Volta turbulenta

Apesar de eu amar avião, turbulência em excesso me deixa nervoso. E aeromoças que abandonam o carrinho no meio do corredor, voltam às pressas para a cabine e colocam o cinto de segurança com sorriso amarelo contribui para isso. E este ocorrido foi exatamente no último dos cinco vôos que fizemos neste feriadão.

Na ida, foi tudo perfeito. De Porto Alegre até São Paulo, depois Belo Horizonte. Um dia de compras, chopp e roncos na capital mineira e ônibus para Divinópolis no sábado.

Curtimos muito a família. Mais pra frente eu conto mais sobre eles. Vou me atender a logística, por enquanto.

Na segunda-feira, não haviam ônibus executivos de Divinópolis para BH, um transporte confortável, com ar-condicionado, cafezinho e trajeto direto. Como opção, havia o temido “cata-jeca”, que vai parando ao longo da rodovia, que torna a viagem maçante e permite que figuras ímpares, dignas de figuração de gibis do Chico Bento, possam lhe fazer companhia.

Graças aos céus, meu futuro primo (sim, eu chamo assim o agora noivo da minha prima) precisa ir para a cidade onde trabalha, Sete Lagoas, distante 42km do aeroporto de Confins. E não é que a santa criatura se propôs a nos levar?

Ta certo que erramos o caminho e bateu um pequeno pavor, mas chegamos ainda 90 minutos antes do horário do voo. O aeroporto de Confins é lindo, imenso, espaçoso e subutilizado. Fica a 40 minutos de carro de BH e não possui absolutamente nada em volta, a não ser imagens fantásticas da natureza.

De BH até Sampa, vôo tranqüilo, sanduíche, cerveja e uma bela visão. Já o pouso em Congonhas sempre é tenso, ainda mais dentro de um AIRBUS A320 da TAM com chuviscos. Vencemos. Ainda tinha voos para Curitiba e Porto Alegre.

Com atraso de uma hora, disse pra Ju que ficaríamos presos em Curitiba e provavelmente só voltaríamos de manhã, devido ao adiantado da hora. Quase houve isso.

Pousamos na capital paranaense, desembarcamos e já havia um funcionário da TAM com a plaquinha “Conexão” levantada, e aos gritos indicava o portão ao lado para “Porto Alegre! Porto Alegre! Porto Alegre!”.

Antes de decolar, o piloto avisou que o tempo estava chuvoso por aqui. Durante o voo, as aeromoças serviam o lanche e bebidas quando foram interrompidas por sinal sonoro do piloto. Simplesmente abandonaram o carrinho no corredor e chisparam para a cabine, onde colocaram o cinto nervosamente. Aí veio a mensagem:

– Senhores passageiros, permaneçam sentados, pois vamos enfrentar áreas de instabilidade.

Bah, aí o bicho pegou. A turbulência foi forte, obviamente não ao ponto de causar pânico, mas apreensão, no mínimo. Para piorar, as telas distribuídas entre as poltronas mostravam o mapa entre Curitiba e Porto Alegre com o avião no meio delas, fazendo uma linha reta. Daqui a pouco, começou um desvio para o Oceano Atlântico e continuou até mais ou menos Tramandaí, calculo, para daí sim seguir em direção à capital gaúcha.

Ao meu lado, dormia um anjo que nem sentiu um tremelico sequer e ainda teve a coragem de rir do meu nervosismo ao pousar sob forte chuva no Salgado Filho. Da janela, não se enxergava praticamente nada.

….

Quando embarcamos em Congonhas, nos acomodamos na saída de emergência, lugar amplo e espaçoso. Já estávamos sentados quando chegou um funcionários da TAM com uma tampa na mão, pediu licença, se abaixou e instalou em um buraco que havia na porta de emergência, exatamente ao meu lado.

Ele colocou um parafuso com a mão e tinha espaço para mais outro, mas ele não o tinha. Ê, beleza.

Quando o avião taxiava, não é que a tampa cai? Pensei seriamente em chamar o comissário, afinal, vai que o troço facilita uma despressurização, sei lá. Mas não. Encarei. Resolvi eu mesmo “consertar” e aparar com o pé.

Passada a decolagem, caiu e deixei ali. Nada aconteceu. Tchanã!

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