Casos de banheiros

Dois casos aconteceram comigo na última semana envolvendo cenas insólitas dentro de banheiros. No primeiro deles, eu estava jantando com a Ju no Outback, do Iguatemi, um dos nossos locais preferidos. Bebemos, comemos e conversamos sobre a vida, contamos piadas, histórias, enfim, nada mais normal para um casal de namorados em uma sexta-feira a noite.

Após a refeição, fui ao banheiro antes de pagarmos a conta. O restaurante estava cheio, havia longas filas de espera. Se ouvia com facilidade vozes mais altas, risadas, gargalhadas, era possível observar mesas com mais de dez pessoas, uma zona.

Ao chegar no corredor que leva ao banheiro, percebi uma fila de meninas estacionadas do lado direito. Deveriam ser umas cinco ou seis, algumas conversavam animadamente, outras mostravam impaciência.

Segui rapidamente pelo lado esquerdo, quando uma das mais exaltadas, de costas para mim, deu passo ao lado, ocasionando uma trombada digna de cartão amarelo. Consegui ainda segurá-la pelo ombro, evitando danos maiores. Sem se virar, ela pediu desculpas, ao que eu respondi “Tudo bem”. Foi aí que ela triplicou: “Oiiii!! Tudo Boooommm!”. Álcool é foda.

Entrei no banheiro e os dois mictórios disponíveis estavam ocupados, sendo liberados quase simultaneamente segundos depois. Me acomodei, abri o zíper, respirei fundo e comecei a sessão alívio.

Lá estava eu, esvaziando o reservatório, sozinho no banheiro, pensando na vida, uma calmaria só… foi aí que a porta abriu abruptamente, entrando um jovem (calculo que 18, 19 anos no máximo), com o famoso cabelo moicaninho e uma camisetinha branca apertada, na tentativa de salientar músculos inexistentes.

A dita criatura entrou no recinto puxando pela mão uma menina (sim, com “a”, não com “o”), que ria em alto e bom som e tentava cobrir a boca com a mão livre. Na hora, eu pensei “Eita! Vai ter fodança na casinha”. Devo ter feito uma cara de espanto (ah, pára, Andrei!?!?), pois o jovem logo justificou aos risos:

– Desculpa, cara… a mina tá muito apertada.

Perplexo e entendendo que se tratava muito mais de molecagem do que necessidade, retruquei:

– Podia ter usado o do shopping, né, filhote?

Constrangido, o moço apenas riu e baixou a cabeça enquanto lavava as mãos. Para completar o grande momento, a moça gritava, intercalando com risos, de dentro da casinha com a porta fechada:

– Não consigo me concentraaaaaaaar! Muhahahahahahaha!!

Ao sair do banheiro, me deparei com dois homens se dirigindo a porta. Imaginei a cena do encontro. Pensei até em voltar… não, não… chega de bizarrices.

….

Nesta segunda-feira, cumpri meu ritual de academia, chegando perto do meio-dia, fazendo o aquecimento na esteira e a série de exercícios em seguida. Evitei um pouco o papo, afinal, tava de cabeça quente por causa do GreNal.

Ao término dos trabalhos, fui até o vestiário, tomar banho e me preparar para algumas entrevistas durante a tarde. Nesta hora, o vestiário estava surpreendentemente vazio, pois o normal é ter fila e disputa pelos dois chuveiros disponíveis. “Opa! Dei sorte”, pensei.

Tranquilamente, peguei o kit higiene, fui até o Box e tomei banho, sem me preocupar na pressão que a galera fica fazendo do lado de fora, dizendo que tem reunião, que ta atrasado e tal.

Ao sair do banho me sequei, coloquei a toalha em cima do banco, que fica virado para porta, e procurava as roupas na mochila quando a fatalidade aconteceu. Do nada, a nova faxineira da academia, uma simpática senhora de mais um menos 1,20 m de altura, entrou com tudo no vestiário, com vassoura, balde e esfregão nas mãos. Nos encaramos, sendo eu totalmente pelado. Não sei de quem foi o maior susto, mas o escândalo maior foi dela.

– AI, MINHANOSSASENHORA!! O QUE É ISSO?!?! DESCULPA MOÇO!!

E saiu porta afora. Rapidamente vesti a cueca, pra evitar novas surpresas. Ledo engano. Não houve surpresas visuais, mas a inocente senhora resolveu vir com uma tese para se justificar, gritando do lado de fora:

– Olha, moço. O senhor me “descurpe”, viu? Achei que não tinha ninguém. Mas também, moço, não é nada que eu não conheça, ta? Hehehe.. o senhor pode ficar tranqüilo… já aconteceu antes. Aliás, o nu hoje é liberado, né? A gente vê nu na praia, nu na TV… tem até praia só de nu, né, moço? Hoje ta valendo tudo…

E seguiu com o discurso até que eu saísse. Evidentemente, os poucos gatos pingados presentes esboçaram risos contidos ao me ver. E a senhora pode, efetivamente, entrar no banheiro e fazer o serviço. De limpeza, é claro.

Ah, antes que eu me esqueça. Tá “descurpada”, viu, moça? Acontece.

Uma resposta to “Casos de banheiros”

  1. “comemos e conversamos sobre a vida, contamos piadas, histórias, enfim, nada mais normal para um casal de namorados em uma sexta-feira a noite.”

    negativo. pesquisas recentes das faculdades universitárias de massachussetts apontaram que esse não é um comportamento normal para um casal de namorados em uma sexta-feira à noite. somente nas quintas. vocês são ETs.

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