Verdades e Mentiras

Não costumo escrever duas vezes em um mesmo dia. Mas depois que publiquei, fiquei matutando cá com meus botões.

Como é ruim ser enganado, não acham? A gente gera um sentimento de expectativa e acaba frustrado. Estava refletindo sobre isso ao meio dia.

No meu caso, eu fui enganado pela NET, que em prometeu um serviço e não me entregou. Shame on you, NET! Isso e outras coisas me fizeram pensar.

Acabei trocando o meu almoço por momentos de reflexão. Aí, lembrei a primeira recordação que eu tenho de uma mentira contada por mim. Quando eu era pequeno, a minha mãe tentava me fazer comer salada. E eu odiava e continuo odiando.

Um certo dia, com muito jeito, ela me pediu: “Filho, come essa cenourinha aqui. Vai te fazer bem. Só experimenta. Se não gostar, não precisa comer”. Ela pediu com muito jeito. Eu não podia negar.

Mas, quando ela me entregou, descascada e enrolada em um guardanapo, eu mudei de idéia. Achei melhor não. Eca! Cenoura crua. Não, não. Bolachas recheadas, por favor.

Mas eu tinha que dar um fim naquela cenoura. Antes que algum engraçadinho pense ou diga uma bobagem, já adianto: não enfiei no cu não. Caminhando pela sala, resolvi escondê-la embaixo de uma pirâmide cor de vinho que tinha numa mesa. Perfeito. Ninguém acharia.

Horas depois, minha mãe me viu brincando e perguntou se eu tinha comido a cenoura. Respondi que sim. Ela me olhou com jeito de mãe, compreensiva, amaciou a voz e disse:

– Filho, você comeu mesmo? Fala a verdade para a mamãe. Não vou ficar braba. Não é legal mentir.

Eu não lembro quantos anos eu tinha, mas a primeira vez que senti remorso. Parecia que me coração se contorcia. Aquela voz doce da minha mãe, combinado com o olhar penetrante e, principalmente, sinceridade, me destruíram.

Assumi que mentira e mostrei onde tinha escondido. Ela passou a mão na minha cabeça, recolheu a cenoura e colocou no lixo. Mas eu via nos olhos dela que estava magoada.

….

Anos mais tarde, já na primeira série do colégio, tínhamos uma prova, na qual, dentre os conteúdo cobrados, estavam os cinco sentidos: olfato, paladar, visão, audição e tato.

Fácil, né? Pois na hora da prova, esqueci de um deles. Furtiva e inocentemente, levantei meu caderno, que estava embaixo da classe, e vi o que faltava. Respondi a questão e entreguei feliz a prova.

Me achei um cara esperto por ter utilizado este recurso. Resolvi dividir coma minha mãe, quando ela foi me buscar.  Quando eu contei, ela encheu os olhos de lágrima e disse com a voz embargada:

– Meu filho…. tu colou…… tu colou, meu filho.

Bah… aquela voz chorosa e a “ignorada” que eu levei durante o trajeto para casa (ela não me olhou mais) me demoliram. Durante anos, convivi com essa culpa de ter colado numa prova sendo filho de professor.

Mais tarde, contei isso para o meu psiquiatra e ele me absolveu:

– Andrei, você foi honesto. Só isso.

Verdade sempre.

Uma resposta to “Verdades e Mentiras”

  1. PSIQUIATRA??? caralho. não saio mais contigo! vai que tu tem uma recaída, vai que tu esquece teus remédios??

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