Brasileiros fora do Brasil

Eu tenho muito orgulho de ter nascido neste país. O slogan da TAM me serve: orgulho de ser brasileiro. A nossa cultura gira em torno de uma alegria que me fascina. Temos um jeito próprio que nem mesmo os países mais desenvolvidos conseguem copiar. É um mistério e motivo de inveja para outras nações.

Porém, tem algo que me irrita MUITO nos brasileiros em geral (não são todos, óbvio): a postura quando estamos fora do país. Parece que a gente não sabe (ou não quer) se comportar em um país com uma cultura diferente. Ficamos tomados pela síndrome da criança que é a alegria dos pais dentro de casa mas quando sai de casa vira uma peste, fica impossível.

Tenho muitos exemplos para contar. Na minha visita recente à Argentina, observava um grupo caminhando em um shopping. Era o destaque. Os filhos gritavam para chamar atenção dos pais, corriam, se jogavam no chão. E os pais riam, achavam divertido. E mais: comentavam abertamente, com alto e bom som, o que achavam de argentinos, das roupas, do gestual, etc. Oh, God!

Fora que alguns têm a síndrome da vitória, ou sejam, precisam fazer as coisas antes que os outros, senão saem perdendo. Se alguém entra na frente deles no elevador ou na escada rolante é motivo de pavor. Para evitar isso, correm e se jogam na frente, para depois ficar com a aquele olhar de superioridade (eu venci! Eu venci! A escada rolante é minha! Yes!).

Na última vez que voltei de New York, cheguei no Liberty international Airport quatro horas antes do vôo. Feito o check in, fui abençoado com um bar em frente ao meu portão de embarque para passar o tempo. Casualmente, no portão ao lado, o destino era Oslo, na Noruega.

Amigos… a diferença era abismal. Os vôos tinham 20 minutos de diferença de partida. Os passageiros para Oslo estavam sentados num silêncio sepulcral, enquanto os viajantes para São Paulo falavam alto, abriam malas para mostrar os presentes uns aos outros. E pasmem: alguns já estavam na fila, três horas antes do embarque.

O vôo para Oslo foi chamado antes. TODOS, repito, TODOS os passageiros ficaram sentados enquanto o cara da companhia aérea anunciava a abertura do embarque, com prioridade para gestante, idosos, etc. Depois, chamou da fileira X até a Y. SOMENTE, repito, SOMENTE esses passageiros levantaram e formaram fila. Depois, foi a vez dos assentos da fileira W até a Z. Pronto. Todos acomodados rápida e organizadamente.

E foi aí que o pobre funcionário da Continental Airlines se aproximou do microfone para anunciar o vôo para São Paulo. Antes que ele se curvasse para falar, um grupo já se postou a frente do portão, sem se importar se era a fila normal ou da Elite Class. As pessoas com dificuldade de locomoção tiveram dificuldade para desviar dos imóveis passageiros que “chegaram primeiro”.

Fila? Nããããão. Pra que? Funcionou a teoria do funil. Uma hora todos passam com a benção de Deus. Os funcionários da Continental olhavam perplexos o que ocorria. E os pobres (nesse caso, pelo menos) passageiros da Elite Class tentavam explicar que tinham que embarcar primeiro, mas não tinha como. Parecia que eu estava vendo a Xuxa em início de carreira, com um bando de crianças mal-criadas correndo e não respeitando ninguém.

Já dentro do avião, começa a disputa por espaço no compartimento de bagagem de mão. Aquelas pessoas que não despacharam uma mala do tamanho de um Rottweiller querem preferência para acomodá-la.

Aceito que alguns discordem de mim, mas não me venham com essa ladainha de xenofobia, por favor. Repito: tenho orgulho de ser brasileiro e assumo: já fiz dessas também. Porém, me policio (e muito) para não fazer de novo para não interferir na rotina ou então, principalmente, desrespeitar a cultura e o espaço alheio.

Uma resposta to “Brasileiros fora do Brasil”

  1. bah! concordo 100% contigo, andrei.
    tu não imagina a diferença que eu senti quando eu passei 3 meses em munique. me senti ridícula pelos meus (péssimos) hábitos.
    por isso que eu digo que educação é a base de tudo. não só educação de colégio, mas educação de caráter.

    hoje, dentres outros aprendizados, eu espero a sinaleira ficar verde pra mim antes de atravessar a rua. não me jogo mais na frente dos carros como eu fazia. aprendi com os alemães. respeito é tudo.

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