Necessidade de diploma para jornalista

Em uma decisão por 8 votos a 1, o Supremo Tribunal Federal encerrou o debate que durava uma década. Desde ontem, não é mais necessário ter o diploma universitário para exercer a profissão de jornalista no Brasil. Nada surpreendente para um país em que o presidente se orgulha de não ter um.

Conforme argumento do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, a profissão de jornalista pode ser comparada a de um cozinheiro. “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área”.

Discordo veementemente dessa argumentação. Não acho que uma profissão possa ser comparada a outra, pois, nesse caso, uma acaba se sobrepondo, se tornando mais importante ou “nobre”. E, na minha opinião, todas são iguais e necessitam de qualificação, seja o jornalismo, culinária ou direito. Daqui a pouco, um cidadão que é um gênio do Lego, monta de tudo e faz obras mirabolantes, poderá ser um engenheiro.

O ministro Mendes completou: “O jornalismo e a liberdade de expressão, portanto, são atividades imbricadas por sua própria natureza e não podem ser pensadas e tratadas de forma separada”. Se formos por este argumento, ministro, a liberdade de expressão é um julgamento público que fazemos sobre algum fato. Logo, se é um julgamento (uma opinião), pergunto: haveria necessidade de diploma para ser juiz? Sendo assim, sugiro que qualquer cidadão comum, dotado de bom juízo de valores, boa consciência, conhecimentos gerais e aptidão para tal possa também concorrer a este cargo.

Considero profundamente lamentável que o STF tenha dado a decisão final a favor do Sindicato das Empresas de Rádio e televisão de São Paulo, que entraram com o pedido pra que o diploma caísse. Isso mostra que uma associação de veículos de imprensa deseja que seus profissionais não sejam qualificados. E pior: pretende remunerá-los da forma como desejar.

Para quem não sabe, o piso para jornalista varia em todo Brasil, normalmente de R$ 700,00 a R$ 2.000,00. No Rio Grande do Sul é de R$ 1.200,00. Alguns veículos de comunicação costumam contratar profissionais de forma terceirizada, quando não os contratam pelo piso de radialista (R$ 540,00) para exercer as funções de jornalista.

Esta decisão do STF é ruim para a própria liberdade de expressão, pois põe em risco a qualidade do nosso jornalismo. Sem falar na desvalorização do ensino, pois eu, assim como milhares de pessoas, paguei (caro) e me dediquei para fazer faculdade, que agora, não vale absolutamente nada. Aliás, vale sim. Eu tenho direito à cela especial caso alguém se sinta ofendido por esta minha “liberdade de expressão” exposta aqui.

4 Respostas to “Necessidade de diploma para jornalista”

  1. teu comentário do cara do lego é um pouco pior do que a comparação do cozinheiro, mas tu dá no meio da questão no exemplo do juiz: de fato, o cara pode ter quantos diplomas quanto quiser, mas vai ser um merda de juiz se não tiver simples bom senso e valores firmes.

    ainda semana passada eu concluí que é verdade, sim, que algumas profissões não precisam do diploma, as que são baseadas em percepção. isso veio depois que um amigo meu, músico diplomado e ex-colega meu de banda, me confirmou várias idéias e teorias musicais que eu desenvolvi sozinho, desde que ganhei meu primeiro teclado aos 8 anos.

    a gente concluiu que grande parte dos músicos que se formam ficam tão bitolados em técnicas e teorias que esquecem de compor pro ouvinte. esquecem que música não funciona se tu não conseguir que a emoção que tu quer passar prevaleça. é música pela música. exemplo clássico: o dream theater – era minha banda preferida, mas de repente começou a se perder com músicas cada vez mais punheteiras.

    e aí tu faz o que? exigir que o nei lisboa passe no vestibular da ufrgs, com prova prática de violão clássico e tudo?

    também concluí que, infelizmente, publicidade também é assim. mas aí a argumentação é um pouco mais pesada.

  2. acabei não dizendo o principal: não acho que jornalismo seja uma questão subjetiva, a menos que tu seja comentarista de futebol. jornalismo precisa, sim, de diploma.

  3. Eu acho que devia cair o diploma para o MEU curso de formação, Relações Públicas. Primeiro, pq a profissão não existe mais, FATO. O que existe são cargos que levam outros nomes, compostos por marketing ou comunicação, muito tarefeitos e pouco estratégicos. Por culpa nossa (êita classe mais tabacuda – só tem desengajados e gente tosca) ou do nosso conselho regional – que não fode nem sai de cima – , acabamos por não nos posicionar e brigar pelo direito de exercer a profissão. Talvez pq nenhum de nós morra muito de orgulho de uma profissão que tem como símbolos um golfinho simpático e uma cafeteira.

    E sim, qualquer imbecil tem capacidade de organizar um mural ou uma festinha (espero eu). Portanto, pra que estudar? Basta RELACIONAR-SE.

    Pq diabos não insisti na arquitetura? Pq? PQ????

  4. Márcia Fonseca Says:

    É realmente lamentável isso que aconteceu, pra mim foi uma decepção muito grande pois estava pensando em entrar no curso de jornalismo…

    Fiquei sabendo ainda, de que diploma não dá mais direito a cela especial, isso também “caiu”….

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