A voz que não cala

Desde o dia de ontem, o programa produzido pela RadioBrás, em Brasília, “A Voz do Brasil” voltou a ter a sua obrigatoriedade de veiculação em TODAS emissoras de rádio do Rio Grande do Sul no horário das 19 horas. Em 2006, uma liminar fora concedida, permitindo que veículos a transmitissem em horário alternativo.

O Supremo Tribunal Federal caçou, na semana passada, essa liminar. A decisão vale, porém, para emissoras gaúchas, que poderiam transmiti-la até 24 horas após a sua veiculação original, de acordo com a decisão anterior. As de São Paulo, por exemplo, podem utilizar a faixa das 19 horas ainda livremente.

Voltamos para a década de 30 do século passado, quando há quase 80 anos atrás, o presidente Getúlio Vargas criara este recurso a fim de transmitir suas idéias para um país gigantesco, em época de comunicação precária.

Concordo que naquela época se justificava. Não havia internet, Twitter, celular e tal, então o governo federal deveria ter um mecanismo de comunicação oficial. Escolhera (muito bem) o rádio, maior fonte de informação daqueles tempos. O programa ajudava a combater o caudilhismo no nordeste brasileiro, por exemplo, que dominava os veículos de comunicação.

Hoje, não vejo a mínima necessidade da obrigatoriedade deste recurso, ainda mais em caráter imediato. Emissoras têm programação, contratos publicitários e, sobretudo, audiência e compromisso com ouvintes que a escolhem por esse ou aquele motivo. Abruptamente, foram privados de uma programação que curtiam antes.

A decisão vale até a que o caso seja julgado em última instância. Procurei no site do STF uma notícia sobre a decisão e confesso que não encontrei. Gostaria de ler os argumentos do ministro Celso de Mello.

Respeito e muito o trabalho do STF, embora tenha opiniões divergentes sobre matérias por lá tramitadas e julgadas. A Associação Gaúcha das Emissoras de Rádio (Agert) vai tentar reverter, argumentando que a audiência aumentou em 300 mil ouvintes por minutos no horário antes ocupado por notícias oficiais.

A “Voz do Brasil” tem notícias dos três poderes e eu confesso que quando era obrigatória, ouvia de vez em quando, devido à minha profissão.

Mas eu sou um caso isolado. Perguntem ao grande público o que eles preferem enquanto se dirigem para casa: política ou música/esportes/entretenimento/notícia. Ou simplesmente a liberdade de escolher qualquer um desses, ao invés de ter que ouvir.

Tanto STF quanto Ministério das Comunicações quanto a própria voz do Brasil tem Twitter, site, rádios particulares, etc. Mesmo com emissoras sendo concessões públicas, o público quer ouvir aquilo que gosta. O maior censor é controle remoto e o dial do rádio.

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