Pais e filhos

Já pensei muito sobe a relação entre pais e filhos. A começar pela minha com meus pais. Eles foram fundamentais em todas as partes da minha vida. Na grande maioria, no lado bom.

Meu pai sempre foi um exemplo em muitas coisas e minha mãe a pessoa mais amorosa que eu conheci. Eles me ensinaram os primeiros significados da palavra amor. Em algumas situações, eu demorei para entender o sentido dessas lições, por não conseguir decodificá-las.

Na minha mudança, por exemplo, eles foram fundamentais. Me ajudaram com muita coisa, principalmente na aquisição de bens para o apê. Mas outro dia eu conto mais sobre a minha relação. O foco agora é outro.

Ontem, observei duas cenas que me tocaram. A primeira foi quando eu fui receber o sofá no meu apartamento. O móvel veio em um caminhão tercerizado da loja, com três pessoas, sendo dois deles pai e filho.

O pai mostrava bastante disposição, certamente deveria ser o dono do negócio. O filho era um menino de 15 ou 16 anos, bem magro. Não parecia muito feliz. Me passou a sensação de que era extremamente necessário estar junto ao pai para ajudar na entrega.

O guri mostrou perícia ao manipular o sofá. Mas seu olhar era triste. Possivelmente, ele ajudava o pai por necessidade, a família deveria precisar de mais uma mão no caminhão. Mas ele não queria estar ali.

A cabeça dele certamente estava com dúvidas sobre o futuro. Sua escolha profissional era outra, mas não podia negar. Afinal, era um pedido do pai dele. Sagrado, portanto. E o pai, por sua vez, sabia que fazia um bem ao filho, ensinando-o responsabilidade, um ofício.

A outra cena ocorreu em frente da agência, quando um grupo de pessoas descarregava vidros para colocar aqui. Observei um menino, mais jovem que o outro, extremamente concentrado, fazendo de tudo para mostrar ao pai que tinha as habilidades que ele requisitava. E o pai parecia compreensivo.

Esses dois fatos me remeteram ao passado, quando eu bem pequeno e sentava junto ao meu pai na sala. Ele gostava de corrigir provas na mesa de jantar e eu admirava aquela concentração toda em cima de folhas e mais folhas, com uma imponente caneta vermelha, que tinha o poder de dizer o que era certo ou errado.

Eu pedia para ajudar. Um dia, ele deixou. E eu peguei o gabarito e senti o poder que aquela caneta tinha, de dar um certo ou marcar uma cruz. Imaginei  qual seria o rosto de cada uma daquelas pessoas que eu avaliava e selava o destino. Eu gastava um tempo maior lendo os nomes ou tentando entender de que se tratava a questão.

Foi um bom aprendizado. Não tanto sobre estatística, mas sim sobre vida, amor, poder, admiração, pais e filhos.

Eu sei que é clichê, mas eu resolvi postar a música da Legião Urbana que leva o nome deste post. Se o caro leitor não é fã da maior banda de rock do Brasil – na minha opinião – não precisa curtir o som. Mas pense na letra, que diz muita coisa. E esqueça a melodia.

Uma resposta to “Pais e filhos”

  1. MatosSams Says:

    Olá, gostaria de te convidar para partipar de uma rede de troca de conteúdo, para mais detalhes me manda um email ok. Abraços. Matos

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