O último homem em pé

A última quarta-feira vai ficar gravada na minha memória para sempre. Eu a Ju fomos ao show do Jerry Lee Lewis, ou The Killer como também é conhecido. O cara foi o primeiro roqueiro que usou o piano como instrumento pessoal.

Jerry Lee teve uma carreira perturbada. Era temperamental, de difícil relacionamento, debochado e muito gozador. Quem conviveu com ele, principalmente no início de carreira, relatava que o cara era pirado.

Além de atear fogo no piano em algumas apresentações, The Killer chocou o mundo inteiro ao casar-se com a sua prima de primeiro grau quando ela tinha apenas 13 anos. Dodói.

Nos anos cinqüenta, Jerry Lee Lewis fazia parte do casting de músicos da Sun Records, gravadora de Memphis, nos Estados Unidos. Além dele, Johnny Cash, Carl Perkins e Elvis Presley também eram do selo. E numa tarde, os quatro se reuniram no estúdio e fizeram uma Jam, que mais tarde virou disco, intitulado The Million Dollar Quartet.

Recentemente, lançou um disco chamado “The Last Man Standing”, já que seus três amigos do passado já se foram.

O show desta quarta-feira em Porto Alegre foi peculiar. Por volta de dez horas da noite, uma banda de apoio entrou, tocou quatro ou cinco músicas e, no final de uma delas, Jerry Lee entrou no palco, com um caminhar lento, vestindo uma camisa vermelha de mangas curtas, que contrastava com o preto dos outros músicos.

Aí sim o público levantou de vez. Pessoas de 14 até 80 anos (sim, tinha gente bem antiga lá) ficaram de pé e dançaram durante a pouco mais de meia hora que The Killer ficou no palco.

Foi emocionante observar o que cada um sentia. Certamente, uma pessoa mais velha, que conhecia o artista há um tempo, teve recordações dos seus tempos de juventude e via naquele momento, ao vivo, umas das inspirações de rebeldia e atitude de quem passou pelos anos 50 e 60.

Já os mais novos, deviam pensar: “Pô, esse coroa manda bem”. Jerry Lee, mesmo velho e visivelmente cansado, mostrou que é o cara. Cada toque no piano arrancava ovações da platéia. The Killer toca piano como quem desvenda um enigma complexo de ciência exata, só que faz parecer muito fácil e divertido. E ainda ri disso.

Depois dos seus sucessos “Great Balls of Fire” e “Whole Lotta Shaking”, o cara saiu do palco, novamente a passos lentos, se despedindo do público que vira pela primeira vez, não sem antes fazer uma reverência de gratidão eterna. E pode ter certeza, Jerry… essa gratidão é recíproca.

Posto dois vídeos aqui dele, um mais antigo, calculo que deve ser pelos anos 80, onde ele toca Boogie Woogie Country Man. Jerry Lee Lewis criou um estilo chamado Boogie Woogie, o qual eu recomendo ao meu ombundsman, que preste atenção e aprenda com o tio.

Neste segundo, tem a finaleira da apresentação de Porto Alegre. Enjoy it e bom final de semana.

Uma resposta to “O último homem em pé”

  1. Pena que durou só meia horinha. MAs tadinho, deve ter ido trocar as fraldas ou tomar alguma injeção.

    Tá muito judiado. É sempre bom não abusar das drogas na juventude.😀

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