Donas de aluguel

No caminho para a agência, hoje pela manhã, vi uma cena que chamou minha atenção. Para cortar o caminho da rótula da Nilo Peçanha, descobri um atalho que passa por várias ruas residenciais, repletas de prédios altos, imponentes e muito chiques. Sem dúvida uma das zonas mais caras de Porto Alegre.

Assim que peguei esse atalho, parei em uma esquina para esperar um carro cruzar por mim. Foi quando vi uma moça de uniforme e um cachorrinho de uma raça que não pude identificar. Até porque sou péssimo nisso.

A moça estava com uma roupa azul e um avental branco, além de um chapéu típico de empregada doméstica, nany, tata ou qualquer outro nome carinhoso que esta nobríssima profissão tenha. Ela aparentava ter uns 45 anos.

Caminhava um pouco constrangida, cansada, demonstrando estar sem paciência para cumprir uma rotina que parecia a mesma há um bom tempo. Sua expressão mudava para uma alegria contagiante quando o cachorrinho que a acompanhava surgia correndo com a língua de fora, fazendo festa e demonstrando todo carinho do mundo por aquela pessoa que a libertava da reclusão do apartamento e ainda propiciava ambiente para as necessidades fisiológicas.

O cãozinho tinha uma aparência de “cachorro de dondoca”, bem cuidado, com fitinhas e tal. Mas não parecia refletir arrogância da dona projetada por mim. Pelo contrário. Demonstrava curtir a liberdade na companhia da sua real paixão: a empregada doméstica da família.

Ambos caminhavam, ela a passos lentos, e ele a mil por hora, em círculos, indo e voltando, mas nunca abandonando a sua acompanhante.

Pelo entusiasmo e entrosamento dos dois, tive a petulância de imaginar perfeitamente como era a rotina daquela família. Uma dona que buscava no seu cão a cura pela frustração de descobrir tarde que o dinheiro não traz felicidade. Enquanto o cachorro deveria ser a peste da casa, que curtia invadir a cozinha para ganhar umas sobrinhas divididas com seu real amor.

Também imaginei que assim que o cachorro demonstrasse mais carinho pela empregada, a dona o puniria por ciúmes, puxando-o para o seu lado contra a vontade dos três. Inclusive da empregada, que mesmo insatisfeita com a rotina e situação que vive, retribuía o calor e carinho do animal.

Quantas pessoas passam por isso? Quantos caseiros de sítio? Quantos pais que precisam cuidar do cachorro dos filhos? O carinho canino está a venda ou para a lugar.

Não adianta. O cachorro é um animal que escolhe as pessoas que vai gostar e não tem jeito. Ele é atraído pela real personalidade dos seres humanos. O cachorro não se importa se você é rico, pobre, feliz ou triste. Ele gosta e pronto.

Há pessoas que tem jeito com cachorros e outras não. A Fabi, minha cunhada, é um belo exemplo disso. Pegar um cãozinho na rua, amá-lo e transformá-lo em uma coisa querida é um trabalho árduo. E a Fabi o fez. Duas vezes.

Por mais que ela chegue exausta do trabalho ou das festas à fantasia de São Chico, ela pega os dois e desce para rua, enfrentando frios polares para que eles se divirtam e se aliviem um pouco. Mesmo contrariada, ela se põe no lugar deles e entende que a dupla esperou o dia inteiro por aquele momento. Ela não pode negar.

Minha mãe era contra comprar cachorro. Meses depois, ganhou um filho, pois é exatamente assim que ela trata o Gandhi. Mesmo que ele destrua as roupas, óculos ou qualquer coisa que ela goste.

Pode ser que a minha imaginação tenha ido longe demais. Mas a cena que vi, trouxe esse filme à minha cabeça.

….

Assisti ontem a um dos GRENAIS mais chatos da minha vida. D’Alessandro acabou com o jogo a dois minutos do primeiro tempo. Alecsandro perdeu o gol mais feito da história do Beira-Rio. E o Grêmio não chutou em gol.

E o Victor? Bem… o Victor não é “inVictor”. Mas é um baita goleiro. Mesmo levando 13 gols em sete GRENAIS.

4 Respostas to “Donas de aluguel”

  1. na verdade, o herrera perdeu o gol mais feito. mas como tu disse, ele nem chutou.

    “Uma dona que buscava no seu cão a cura pela frustração de descobrir tarde que o dinheiro não traz felicidade.”
    sério, achei muito engraçada essa frase. aheiueah

  2. Esquecesse de comentar outro chute que o Grêmio não deu… do penâlti que o juiz não marcou…😉

    Love u, colorado goofy esquecido!

  3. Adorei o texto cunhadooooooo! Realmente, quem ama os animais não consegue negar muita coisa a eles, mesmo q os outros não entendam essa adoração, hehehehe! Topa e Tufa mandam lambidas em agradecimento à menção no blog, slept, slept! Beijão!!!!!!!

  4. ó que meigo (bixa).

    minha mãe também foi contra eu comprar a twiggy (dinheiro mais mal invetsido da minha vida).

    adivinha onde ela tá agora? lá no meio do pai e da mãe, vendo tv. tu acha que ela vem no meu colo quando eu chamo? não, só se eu tiver um bife na mão ou falar “vamos na casa da bisa??” (minha vó ¬¬).

    a minha filha, só me procura pra passear, lamber minha perna pós-creme hidratante ou pra arrumar as chiquinhas.

    eu sou a irmã mais velha, e ela elegeu minha mãe como mãe (líder da matilha na real).

    acho que tenho mais jeito com crianças…

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