Golpe (nos Países) Baixo(s): O caso da crise diplomática musical

Amigos.

 

Hoje o post é sobre um caso típico daqueles que eu protagonizo seguidamente. Na tentativa de fazer um agrado, criei uma crise diplomática.

 

Fui convidado para fazer um churrasco na casa da Ju, uma amiga minha, onde estaria a família dela e a namorada do irmão, a Margit, que é holandesa. Além de fazer as vezes de churrasqueiro, fiquei encarregado do entretenimento, sendo requisitado para, após a refeição, fazer um pocket show de Johnny Cash. Como o público era muito, muito jovem, decidi pensar em alguma coisa diferente. Foi aí que enfiei na cabeça que tinha que cantar uma música da Holanda.

 

Li sobre música celta, compositores, intérpretes, etc. Fiz o download de mais ou menos 40 músicas no Limewire, procurei letras e cifras delas e selecionei as cinco que mais pareciam fáceis de aprender para aí então decidir por uma (afinal, eu tinha dois dias).

 

Optei pelo sucesso “Is Beter Da Ge Niks Zegt”, do grande Gerard van Maasakkers. Achei o ritmo bem legal (lembra um pouco de country), não parecia tão difícil de aprender a pronunciar aquele monte de consoantes. Devo ter ouvido umas 50 vezes possivelmente, treinei, treinei, treinei… até que… consegui!

 

Tudo parecia perfeito. Após oito ou nove músicas do Johnny Cash, fiz um discurso dizendo que, para saudar a visita da Margit, decidi homenageá-la com uma música holandesa. Foi uma surpresa geral e, ao mesmo tempo, uma grande expectativa.

 

Coloquei o papel com as cifras e a letra na frente, respirei fundo e torci para lembrar do ritmo e da pronúncia (afinal, o pocket show foi precedido de muitas cervejas). Comecei…. enquanto eu tocava, conseguia perceber a diversão das pessoas com a minha dificuldade de emitir sons em uma língua que jamais tinha falado ou ouvido. Com o olho fixo no papel, terminei a canção e olhei para o público, que, atordoado, aplaudiu efusivamente. Ufa! Venci!

 

Mas… nem tudo no mundo são flores. A Margit, a homenageada, estava com a expressão de perplexidade, parecia que ia explodir, num vermelhão só. E imaginem… uma holandesa quando fica vermelha, realmente fica vermelha. Perguntei se tinha me saído mal, desejando não ter ofendido a língua pátria da moça. Ao que ela sorriu e falou elegantemente:

 

– Andrei, obrigada pelo esforço. Me senti honrada com a execução dessa música, o fato de você ter aprendido em apenas dois dias. Muito obrigada mesmo. Mas… essa é uma canção belga!

 

Cara, meu mundo parou. Após um interminável segundo de silêncio ensurdecedor, a galera caiu na risada. Que imbecil! Homenagear uma holandesa com uma música do país vizinho e inimigo (sim, eles são desafetos). Imaginem vocês se viajam para a Hungria e um trouxa resolve fazer uma homenagem ao brasileiro que está lá, daí o cara toca Fito Paez ou Charlie Garcia. Vai tomar banho, né? Toca Tom Jobim, porra. Ou Caetano, sei lá.

 

Perguntei para a Margit se ela poderia traduzir a música, o que era uma grande curiosidade minha. E ela respondeu que não tinha a mínima idéia do que se tratava. Que ótimo isso!

 

Abraços.

3 Respostas to “Golpe (nos Países) Baixo(s): O caso da crise diplomática musical”

  1. huiaehriuheariuheiurahiuerahuihreaiuhraeiuhiruae

    cara, tu teria assado, em vez de picanha, sei lá… um filé de tamanco holandês? bem feito! nessas horas tu tem que ser malandro e cantar o que sempre se pede: TOCA RAUL!

  2. Eduardo Lokchin Says:

    hahahahahahahaha!!
    Isso só poderia acontecer com o Andrei!!
    Ah…me dá uma Polar ai…hahaha

  3. Bruno Says:

    como diria um grande amigo meu:
    “Que botada!!!”
    mas sempre achei que música holandesa fosse parecida com alemã. tipo daqueles alemães bêbados que ficam bradando o caneco e cantando aquelas músicas deles que só o Andrei sabe o que querem dizer!
    Espero que tenham servido uma Heinecken pra ela!
    vivendo e aprendendo!

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