Poder dos covardes

Já ouvi de várias pessoas a seguinte frase: “Andrei, você é muito prolixo”. É verdade, síntese é uma coisa que eu tenho dificuldade para fazer. Acho porque sou libriano, que é um eterno indeciso. O que tirar? O que incluir?

Quando eu vou explicar alguma coisa, procuro sempre fazer uma pequena tese, pois temo que ser incisivo magoe. E acreditem: quando eu resolvo atingir o centro do alvo, consigo isso com uma facilidade impressionante.

Um ex-chefe me disse uma vez: “Andrei, teus boletins são muito cumpridos. Como você quer trabalhar em rádio?”. Pois é… trabalhei seis anos. E numa das emissoras, já apresentei um programa de seis horas durante a madrugada. Eu falava o que queria. Também, tinha muito tempo para isso.

Quando mais novo, eu falava demais e tinha imensa dificuldade de ouvir. Facilmente arrumava encrenca ou deixava uma má impressão por querer mostrar que era sabichão. As pessoas começavam a argumentar e eu cortava e saía falando sem parar. Até que um dia, numa acalorada discussão com um amigo meu bem mais velho, ele segurou meu braço e disse aos berros, olhando no meu olho: “Heeeeeey!! Porque tu não escuta antes???”.

Não era a primeira vez que eu ouvia aquilo, mas foi a primeira vez que eu realmente entendi o significado daquela frase. Depois dessa mijada simples e sintética, aprendi a ouvir. E passei a exigir isso também dos meus interlocutores.

O mundo seria mais simples se não houvesse tantos atropelos e cada um respeitasse o seu espaço e tempo. Outros diriam que intrigas são “emocionantes”. Eu prefiro o poder argumentativo do que a pré-histórica disputa de quem fala antes e mais alto. E olha que nessa segunda eu levaria uma ampla vantagem. Quem me conhece, sabe porque.

Talvez esse seja um dos motivos pelo qual eu escolhi ser uma pessoa paciente e ponderada. E, por conseqüência, engolidora de sapos. Várias vezes refleti e cheguei a conclusão que se eu fosse um cara irritado e briguento, minha vida seria mais fácil.

Porém, eu admiro (sem modéstia) a capacidade de diálogo que eu tenho. Se o meu leitor chegou até esta parte do texto, tende a concordar comigo.

Conheci várias pessoas que adoravam brigar e criar problemas. Parece um prazer incrível ver o circo pegar fogo. Essas pessoas te provocam até tu perder a paciência. Quando tu te altera, elas ficam felizes, porque percebem que conseguiram o objetivo delas.

Pior ainda é quando uma pessoa com esse perfil exerce poder sobre outras. Aliás, adoro a frase “você conhece realmente as pessoas quando dá poder a elas”. Fica decretada a unilateralidade. Eu falo, tu escuta e aceita.

É uma ignorância impositiva. E o pior é que quando essas pessoas descobrem as falhas, recorrem sem humildade, como se nada tivesse acontecido.

Querem um exemplo? Eu trabalhei com diversos nomes da imprensa do nosso estado. Fiz muitos amigos mas também houve pessoas que não foram com a minha cara. Normal.

Mas em um caso, trabalhei com o ser humano mais estúpido que conheci em toda minha vida. Posava de tal, sem ser tudo isso. Prepotência é foda. E não era chefe, mas gostava de botar banca. Era amigo do chefe, se portava como o primeiro ministro. Mas para os outros, não passava do bobo da corte.

Ele continua lá, no mesmo lugar que está há 9 anos. E acredito que vai continuar lá. Uma droga de posição. Mas para ele, é como se fosse o David Letterman dos pampas.

Gozar de poder é diferente de gozar de prestígio. Respeito se conquista, jamais se impõe.

Voltei ao blog, meus amigos. E com força total.

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