O GRENAL do Brasil

Apesar de ser um jogo de um time só (a seleção peruana fede de tão ruim, vamos combinar), sempre é bom ver a seleção brasileira em campo. Jogadas qualificadas, visão de jogo, habilidade individual. Todas as características que são relativas ao nosso futebol. Como qualquer pessoa que foi ao estádio ontem, poderia fazer uma crônica sobre o “ataque versus defesa” que foi visto no Beira-Rio. Mas prefiro me ater a outros detalhes.

 

Sempre tive essa opinião, e o que eu vi ontem comprovou: nossa rivalidade da dupla GRENAL não tem igual. Não foi um jogo para a torcida brasileira, mas sim, para a torcida gaúcha. A começar pelo técnico, Dunga, que reúne as características de um tradicional gaúcho. É duro, turrão, sorri pouco, sério e trabalhador. Além dele, o selecionado era repleto de “gaúchos”: Pato, Ronaldinho, Paulo Paixão, Lúcio, Kleber, etc. Sim, isso porque quando alguma pessoa que não nasceu aqui adquire uma identificação com o estado, nós já o “promovemos” a gaúcho.

 

A pesar do público não ter sido lá essas coisas, havia diversidade. Sentei entre dois paulistas e um baiano. E lembro de ter visto duas pessoas com a camiseta do Criciúma se saudarem pela coincidência e fazerem referência ao Tigre de Santa Catarina. Porém, a predominância massiva era de colorados e gremistas. Evidentemente, mais colorados.

 

Foi um GRENAL para o Brasil ver. A noite passada no Gigante serviria para embasar um estudo antropológico sobre o nosso estado. Os paulistas do meu lado, a todo momento, me questionavam sobre “o porque disso, o porque daquilo”. Quando o Ronaldinho dividiu a torcida entre vaias e aplausos, os dois enlouqueceram. Me perguntaram: “Meu, porque o povo ta vaiando? O cara não é gaúcho, pô?”. Respondi: “É o dualismo histórico, desde os tempos dos chimangos e maragatos, meus amigos”. Eles não entenderam. E eu fiz de propósito.

 

Pato foi o grande vencedor do GRENAL, pois foi ovacionado constantemente pela torcida, que inclusive vaiou e secou o pobre Robinho que não entendeu nada. Elano também foi vítima. Lúcio e Kleber foram bastante saudados. Além, por falar nisso, não poderia faltar o clássico “Galvão é pau no cu”, captado pelos microfones da rádio que eu ouvia.

 

Mas, na minha opinião, a melhor parte do GRENAL foi a paz. Como é bom ver gremistas e colorados lado a lado. Sempre quis assistir a um jogo com meus amigos gremistas e colorados juntos. Ontem, estava sozinho nas cadeiras, mas tive a sensação que nem tudo está perdido. Utopia, por enquanto. Mas meu lado dreamaholic mantém esperanças.

 

3 Respostas to “O GRENAL do Brasil”

  1. a paz, de fato, mesmo, é verdade.

  2. Márcia Fonseca Says:

    Oi Andrei, tbm compartilho dessa mesma vontade de um dia poder ver gremistas e colorados juntos! Sou colorada mas todos meus amigos são gremistas… aqui em Novo Hamburgo a grande maioria é gremista, em dias de grenal sempre vejo o jogo sozinha, para ir no estádio é uma chatice, pq não tenho ninguém para convidar e me fazer companhia… é um saco isso!!!! Mas não perco as esperanças, quem sabe um dia eu possa assistir a um grenal ao lado de todos meus amigos (gremsitas)…

  3. Bruno Says:

    Como estou em Sampa, nao pude ir ao Beira-Rio, estádio que ja me fez chorar de alegria!!! mas assisti ao jogo pela televisao. As cenas de namorados que torciam para times tão rivais abraçados era bonito. Coisa rara no futebol moderno. Mas em um dado momento, a torcida entoou um hino ainda mais forte do que os cânticos das torcidas organizadas, mais forte que o hino riograndense, mais forte do que o “Ah, eu sou gaúcho”: foi o famoso “Hey, Galvão, vai tomar no cu!!” que coisa linda!!! e o pior! o Galvão ainda falou: “olha a torcida pedindo o Pato de novo!!” depois, vendo que era impossível disfarçar, ficou quieto por cerca de 20 a 30 segundos!!! e pelos microfones da própria Rede Globo, pude ver como o gaúcho ama o Galvão! O cara do som tentou de tudo para abafar o apelo da torcida… mas nada adiantou. enfim, o Galvao retomou a fala rindo, tentando controlar a risada. Momentos hilários proporcionados por todas as torcidas do Brasil, presente no Beira-rio.

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