Escola no interior

Algumas semanas atrás, eu fui acompanhar uma sessão de fotos na região noroeste do estado. Tínhamos que captar imagens de lavouras de milho e trigo prestes a serem colhidas, então fomos para Palmeira das Missões.

Não sei quantos dos que me lêem conhecem, mas Palmeira das Missões fica a mais 300 quilômetros de Porto Alegre, próximo da Argentina. Aqueles que acharem esse post no Google e forem desta simpática cidade não se ofendam com o que vou dizer, é apenas uma figura de linguagem, mas Palmeira não tem nada, fica no meio do nada e é longe para cacete.

Fomos extremamente bem tratados lá pelos contatos do nosso cliente, no hotel (excepcional, por sinal) e nos restaurantes.

Bom, mas a razão deste post é uma reflexão que tive enquanto dirigíamos entre as lavouras. Havíamos pego uma estrada de chão onde rodamos alguns bons quilômetros para achar uma determinada propriedade que tinha uma vasta plantação de milho.

Na volta desta mini viagem, percebi uma criança caminhando no horizonte, saindo de uma casa cercada de hectares e hectares de plantação. Era uma menina, calculo que uns oito anos de idade, com uma mochila nas costas e uma merendeira na mão.

Ela recém havia saído de casa e caminhava calmamente até uma placa com sinal de ônibus a beira da estradinha de chão. Parecia feliz, pronta para mais um dia de aula. Caminhava com entusiasmo, como se havia esperado muito para aquele momento.

Alguém na caminhonete comentou sobre ela, e o motorista, que é de Palmeira, disse que havia muitas crianças como aquela, que seguiam a mesma rotina, se dirigindo para a única escola que havia por lá.

Tem apenas um ônibus que leva para uma escola que fica longe. É a única forma daquelas crianças freqüentarem as aulas e terem a perspectiva de um futuro. Por isso, toda função é um grande evento diário.

Daí, o papo veio para chuva. “Ta, mas e quando chove? E a estrada de barro?”. E o motorista respondeu: “Ah, daí elas não vão a aula, o ônibus não chega”.

Nessa hora eu parei. Opa! Como assim não vão a aula? Quer dizer… simplesmente não tem aula? E o cara confirmou. Putz… não havia pensado ainda como precário é o nosso sistema de ensino no Brasil rural. Eu ali, na caminhonete com ar-condicionado mandando e-mails do BlackBerry e aquela criança aproveitando o dia de sol para ir a aula.

O motorista me disse que as aulas são recuperadas as vezes no sábado, ou com atividades extra-classe, com trabalhos em casa. Fiquei imaginando a decepção dessas crianças, que tinham na escola um grande incentivo para conquistar sucessos na vida. Sem depreciar a vida interiorana, é claro.

Será que essas crianças têm idéia da dimensão do mundo que há aqui fora? Até onde vai essa limitação? Será que elas são felizes? Gostaria de ter registrado a fisionomia dela, mas só fiquei a postos com a câmera do celular para captar a escola.

 

Mais adiante vi outro menino junto ao irmão menor aguardando o mesmo ônibus. Me deu um aperto no peito. Não sei porque, mas fiquei pensando horas sobre aquela rotina.

….

Meu prédio é fantástico. Estou gostando cada vez mais de morar lá. A vista, o aconchego misturado com agitação da Nilo Peçanha, a tranqüilidade, o vizinho que grita a cada gol do Inter. Enfim, são muitas coisas.

Sempre existem avisos sobre reuniões de condomínio e modificações na estrutura do prédio, implementos e tal. Eu nunca vou, confesso que sou relapso e desleixado com isso. Só leio os avisos no elevador, mesmo sabendo que eles ficam expostos por pouco tempo.

E, na semana passada, vi o melhor aviso de todos os tempos da história dos condomínio em Porto Alegre. Vejam por vocês mesmos.

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