresa, resolvi tirar férias depois  de tanto tempo sem. E agora, na agência, é a primeira vez. E, junto com a Ju, vamos para a praia e depois do retorno ao trabalho por ter^s dias, embarcamos para a América do Norte.

Estou precisando desta parada. Será um período de descanso e reavaliação. Preciso relaxar e repensar uma série de coisas. E, acima de tudo, ochizar ao lado de my Love. Antes que perguntei, é gíria interna.

Será um período de praia, PlayStation, Wii, vagabundagem, família, cerveja e churrasco.  E Ju. Muita Ju. Aos poucos vamos conversando e atualizando este espaço.

Essa correria final pré-recesso impediu que eu opinasse sobre uma série de coisas, como o palavrão do Lula, reunião do clima e menino com agulhas.

Vou tentar seguir um padrão. Peço compreensão dos meus leitores.

Mediador do Olimpo

Postado em O mundo cruel com as tags , em 16/12/2009 por andreifonseca

Hoje foi, sem dúvida, um dos dias mais difíceis da minha vida. Hesitei e pensei se deveria escrever sobre isso, mas como precisava desabafar, achei o Dark Journal um fórum adequado.

É absolutamente normal que pais discutam e fiquem de bico um com o outro, e acontece nas melhores famílias. Porém, mesmo sendo uma discussão normal de pessoas que convivem há 35 anos (só de casados), hoje foi a primeira vez que eu tive que mediar isso. Acreditem, meus amigos, é mais fácil enfrentar o Mike Tyson em um dia fúria.

Esse é um peso que eu nunca gostaria de carregar. Dói muito para um filho ver a discórdia entre os próprios pais. Essa dor vem acompanhada de um sentimento de incompreensão. Afinal, pais foram feitos para estarem juntos e se amarem. Quando isso fica ameaçado, parece que o chão vai ruir.

Como agravante entra o fato de que um filho sempre se sente inferior aos pais. Parece que você precisa conversar com eles através de um humilde coração e de joelhos – literalmente, é claro. Vemos nossos pais como deuses no Olimpo, intocáveis e, por vezes, soberanos.

Primeiro tive que conversar e ouvir as lamúrias de um e depois escutar o outro. Dói. Putz, como dói fazer isso. Ao mesmo tempo, não sabia que eu tinha tanta autoridade assim com meus pais, que eles me respeitavam tanto. Assim como me surpreendi com a “infantilidade” deles para algumas coisas. E acho que é de todos pais. Mas, em alguns momentos da conversa, parecia uma briga mais infantil do que as tinha com o meu irmão.

É fato que algumas pessoas têm dificuldade de diálogo, ora por serem impositivas e intransigentes ou então simplesmente não conseguirem organizar as idéias. Também é fato que ouvir um pai ou uma mãe reclamar te faz dar uma razão momentânea para aquela pessoa em detrimento da outra, mesmo que não seja o caso.

No fim, consegui resolver e apaziguar os ânimos. Tudo ficou bem, ou pelo menos deve ficar. Mas o mix de emoções e de vontades naquelas quase duas horas de conversas separadas me mudaram um pouco, sem dúvida.

Espero nunca mais ter que fazer isso. É uma experiência que considero válida, mas não me sinto capacitado para ser mediador de uma discórdia em que eu esteja tão emocionalmente envolvido. Quem topa uma parada dessas tem muita coragem.

Depois de ouvir, ver e falar tanto, saía da minha casa levando camisetas passadas e roupas que tinham sido lavadas, afinal meu pequeno loft não comporta esta estrutura de lavagem. Naqueles segundos, eu pensava sobre muita coisa. Meus pais almoçavam juntos e eu avaliava se havia feito a coisa certo.

Também pensei se tudo iria realmente ficar bem. Um turbilhão de sentimentos passava pela minha cabeça. Só sei que na hora da despedida, encarei os dois e disse que os amavam. E pasmem. Foi a primeira vez em 27 anos que eu tive coragem de dizer isso. E o fiz com a maior sinceridade do mundo.

Virei de costas e caminhei até a garagem, aliviado, mas com o peito torcido, a garganta salivando e os olhos marejados.