Arquivo de outubro, 2009

Arrumação me irrita

Posted in O mundo cruel with tags , , , on 28/10/2009 by andreifonseca

Trabalhar em uma sala somente com mulheres é um desafio diário. E hoje passei por uma batalha hercúlea. Minhas colegas de agência decidiram fazer uma arrumação. E, infelizmente, minha mesa não flutua ou pode ser transportada facilmente.

A função começou cedo. Era pressão para que eu empilhasse os papéis, jogasse coisas fora. Porra. Que saco. Não consegui trabalhar. Fora o som de gralhas ao redor. Mulheres em arrumações parecem gralhas. Falam e se movem com uma velocidade de dar inveja a uma Ferrari.

Depois do almoço, eu achei que fossem dar um tempo. Que nada. Fui obrigado a entrar na seita religiosa da organização ambiental de trabalho de todos os santos.

E como principiante nessa seita, fui castigado. Minha principal punição era decidir rápido se os papéis que ficam em cima da minha mesa deveriam ir para o lixo, gaveta ou outro destino qualquer. Menos ficar a mostra. Foi complicadíssimo, pois enquanto eu pensava sobre eles, elas incluíam outros objetos no rol de decisões.

Porra, um libriano não funciona dessa forma. Ele pondera, não é um cara que sai fazendo e acontecendo a la loca. Muita pressão. Outra punição que tive era de cumprir ordens. Furar, parafusar, levantar móveis era o básico.

Por fim, enquanto elas ganharam prateleiras e quadros para escrever, eu fiquei com um banner de passarinhos e corujas em frente a minha mesa.

Homens não estão acostumados a estas faxinas repentinas e vorazes. É torturante. E as mulheres não entendem o significado da expressão “bagunça organizada”. Elas enxergam uma pilha de papéis, enquanto nós vemos um arquivo cuidadosamente administrado e rico em informações.

O sexo oposto não compreende que uma garrafa de água mineral vazia em cima da mesa significa refil, podendo ser novamente utilizada. Para elas, é um item descartável.

Escrever este texto me deu sede e dor de cabeça. Nem água mais eu tenho. Sinto falta da minha garrafinha. E da xícara. Fui proibido de colocar a térmica de café para não manchar a madeira. Não reconheço mais meu ambiente de trabalho. Socorro!

Donas de aluguel

Posted in O mundo cruel with tags , , , on 26/10/2009 by andreifonseca

No caminho para a agência, hoje pela manhã, vi uma cena que chamou minha atenção. Para cortar o caminho da rótula da Nilo Peçanha, descobri um atalho que passa por várias ruas residenciais, repletas de prédios altos, imponentes e muito chiques. Sem dúvida uma das zonas mais caras de Porto Alegre.

Assim que peguei esse atalho, parei em uma esquina para esperar um carro cruzar por mim. Foi quando vi uma moça de uniforme e um cachorrinho de uma raça que não pude identificar. Até porque sou péssimo nisso.

A moça estava com uma roupa azul e um avental branco, além de um chapéu típico de empregada doméstica, nany, tata ou qualquer outro nome carinhoso que esta nobríssima profissão tenha. Ela aparentava ter uns 45 anos.

Caminhava um pouco constrangida, cansada, demonstrando estar sem paciência para cumprir uma rotina que parecia a mesma há um bom tempo. Sua expressão mudava para uma alegria contagiante quando o cachorrinho que a acompanhava surgia correndo com a língua de fora, fazendo festa e demonstrando todo carinho do mundo por aquela pessoa que a libertava da reclusão do apartamento e ainda propiciava ambiente para as necessidades fisiológicas.

O cãozinho tinha uma aparência de “cachorro de dondoca”, bem cuidado, com fitinhas e tal. Mas não parecia refletir arrogância da dona projetada por mim. Pelo contrário. Demonstrava curtir a liberdade na companhia da sua real paixão: a empregada doméstica da família.

Ambos caminhavam, ela a passos lentos, e ele a mil por hora, em círculos, indo e voltando, mas nunca abandonando a sua acompanhante.

Pelo entusiasmo e entrosamento dos dois, tive a petulância de imaginar perfeitamente como era a rotina daquela família. Uma dona que buscava no seu cão a cura pela frustração de descobrir tarde que o dinheiro não traz felicidade. Enquanto o cachorro deveria ser a peste da casa, que curtia invadir a cozinha para ganhar umas sobrinhas divididas com seu real amor.

Também imaginei que assim que o cachorro demonstrasse mais carinho pela empregada, a dona o puniria por ciúmes, puxando-o para o seu lado contra a vontade dos três. Inclusive da empregada, que mesmo insatisfeita com a rotina e situação que vive, retribuía o calor e carinho do animal.

Quantas pessoas passam por isso? Quantos caseiros de sítio? Quantos pais que precisam cuidar do cachorro dos filhos? O carinho canino está a venda ou para a lugar.

Não adianta. O cachorro é um animal que escolhe as pessoas que vai gostar e não tem jeito. Ele é atraído pela real personalidade dos seres humanos. O cachorro não se importa se você é rico, pobre, feliz ou triste. Ele gosta e pronto.

Há pessoas que tem jeito com cachorros e outras não. A Fabi, minha cunhada, é um belo exemplo disso. Pegar um cãozinho na rua, amá-lo e transformá-lo em uma coisa querida é um trabalho árduo. E a Fabi o fez. Duas vezes.

Por mais que ela chegue exausta do trabalho ou das festas à fantasia de São Chico, ela pega os dois e desce para rua, enfrentando frios polares para que eles se divirtam e se aliviem um pouco. Mesmo contrariada, ela se põe no lugar deles e entende que a dupla esperou o dia inteiro por aquele momento. Ela não pode negar.

Minha mãe era contra comprar cachorro. Meses depois, ganhou um filho, pois é exatamente assim que ela trata o Gandhi. Mesmo que ele destrua as roupas, óculos ou qualquer coisa que ela goste.

Pode ser que a minha imaginação tenha ido longe demais. Mas a cena que vi, trouxe esse filme à minha cabeça.

….

Assisti ontem a um dos GRENAIS mais chatos da minha vida. D’Alessandro acabou com o jogo a dois minutos do primeiro tempo. Alecsandro perdeu o gol mais feito da história do Beira-Rio. E o Grêmio não chutou em gol.

E o Victor? Bem… o Victor não é “inVictor”. Mas é um baita goleiro. Mesmo levando 13 gols em sete GRENAIS.

Heineken: ousadia, criatividade e futebol

Posted in Comunicação with tags , , , , on 23/10/2009 by andreifonseca

Um dos motivos que me faz adorar publicidade foi a ação que a Heineken montou em parceria com o jornal Gazzetta Dello Sport, na Itália. Esse tipo de coisa mostra genialidade e ousadia, coisas que infelizmente poucas empresas permitem que as agências façam.

Para dar o devido crédito, li essa notícia no site Brainstorm9. Mas vamos para a história.

O jogo entre Real Madrid e Milan, realizado esta semana, na Espanha, foi um dos mais esperados da UEFA Champions League, o campeonato mais desejado da Europa. Se fãs de futebol aguardavam este encontro, imaginem os destes times.

Pois bem, aio que entra a sacada da Heineken, patrocinadora oficial do torneio. Através de uma dura pesquisa, esposas, amigos e chefes de torcedores do Milan foram convidados para esta pegadinha. Eles tinham que convencer os fãs a irem com eles em um concerto de música clássica. No dia do jogo.

As desculpas eram as mais diversas, sempre colocando os caras numa saia justa. Não adiantava argumentar sobre o jogo, sobre o adversário, o torneio. Quem fazia o convite era orientado a ser irredutível.

Ao chegar no teatro, havia um quarteto de cordas executando música clássica. Um telão passava frases chamando a atenção das pessoas. “Não é difícil dizer não ao chefe?”, “E para a namorada?”, “Como eles poderiam pensar em perder a grande partida?” surgiram no telão arrancando risos tímidos da platéia.

No final, aparecia a assinatura atual da Heineken, “Are you still with us?” (Você continua conosco?), e o quarteto tocou o hino da Champions League. Baaaaahhhh! Adivinhem? O telão passou a exibir o jogo entre Milan e Real Madrid ao vivo. Frenesi total.

Para completar, o time italiano ganhou por 3 a 2 lá no Santiago Bernabeu.

Vejam o vídeo postado pelo Carlos Merigo, do Brainstorm9.

Gracias

Posted in Histórias - A vida foi assim, Mural, O mundo cruel with tags , , on 19/10/2009 by andreifonseca

Obrigado pelos parabéns recebidos por telefone, SMS, carta, e-mail, post, pombo-correio e presencial. Comemorei um aniversário muito louco, onde tomei porre gigante na sexta-feira, me recuperei no sábado, fui babá de cachorro e dos meus pais no domingo e ainda não decidi que lugar fazer a festa.

Comecei a semana cansado e fui surpreendido com uma bomba segunda-feira de manhã, que liquidou meu almoço e minha academia. Foi só chegar para trabalhar que o stress começou. Ainda bem que resolvi. Mas amanhã tem mais.

Mesmo assim, meu balanço de presentes foi um avental de churrasqueiro, uma embalagem de Kit Kat (mestre!), um copo de cerveja (óbvio) e uma mesinha de apoio para a sala. E o melhor de tudo foi um belíssimo bolo surpresa na virada de 16 para 17, idéia de my love. Ah, o Churrasquinho do Chef me deu um espumante.

Mesmo puto da vida, cansado, com fome e a fim de encher a cara em plena segunda, presenteio meus leitores com um vídeo maravilhoso, que mostra exatamente o que não se deve fazer às 10 e pico da manhã, depois da festa.

Tem horas que a saideira é prejudicial à saúde e às prateleiras. Percam 10 minutos da vida de vocês que vale a pena. Mas, crianças, não tentem fazer isso em casa.

É amanhã

Posted in Histórias - A vida foi assim, Músicas, Mural with tags , , , , , on 16/10/2009 by andreifonseca

Amanhã, sábado, dia 17 de outubro de 2009, completarei 27 anos de idade. Sem dúvida, é a data que mais espero no ano. Já escrevi por aqui como é bom fazer aniversário e eu sou do tipo de pessoa que vive intensamente a passagem deste dia.

-bolo_aniversario 

Porém, parece que neste ano, tudo conspira contra. Já tentei fazer inúmeras comemorações e tudo que eu planejo dá errado. Os lugares não têm data, as pessoas não querem, chove, faz sol, tem eclipse… isso sem falar que vou ter que ser babá de cachorro no domingo. É soda. Ainda bem que existe a Ju na minha vida, paciente, companheira e lhoca como eu.

Nesta véspera de aniversário, será um programa mais para o pessoal do trabalho, happy hour e tal. Ainda estou na prospecção de um grande evento. Vamos ver como vai sair.

Amanhã, certamente vou estar de ressaca e fazendo diversas outras coisas, logo não haverá post. Portanto adianto os meus parabéns para mim mesmo e, vocês estão convidados a seguir este exemplo. Quem sabe conseguimos fazer deste post o mais comentado do meu blog. Ei, você aí! Não fica só na leitura não! Comenta! Dá parabéns!

Antecipadamente, agradeço… bah! Valeu! Obrigado pela lembrança.

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….

Conforme prometido, publico o vídeo dos Volleyboys. Ta rolando repercussão. Ouvi dizer que a galera no Farroupilha só fala no show… hehehehe, ta exagerei um pouco. Mas parece que gostaram sim. Que bom. Fico mais feliz ainda.

E tínhamos mais músicas para tocar, mas entre assistir a banda chata e partir para os comes e bebes, o público não pensou duas vezes. Eu faria o mesmo, sem dúvida.

A edição do Vinícius Schwertner. Espero que gostem.

O dia do professor

Posted in Histórias - A vida foi assim with tags , , on 15/10/2009 by andreifonseca

Me sinto um privilegiado por ter pais professores. Não estou menosprezando as outras profissões, pelo contrário. Apenas exaltando a sorte que tive que ter dois mestres em casa que me ensinaram desde Ciências e Matemática até a ser um homem.

Minha mãe costuma me ajudar bastante com os temas quando eu era pequeno. Sentava ao meu lado e agente fazia juntos, ou seja, eu não tinha opção de deixar a lição de lado. Mas, essa moleza durou pouco, que lembro até a 3ª série.

Convivi toda minha infância com termos técnicos de estatísticas, correções de provas e conversas sobre comportamento de alunos. Isso fez com que eu fosse um aluno diferente, pois eu entendia o estresse que os professores passavam. Mas não fui santo.

Acredito que ser professor hoje em dia deve ser bastante complicado. Constantemente se lê na imprensa sobre baixos (e congelados) salários, péssimas condições de trabalhos e violência (física e moral) por parte de alunos. E não há para quem recorrer.

As instituições públicas estão cada vez mais sucateadas e as particulares a mercê do pagamento das mensalidades, fazendo de pais super-protetores acionistas da falta de educação e complacência com o desrespeito das crias. Lamentável.

Li essa semana sobre um professor que foi esfaqueado e morreu e outra educadora que foi agredida e quebrou uma costela. Isso é o absurdo dos absurdos. Agora, nem tanto o céu quanto a terra. Não prego de forma alguma a volta da palmatória, pelamordedeus! Até porque eu seria vítima certamente.

Agora, acredito que o sistema como um todo deva ser revisto. Se alguém deve levantar essa bandeira, sem dúvida deve ser o governo. Ou alguma instituição com muitos cojones e bala na agulha.

Mesmo assim, não acho que seja um quadro caótico. Vivemos do esforço de heróis denominados professores. Parabéns pelo dia de vocês. Um dia pretendo ter a honra de me juntar a essa categoria.

….

A exemplo do que me aconteceu no início do ano, fui convidado pelo professor Vinicius Schwertner para apresentar um número musical ao lado de ex-alunos no Colégio Farroupilha. Foi muito divertido. Ele está fazendo uma edição de imagens e amanhã vou publicar nesse espaço, isto é, se ele acabar a tempo.

Mas já adianto que, com apenas dois ensaios, conseguimos fazer um som bem bacana. É muito bom você ver a platéia se divertindo pacas.

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Melhor ainda, ser muitíssimo bem recebido nesta casa depois de dez anos de formado. Lamento profundamente que na minha época não havia um diretor tão simpático e articulado como o atual. É uma pessoa extremamente educada e me deixou bastante a vontade.

Revi muitos professores da minha época, como o André, o Ronaldo, o Rubens, a Adenir, as professoras de inglês (sorry! I Just forgot the names), entre outros.

Então, amanhã tem o vídeo editado dos Volleyboys, banda fundada em homenagem ao professor Vinícius, que tentou ensinar vôlei para este blogueiro aqui.

Presente perfeito

Posted in Histórias - A vida foi assim with tags , , on 13/10/2009 by andreifonseca

Aposto que, assim como eu quando criança, todo pimpolho odeia ganhar roupa de aniversário. Pô, a gente queria mais era ganhar brinquedo, de preferência aqueles que estavam em destaque na propaganda da Estrela ou da Superfestas.

Mas o tempo passa, as pessoas crescem e mudam os gostos. No Dia dos Namorados, por exemplo, eu ganhei um casaco lindíssimo em Buenos Aires. Todo mundo que nota essa peça em mim comenta como acha bonito. É que a Ju tem bom gosto, fazer o que, né?

Enfim, eu dizia que as pessoas mudam ao longo do tempo. E eu, em algumas coisas, não. Continuo o mesmo. E essa introdução de três parágrafos é para dizer que eu ainda prefiro ganhar brinquedo. Sério. Principalmente jogos de tabuleiro e videogame.

Para minha surpresa, neste dia 12 de outubro, acordei e recebi um pacotão todo colorido no formato de uma caixa, acompanhado de um cartão incrível e de um encantador “Feliz Dia das Crianças, amor’. Bah, que presente.

Abri e me deparei com … Lego! Eu sempre quis ter um Lego e nunca ganhei de presente. Playmobil sim, tinha vários. Comandos em Ação também. Mas Lego, ganhei o meu primeiro quase na véspera de fazer 27 anos. E adorei! Thanks, babe.

….

Minha mãe é a pessoa mais coração mole que eu conheço. Quando pequeno, era muito fácil ganhar um brinquedo. A gente passeava no Shopping Iguatemi e quando chegávamos na frente das Superfestas, dava a velha desculpa. “Vamos entrar só para olhar, mamãe?”.

Pronto. Era começar a correr os olhos pelas prateleiras e a matrona amolecia o coração. Sempre saía de lá com alguma coisa, nem que fosse um ioiô.