Oinc, oinc!

Esperei um pouco para contar essa incrível história que só podia acontecer comigo. Aliás, com mais um amigo meu também. Mas isso fica pro final.

No meu último dia em Buenos Aires, me senti mal, com febre e dores no corpo. Achei que tava tudo bem, afinal, estava na hora de voltar e deveria ser o cansaço de tanto caminhar.

Durante o vôo de volta, a Ju notou que eu estava com febre. No exato momento, o comandante anunciou: “aqueles passageiros que sentirem febre e dores no corpo devem se identificar ao nosso pessoal em terra para que recebam os cuidados médicos necessários”.

Gelei. Bah. Fiquei imóvel e fechei a cara até o final do vôo. No desembarque, pagamos as malas e fomos até o Hospital São Lucas da PUC para fazer exames. A emergência estava vazia e fomos atendidos rapidamente.

Assim que eu comecei a explicar meu caso para o médico, ele se indignou, levantou e foi buscar máscaras. Pensei calmamente… “Fodeu!”. Tive que ficar isolado em uma sala, sem sinal e quase sem bateria no celular, somente com a possibilidade de ouvir Ipod.

A Ju, do outro lado, questionava incessantemente a necessidade dela fazer exames. Porém, foi liberada. E eu fiquei lá, com a máscara e o isolamento. Tive que fazer exame de sangue para saber se eu estava com uma virose.

Antes mesmo do resultado chegar, decidiram me mandar para o Hospital Conceição para fazer o teste específico da gripe A H1N1. Como um familiar tinha que ir junto, minha mãe foi avisada. Essa foi a parte mais engraçada. Ela ficou a-pa-vo-ra-da! Se encheu de máscara e avental.

Com tudo pronto, chamaram uma ambulância da SAMU para me transferir. Sim, isso mesmo. Uma ambulância da SAMU. E lá fui eu, sentado na parte de trás, sozinho, ouvindo música, enquanto o motorista fazia zigue-zague na avenida Ipiranga e na Terceira Perimetral. O barulho da sirene era irritante.

Ao chegar no Conceição, o médico me examinou e, 30 minutos depois, pediu que eu tirasse a máscara. Estava descartada a minha possibilidade de ter contraído gripe suína, ou H1N1, ou gripe A. Porém, foi recomendado que eu ficasse em casa por cinco dias. Meu chefe concordou.

Quando isso ocorreu comigo, não havia ainda esse frenesi em relação à nova gripe. Agora existe uma real preocupação com as pessoas que vêm da Argentina. Inclusive, já contabilizamos a primeira morte em decorrência dessa doença aqui no Brasil.

Esse “susto” me ensinou algumas coisas. Por vezes, fui encarado como monstro, como portador de uma doença séria, uma forte ameaça a saúde da população. Pessoas me olharam com desprezo e nojo. Sabia que eu estava bem e tinha vontade de dizer isso ao mundo. Aprendi muito sobre preconceito com essa experiência.

Por fim, gosto sempre ver o lado engraçado da coisa. Sem mais delongas, recomendo o blog do meu amigo Vinícius, que passou pela mesma coisa, porém com um certo agravante. Confiram aqui.

2 Respostas to “Oinc, oinc!”

  1. me rendeu uma boa piada no meu aniversário.😉

  2. hahaha
    imagino a viagem na ambulância
    valeu pela experiência, pelo menos
    o andré marques do vídeo show pegou a gripe em buenos aires. e os colegas repórteres e apresentadores foram visitar ele. resultado: estão todos de quarentena. chamaram a ana furtado pra apresentar o programa. se um amigo tiver a gripe, eu confesso que serei solidário. Também vou visitar.
    abraço

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