A bela e a fera

Quem me lê neste momento e é de Porto Alegre conhece a avenida Nilo Peçanha, no bairro Bela Vista. Além de ser o local onde moro, é trajeto obrigatório para o trabalho, neste caso, eu fazia da academia para a agência, nesta sexta-feira chuvosa.

Sem dúvida, o ponto mais crítico da avenida Nilo Peçanha é a rótula que une esta via com a rua Carlos Trein Filho e mais outra, cujo nome não lembro, mas dá acesso ao Supermercado Nacional.

Que trafega em todos os sentidos sofre, ainda mais com chuva, ainda mais nos horários de pico. E foi meu caso, pois dirigia no sentido Iguatemi-Centro. Este trajeto é complicado em especial, pois tem três pistas e forma longas filas em duas delas, já que a terceira, em tese, é apenas para quem vai acessar livremente a Carlos Trein Filho.

Em tese, porque meu texto se baseia nos cretinos-infelizes-filhosdaputa que cortam pela direita, percorrendo toda terceira pista e, no final, querem dar de malandro e acessar a rótula na frente daquelas que pacienciosamente esperaram.

Me considero um justiceiro, pois fico cuidando aqueles que tentam fazer isso e não dou passagem nem a pau. Acho uma grande falta de respeito e filha da putice. É injusto com quem esperou e com quem realmente quer entrar à direita na outra via, pois tranca o trânsito.

E hoje, eu fui desafiado. Após alguns minutos de trânsito lento, a minha vez estava chegando e percebi pelo espelho do lado direito que um carro preto pegou a “via expressa da filhadaputice” e veio com tudo, parando justamente ao meu lado, tentando forçar passagem.

Bah… era tudo que eu queria. Já estava levemente de mau-humor por outros problemas e pensei: “Velho… pegou o cara errado, no dia errado. Não vai levar, não”.

E o carro preto (que era grande, mas não identifiquei o modelo) tentou brecha, buzinou e eu nem tchuns pra ele. Acelerei rente ao carro da frente, pra não chance. Disputamos centímetro a centímetro, como brasileiros e argentinos brigam pela bola em um jogo de futebol.

Perto da rótula, minha vantagem era evidente, estava próximo da vitória. Foi aí que o carro preto fez uma manobra arriscadíssima e tentou bruscamente ganhar a minha frente. Não levou de novo.

Daí veio o inesperado. O vidro do motorista do carro preto foi baixando lentamente e eu pensei: “Ahá! Vou ver o rosto do filho da puta! Agora ele vai ouvir o maior esporro da história! Palhaço!”.

Surgiu então… um rosto angelical, uma menina, loirinha, bem jovem, calculo uns 18 anos no máximo, obviamente com o carro do pai tentando fazer graça no primeiro mês de carteira. E a motorista olhou para mim, ajeitou o cabelo, que era bem liso, tipo macarrão escorrido, respirou fundo e…. sorriu.

sorriso maroto 

Isso. Sorriu. Um sorriso angelical, acompanhado de uma quebradinha de pescoço e movimentos repetidos dos cílios. Ela sorriu forçadamente como uma Lolita sorri para um homem na tentativa de seduzi-lo, utilizando um lado demoníaco disfarçado de angelical. Até beicinho ela fez, do tipo “tio, deixa eu entrar aí, por favor?”.

Diante de um pedido como esse, minha reação foi imediata.

johnny cash fuck you 

Mandei a Lolita tomar no cu, evidentemente. Ah, porra. Vai se catar. Vai chupar prego, ô Lolita. E devolve o carro do pai, vai pedir um cliozinho ou paliozinho que combina melhor.

Não levou, é claro. Mas o débil mental da minha frente deu passagem, ainda abaixou o vidro e fez sinal para ela passar. Só me restou enfiar a mão na buzina. Filho da puta.

3 Respostas to “A bela e a fera”

  1. UAERHIUAERHUIAERHAEHRIHAERIUHEA

    porra. GENIAL. tu não me decepcionou, cara! agora além de ir ao prédio 40 contigo, eu quero também andar de carona contigo. ou vamos montar um esquadrão de justiceiros do trânsito. tou dentro.

    e que risco que a guria assumiu. dá pra dizer um monte de barbaridade pra ela:
    – vai sorrir assim COM A TUA BUCETA!
    – SÓ TE DOU ESSA BRECHA SE TU ME DER A TUA!
    só coisa light da velha escola dos caminhoneiros.

  2. gabriel Says:

    hahahahahahaha

    porra, parece eu no transito, eu não dou abertura pra esses filhos da puta da via expressa.

    e não tenho paciencia com carroças.

    e vai chegar o momento, na minha vida, em que vou ter uma camionete, com um belo quebra-mato reforçado, e vou fazer a limpa no transito de porto alegre.

    mas o meu alvo principal será, sem duvida, os motoqueiros, a pior raça que existe, conseguem ser pior que os argentinos e ciganos no transito.

  3. tatiana Says:

    ridicula as imagens mas adorei a historia

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