Arquivo de setembro, 2009

Sou um caso perdido

Posted in Mural with tags , , , on 30/09/2009 by andreifonseca

Deus me fez um bagunceiro e desorganizado. Ou melhor, papai e mamãe fizeram. Eu não tenho jeito, só nascendo de novo.

Já tentei ter agenda para não faltar aos compromissos, mas esqueço de olhá-la. Já deixei bilhetes e coisas em cima da mesa para que lembrasse de algo, mas quando passava por perto, não dava bola.

Na faculdade, já esqueci de provas, estudei para o dia errado, a matéria errada, troquei números de telefone e já fui até em um aniversário uma semana antes do dia e encontrei o bar vazio. Meu amigo Eduardo lembra bem dessa, pois foi surpreendido pela minha ligação à meia-noite questionando por que ele havia ido embora cedo.

Acho que sofro de déficit de atenção. Quando estou concentrado, sou um avião, uma máquina. Mas, quando a minha cabeça resolve estar longe, pode explodir uma bomba do meu lado que eu vou continuar ouvindo Ipod. E cantando em voz alta. Ou gesticulando sozinho.

Meu pai é assim também. Se ele ler isso, vai discordar certamente, mas ele é exatamente como eu nesse ponto. Eu to fazendo um esforço para mudar. Mas, enquanto isso, alimentos vão estragando na geladeira, filmes ficam dias sem serem devolvidos na locadora e eu esqueço coisas que me avisaram minutos antes.

Perdoem, por favor, esse nobre vagabundo.

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A falta que me faz

Ontem, um colega nosso da agência teve o seu meio de transporte levado aqui da frente. Um belíssimo e bem cuidado Fusquinha branco se foi, e isso que tinha uma tranca no volante. É desesperador vir buscar o carro e ele não estar.

Hoje, estávamos conversando e ele parecia mais conformado. Mas a declaração mais surpreendendo foi quando chegou uma pessoa e perguntou como ele estava. A resposta foi incrível.

– Pior foi meu guarda-chuva, que tava lá dentro… Merda.

Ainda bem que hoje fez sol.

Lá funciona

Posted in O mundo cruel with tags , , on 29/09/2009 by andreifonseca

Muitas vezes, dei discursos sobre o quão admiro o sistema norte-americano de cumprimento de leis. É bem simples: lei é lei e DEVE ser cumprida. Desrespeitou, vai para a cadeia. Não gostou, leva porrada. Ah, se fosse igual por aqui.

Zapeando pela internet, achei esse vídeo que ilustra isso. Alguns podem dizer que é covardia e tal, uma discussão entre um homem e uma mulher. Mas, se (veja bem… SE, no condicional) o relato do cara que filmou é verossímil, meus parabéns à polícia pela atitude estritamente legal.

Explico. Em um jogo de futebol americano, havia uma torcedora do Vikings completamente embriagada com outra amiga. Elas eram do time visitante e lá todo mundo senta junto, sem divisória, em uma demonstração invejável de civilidade.

Conta o rapaz que filmou que as duas amigas estragaram uns materiais da torcida adversária, gritaram palavras impróprias. A dupla continuou ingerindo cerveja, derramando nelas mesmas e nas cadeiras e, obviamente, em outros torcedores.

Foi aí que a cerveja sobrou para uns caras que estavam na fila de baixo, que reclamaram e disseram para elas sentarem. A reação foi imediata, pois elas jogaram o resto da cerveja na cabeça do cara. O vídeo diz como terminou tudo.

Infelizmente, no Brasil não é assim. Normalmente, quando chego nas minhas cadeiras do Beira-Rio, tem alguém sentado. Mesmo pedindo com educação, fazendo uma brincadeira, as pessoas se sentem ofendidas e não reconhecem quando estão erradas. Saem, mas complicam.

Quando alguém não reconhece a própria culpa, é um caso perdido. A sensação é de discutir com irracionais. Por mais razão que você tenha, as pessoas se prendem a argumentos levianos só para justificar a posição e não dar o braço a torcer. Nossa… se elas soubessem o ato de grandeza que isso demonstra. Mas não. O orgulho impera.

O Beira-Rio já foi bem pior, hoje os seguranças compreendem melhor os direitos das pessoas e não deixam mais isso acontecer. Eu disse: direito das pessoas.

Wii are the champions

Posted in Histórias - A vida foi assim, Mural with tags , , on 28/09/2009 by andreifonseca

Este post vai provar que a Ju é a mulher da minha vida. Aposto que nenhuma outra pessoa seria tão maluca a ponto de comprar (literalmente) essa idéia que surgiu do nada e acabou se tornando uma prova mútua de amor e insanidade. Ah, e de catástrofe financeira também.

Depois de almoçar no Outback do Iguatemi, no sábado, eu a Ju fomos dar uma volta rápida no shopping, pois nenhum de nós agüenta muito tempo um ambiente lotado assim.

Eu precisava comprar um cabo para o Play3, então entramos na Game Center. Não precisou muito que ficássemos olhando os jogos de Wii, pois nós dois somos loucos (ou lhocos) pelas edições do Super Mario Bros.

Mesmo sabendo da resposta, perguntei ao vendedor se não havia realmente uma edição do Mario para Play3, pois nós queríamos jogar o Super Mario Party e o Super Mario Kart.

“É de exclusividade da Nintendo”, disse o vendedor. “Mas, o Nintendo Wii está com preço super-bom, gente. E ainda vem com jogo e dois controles”. Nesse momento, a Ju me olhou com um jeito de quem diz “Quem sabe, hein?”.

Putz! “Sério???!? Tu quer mesmo isso?!?!?!”, foi o que eu pensei. E ela queria. Saímos dali, ficamos conversando sobre isso, rindo, um olhava para a cara do outro. E sim, sério, ela queria aquilo tanto quanto eu. Na verdade, nem pensamos direito. Apenas agimos exatamente como o nosso instinto de diversão mandou, contrariando a razão da nossa carteira.

Nunca imaginei que fosse ter, ao meu lado, uma pessoa que tivesse esse tipo de idéia insana. E, mesmo depois de pensar, a levasse adiante.

Qualquer outro ser humano me chamaria de doente, imbecil e débil mental, e espalharia a notícia de que eu sou inconseqüente e ainda não cresci por querer comprar outro videogame. Mas não a Ju. Não, não. Ela não só me entendeu como pensou EXATAMENTE como eu. E agiu também.

Um tempinho depois, voltamos na loja e o vendedor sorriu, pois sacou que lidava com dois loucos (ou lhocos). Começamos a negociação. E mais jogos do Mario, controles, adaptadores, cabos, etc. A conta aumentou bastante, mas para isso existe um veneno chamado cartão de crédito.

O Nintendo Wii, com três jogos e acessórios, virou o nosso presente de aniversário para nós mesmos. Também foi responsável por um final de semana de muita, mas muita diversão e câimbra nos dedos e braços. E virou nosso primeiro patrimônio coletivo.

Estão todos desafiados, principalmente as minhas cunhadas. No Mario Kart, estamos ficando fera. E no Super Mario Party também.

Ô Fabi, a Ju não é café com leite, ta? Pelo contrário. Ô, Lu! Ô, Luuuuuuu! Vai te preparando. Escolham entre o Donkey Kong, o Luigi, o Tod e a Peaches, pois o Mário sou eu e o Yoshi é a Ju.

Ah, não esqueçam de trazer os seus controles… hehehehe… só temos dois… por enquanto.

O rolo gemada

Posted in Mural, Testemunha ocular dos fatos with tags , , , , on 24/09/2009 by andreifonseca

Admito que a nova camiseta dourada do Internacional é uma jogada de marketing interessante. A peça vendeu bastante logo que foi lançada e hoje é responsável por 20% dos lucros relativos aos três modelos oficiais. 60% dos torcedores aprovaram. Mas eu achei horrível.

Ontem, a camiseta dourada foi estreada oficialmente na Copa Sul-Americana, torneio que o Inter se comprometeu com a Reebook jogá-lo por completo com este uniforme. Se apresentarmos no jogo da volta o mesmo futebol dessa quarta-feira, essa porcaria sobrevive a mais uma partida.

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É uma zica, dá azar, não funciona. Acredito um pouco nessa superstição sim. Já não vínhamos bem, daí entrou em campo o rolo gemada e levou um baile no meio-campo do fraquíssimo Universidad do Chile. Lamentável. Empatamos.

Acho que isso desmotiva um pouco a torcida. Somos tradicionais nesse ponto. Queremos ver o vermelho bonito e imponente da camiseta do Internacional entrar em campo e fazer os adversários tremerem. Ontem, me senti torcedor para outro time.

Aliás, que nome podemos apelidar o time do Inter com este novo uniforme? Rolo Gemada? Golden Boys da Beira-Rio? Colorado Sunshine? São muitas opções.

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O Inter ta jogando um futebolzinho ridículo. Nada me irrita mais que ver um time sem indignação. Assistir a uma partida que os jogadores não têm tesão me deixa louco. Pô, tu ta perdendo o jogo, o juiz marca falta e fica um olhando para o outro… ninguém se apresenta, ninguém assume a responsabilidade. Lamentável.

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O site Globoesporte.com publicou hoje um levantamento dos dez maiores erros de arbitragem deste ano. Três deles beneficiam o Corinthians. Agradeço ao levantamento feito, mas acho que caberia bem mais.

Não foi mencionado, por exemplo, o gol anulado do Ronaldo contra o Internacional na final da Copa do Brasil. Putz! Como ia esquecer… a Globo não ia contestar o seu queridinho. Em compensação, o Maradona brasileiro do Paraná Clube foi crucificado e o árbitro que validou o gol ridículo de mão não apita mais esse ano.

Dica minha para o centroavante do Paraná: se candidate para jogar no Corínthians. Sua vida vai ficar bem mais fácil.

Confiram a lista aqui.

Liberty Island: No big deal

Posted in Testemunha ocular dos fatos with tags , , , on 23/09/2009 by andreifonseca

Quem vai a New York pela primeira vez, pensa em visitar os principais pontos turísticos, obviamente. Aqueles que mais ilustram cartões postais e aparecem nos filmes. E todos valem a pena. Mas um me decepcionou em especial: a Estátua da Liberdade.

A começar que é uma função para chegar lá. Normalmente, turistas se hospedam em Midtown Manhattan, que fica perto da Times Square e outras mil e tantas lojas. Então, tem que pegar dois metrôs e ainda caminhar um pouco.

No meu caso, tive que caminhar numa manhã geladíssima de domingo, depois de andar em um trem quase vazio da 47th Street até o World Trade Center Path, na agradável companhia de mendigos que dormiam nos bancos dos vagões.  Quando cheguei na estação que fica à beira do rio onde pega-se o ferryboat até a Liberty Island, ainda tive que esperar um tempo até sair o próximo. E tava frio.

Depois de esperar, desce um monte de gente, sobe outros tantos, após passar por uma revista extremamente rigorosa do exército norte-americano. Isso mesmo, amigos. Quem revistam as pessoas para entrar no barco são os marines com fuzil e tudo mais.

Daí, inicia a viagem em um ritmo extremamente lento nas águas. Lembro de ter comido um excelente cachorro-quente servido no barco. E para conseguir enfrentei outra mega fila.

Admito que, ao passo que a Estátua se aproxima, é uma visão impactante. Impossível não lembrar da influência da cultura norte-americana em nossas vidas, filmes, músicas, fotos.

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As pessoas desembarcam próximo à lojinha que vende produtos da Lady Liberty, como miniaturas, camisetas, posters, livros, etc. Daí, é só caminhar um pouco e é possível ver bem de perto a tão falada Estátua da Liberdade, um presente da França para os Estados Unidos, construído em 1886, pela comemoração do centenário da independência americana.

Após os atentados de 11 de setembro, a visitação à coroa, no alto dos 46,5m de altura do momento, foi fechada. Em 4 de julho deste, foi reaberta. Agora, na próxima ida, em janeiro doa no que vem, finalmente vou conhecer o topo.

Mesmo assim, achei a estátua bem feinha. Quando cheguei perto, achei estranho. Perdeu-se o glamour que tinha. Ela é verde, suja e velha. Realmente me decepcionou. Embora eu tenha achado pequena, a Lady Liberty é a maior estátua do mundo segundo o Guiness.

Acho que a soma entre o frio, a distância, a demora, o meu mau-humor e o tamanho real da parada fizeram com que eu não gostasse. Em compensação, adoro a foto que tirei uns dias antes, quando fui ver o World Trade Center.

Estátua da Liberdade no final de tarde

Estátua da Liberdade no final de tarde

Brasilocão 2009

Posted in Mural with tags , , , on 21/09/2009 by andreifonseca

O Campeonato Brasileiro é o torneio mais doido do mundo. Porque? Disparado, é o mais emocionante, pelas diversas competições em uma só. É o mais difícil e o mais fácil ao mesmo tempo. E o mais controverso.

Nada você pode dizer que vai acontecer com certeza, porque pode ocorrer, do nada, uma reviravolta em campo ou fora dele. Parece que alguém escuta e resolve mudar.

O pequeno Avaí pode ganhar sete partidas seguidas, encantar a torcida, beirar o G4 e daí perde para o internacional que belisca a ponta. E o meu colorado perde duas e cai para terceiro, quando o líder também é derrotado. Aí, o São Paulo vem com tudo, acelerado igual fez ano passado.

O Grêmio vem se recuperando, mesmo com um time limitado e um treinador teórico e técnico, o que contraria o desejo da maior parte da torcida de ver uma equipe aguerrida e de marcação forte. Aliás, ano passado, foi muito mais além do que merecia, brigou por título na última rodada. Pode? No Brasilocão sim.

O Palmeiras tem um time apenas bom e “ponteia” o campeonato. O super Corinthians-amigo-dos-árbitros ta no meio da tabela mas garantido na Libertadores. Porém, ontem levou quatro do Goiás. Bem feito. Fernandão tinha que ter feito um gol de mão. O Barueri dá sinais que pode ser uma reedição do São Caetano.

Os paranaenses envergonham. Um deles cai certo (opa! Olha eu aqui me arriscando ao dar certeza). Falando em cair, Fluminense e Botafogo correm sério risco. O primeiro, dizem, já projeta a Série B. Essa sim é minha única certeza. Há que ter muito, mas muito fôlego para escapar.

Depois da rodada do final de semana, ficou provado que qualquer pode acontecer, desde título ao rebaixamento. Com exceção de que os mais na ponta de cima da tabela não caem e vice-versa. Embolou de vez.

Agora, vou me arriscar ao dizer o seguinte: o título fica entre os que hoje estão nas seis primeiras colocações, exceto Atlético-MG. O Roth não leva essa.

Já no rebaixamento, aposto em Coritiba, Náutico, Sport e Fluminense. Botafogo e Santo André devem se salvar. O resto não corre risco. O Atlético-PR anda se recuperando.

Continuo na torcida pelo tetra, mas acho que o Internacional não leva. O aproveitamento do segundo turno é ridículo. E quando a gente acerta o esquema, o treinador muda. Alguém explica, por favor. Ah… E o Edu no lugar do Taison, por favor.

O último homem em pé

Posted in Testemunha ocular dos fatos with tags , , on 18/09/2009 by andreifonseca

A última quarta-feira vai ficar gravada na minha memória para sempre. Eu a Ju fomos ao show do Jerry Lee Lewis, ou The Killer como também é conhecido. O cara foi o primeiro roqueiro que usou o piano como instrumento pessoal.

Jerry Lee teve uma carreira perturbada. Era temperamental, de difícil relacionamento, debochado e muito gozador. Quem conviveu com ele, principalmente no início de carreira, relatava que o cara era pirado.

Além de atear fogo no piano em algumas apresentações, The Killer chocou o mundo inteiro ao casar-se com a sua prima de primeiro grau quando ela tinha apenas 13 anos. Dodói.

Nos anos cinqüenta, Jerry Lee Lewis fazia parte do casting de músicos da Sun Records, gravadora de Memphis, nos Estados Unidos. Além dele, Johnny Cash, Carl Perkins e Elvis Presley também eram do selo. E numa tarde, os quatro se reuniram no estúdio e fizeram uma Jam, que mais tarde virou disco, intitulado The Million Dollar Quartet.

Recentemente, lançou um disco chamado “The Last Man Standing”, já que seus três amigos do passado já se foram.

O show desta quarta-feira em Porto Alegre foi peculiar. Por volta de dez horas da noite, uma banda de apoio entrou, tocou quatro ou cinco músicas e, no final de uma delas, Jerry Lee entrou no palco, com um caminhar lento, vestindo uma camisa vermelha de mangas curtas, que contrastava com o preto dos outros músicos.

Aí sim o público levantou de vez. Pessoas de 14 até 80 anos (sim, tinha gente bem antiga lá) ficaram de pé e dançaram durante a pouco mais de meia hora que The Killer ficou no palco.

Foi emocionante observar o que cada um sentia. Certamente, uma pessoa mais velha, que conhecia o artista há um tempo, teve recordações dos seus tempos de juventude e via naquele momento, ao vivo, umas das inspirações de rebeldia e atitude de quem passou pelos anos 50 e 60.

Já os mais novos, deviam pensar: “Pô, esse coroa manda bem”. Jerry Lee, mesmo velho e visivelmente cansado, mostrou que é o cara. Cada toque no piano arrancava ovações da platéia. The Killer toca piano como quem desvenda um enigma complexo de ciência exata, só que faz parecer muito fácil e divertido. E ainda ri disso.

Depois dos seus sucessos “Great Balls of Fire” e “Whole Lotta Shaking”, o cara saiu do palco, novamente a passos lentos, se despedindo do público que vira pela primeira vez, não sem antes fazer uma reverência de gratidão eterna. E pode ter certeza, Jerry… essa gratidão é recíproca.

Posto dois vídeos aqui dele, um mais antigo, calculo que deve ser pelos anos 80, onde ele toca Boogie Woogie Country Man. Jerry Lee Lewis criou um estilo chamado Boogie Woogie, o qual eu recomendo ao meu ombundsman, que preste atenção e aprenda com o tio.

Neste segundo, tem a finaleira da apresentação de Porto Alegre. Enjoy it e bom final de semana.