Arquivo para fevereiro, 2011

Por cima da massa

Posted in O mundo cruel with tags , , , on 28/02/2011 by andreifonseca

Neste final de semana, Porto Alegre foi palco de um dos maiores atos de crueldade, insensatez e brutalidade que o ser humano é capaz de produzir. Durante uma passeata, um grupo de ciclistas foi atropelado por um motorista, resultando em mais de dez feridos (sorte, pois poderiam haver mais, inclusive com vítimas fatais).

A história é controversa, vou tentar fazer uma análise fria, mas não podemos fugir de alguns fatos. Em primeiro lugar, os ciclistas, pertencentes ao grupo “Massa Crítica”, pedalavam incentivando a troca do carro pela bicicleta, um trânsito melhor, ou seja, uma causa legítima, pacífica e acredito sem possibilidade causar uma guerra nuclear.

Conforme relato dos ciclistas, o dito carro teria tentado furar o bloqueio quando o grupo estava na rua José do Patrocínio. Ocorrera uma discussão entre motorista (que estava com o filho de 15 anos) e os integrantes da passeata. Agora entram as duas versões.

Os ciclistas alegam que reivindicaram o direito de fazer a manifestação e o motorista, inconformado com o bloqueio da via, jogou o carro por cima das pessoas, atirando corpos e bicicletas para cima, produzindo uma cena de horror jamais esperada.

Já o motorista, em depoimento hoje na Polícia Civil, contrapôs dizendo que os ciclistas bateram no vidro do seu carro, inclusive chegando a quebrá-lo. Na tentativa de proteger o seu filho, ele teria tentado desviar e resultou em acertar algumas pessoas. Seu advogado afirmou hoje que “ele quis preservar as vidas”. Convido o leitor à assistir ao vídeo gravado das cenas.

Bem. Minha análise fria agora, como prometido.

Mesmo com provocação e com o vidro quebrado (supostamente), acelerar e atropelar um grupo de pessoas é um ato criminoso e brutal que, na minha opinião, deve ser encarado como tentativa de homicídio doloso. Ao dirigir e tentar desviar do bloqueio (se é que foi essa a intenção), o motorista assumiu os riscos de provocar o acidente.

Outro ponto. O motorista provocou um acidente de trânsito e fugiu do local. Crime previsto no Código Brasileiro de Trânsito. Certamente, o protagonista dessa história também responderá por isso. Isso não me cheira sinal de boa intenção e, sobretudo, de consideração com a vida humana.

Terceira questão. Acelerar um carro com mais de uma tonelada de peso na direção de um grupo de pessoas é um ato de bestialidade e covardia que poucas vezes eu tive notícias. Na China, durante uma passeata, um estudante se postou em frente a um tanque de guerra e conseguiu impedir o avanço de militares para inibir uma passeata.

E se o o motorista que protagoniza esta história fosse o condutor daquele tanque? Qual seria o desfecho da história chinesa? Aliás, fico curioso para saber como foi o psicotécnico deste cidadão ao tirar carteira. Será que tinha a pergunta: “É correto passar por cima de manifestantes quando estes bloquearem a rua?”. Arrisco um palpite de qual teria sido a sua resposta.

Duvido da tese de “não tentar atropelar”. Nem se o cara estivesse dirigindo uma lambreta ele teria como desviar daquelas pessoas. Ou ele acha q eu sou trouxa, ou ele é péssimo de cálculo ou faltou uma desculpa melhor.

Acima de tudo, sorte do grupo que não houve uma vítima fatal. E também do motorista. Afinal, ele pegará uma pena mais branda. Nada comparado à cicatriz eterna deixada na civilidade e na humanidade. Aliás, que péssimo exemplo de um pai para um filho, hein?

Defendo há muito tempo que o sistema penal brasileiro seja mais rígido. Uma atitude como essa mereceria uma sentença que levasse à cadeia por um certo tempo, além de trazer conseqüências educativas, como por exemplo, proibição de dirigir.

Por fim, lamentavelmente, a atitude deste senhor inicia uma mais um capítulo em uma guerra do trânsito. Qualquer desentendimento nas ruas envolvendo bicicletas e automóveis pode gerar uma confusão com tendências para resultados graves.

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Só mais uma consideração. A EPTC (órgão que controla o trânsito em POA) alega que não fora avisada da manifestação, enquanto o grupo afirma que faz a passeata todo mês, e teria sido um descaso do órgão público. Bem, como repórter, cobri diversas manifestações nas ruas e a EPTC sempre fornece apoio. Obviamente, a falta de comunicação não tira sequer 0,0001% da responsabilidade do atropelador. É apenas um registro que faço da importância de comunicar as autoridades sobre este tipo de atividade.

Troca da Guarda

Posted in London Callling with tags , , , , , on 17/02/2011 by andreifonseca

O guia sobre Londres da Folha de São Paulo que eu usei na viagem foi bastante útil, embora tem falhas graves (não cita sequer a existência da Abbey Road, quando mais direcionar o visitante para lá). Logo no início, a publicação faz uma relação de dez coisas que não podem deixar de serem vistas/visitadas. E uma delas é a troca da Guarda no Palácio de Buckingham.

Realmente é imperdível. Um espetáculo simples, mas extremamente organizado. Impressiona pela disciplina, os movimentos sincronizados e os gritos de comando.

Chegamos cedo, cerca de 80 minutos antes, e já havia certa concentração no local. Pessoas tirando fotos e buscando o melhor local, a polícia já cercava a área, isolava as ruas e orientava os visitantes.

Além de vários turistas, é claro, se via muitos “londoners”, mostrando o respeito pela cerimônia e pela monarquia. Com o passar do tempo, o acúmulo de pessoas aumentou bastante e não demorou para se ver ao horizonte uma cavalgada de guardas reais chegando com apoio da polícia local.

Em seguida, veio a banda do exército, tocando músicas militares bastante animadas. Os oficiais organizaram a tropa e houve então o rendimento do grupo que estava de serviço, sendo trocado por novos soldados.

Os movimentos realizados causam espanto pelo treinamento e coordenação, fazendo jus a fama que os guardas reais ingleses possuem sobre concentração e coordenação.

No final da cerimônia, a tropa dispensada marcha em direção ao Hyde Park, ao som da banda dos guardas.

A Ju gravou um vídeo que mostra uma pequena mas divertida parte da cerimônia. Coloquei no Youtube e cho que vocês devem gostar. Perdoem, por favor, o barulho do vento no início, o sol contra-luz e, principalmente, os comentários maldosos do casal.

Dica minha: tire fotos com os policiais locais, é um recordação interessante. O uniforme deles é demais. Pedi com educação e fui prontamente atendido, ainda mais quando disse que era brasileiro.

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Sobre Libertadores

O gol sofrido pelo Inter, ontem, aos 50 minutos do segundo tempo acabou com o meu humor e a minha paciência. Vem cá, hein? Até quando vamos ter um time covarde? Porra, o Internacional é mil vezes maior que o Emelec, não pode temer esse time.

Bolatti estreou bem, marcou muito no meio-campo e fez um belo gol. Leandro Damião tem futuro. Mas precisamos de reforço na defesa. Troco o Lauro pelo Vitor (pode ser?) e o Índio tá muito lento.

Já o imortal tricolor estréia hoje. Chuto que faz 3 a 0. No primeiro tempo.

Aliás, os grupos da dupla GRENAL são os mais fáceis. Ambos tem obrigação de terminar em primeiro.

Sherlock Holmes Museum

Posted in London Callling with tags , , , , on 15/02/2011 by andreifonseca

Sou uma daquelas pessoas que tem orgulho da própria infância. Fui muitos personagens, interpretados em cada brincadeira com entusiasmo, fantasias e tudo mais. E dentre todos os personagens que guiaram minhas peripércias, o destaque maior sempre foi Sherlock Holmes.

Descobri o grande detetive em um curso de inglês que a minha mãe tinha, uma pasta com mais de 20 fitas K7, muitos livrinhos de estudo. Acompanhavam algumas revistinhas de quadrinhos para que o estudante treinasse seus conhecimentos. Uma delas tinha uma capa diferente, onde aparecia um cara alto, com uma roupa esquisita, segurando um revolver.

Obviamente tive imensa dificuldade para ler e entendi pouca coisa, mas as “figuras” me causaram fascínio. Foi aí que começou a minha admiração pelo famoso detetive londrino.

Muitos anos, obras lidas e filmes vistos depois, consegui finalmente visitar o tal famoso endereço dito em todos os livros: 221b Baker Street, a casa de Sherlock Holmes. Parada obrigatória para os fãs de livros policiais.

O local em si é bastante simples, fica em uma área onde já se percebe a importância do museu do detetive, pois a estação de metrô é repleta de imagens de perfil do personagem, isso sem falar na imensa estátua postada na saída do tube.

Em frente ao lugar, fica postado um ator trajado de oficial da Scotland Yard. Ao lado, está disponível uma lojinha com produtos, brindes, jogos, etc. Parte do dinheiro da minha viagem ficou lá, inclusive com uma versão inglesa e com casos diferentes do jogo de solução de casos que aqui no Brasil leva o nome da polícia inglesa.

Ao entrar no museu, o visitante é surpreendido por um simpático (apesar dos poucos dentes) e poliglota Dr Watson, que nos saudou em bom português e explicou sobre os aposentos. Lá, o turista observa, nos três andares de uma casa bem antiga e conservada, uma reconstrução de onde o detetive teria habitado.

Existe a caracterização de diversos casos solucionados por Holmes, inclusive a cabeça do “Cão dos Barkervilles” (meu livro preferido) exposta como troféu. Não tem nada de extraordinário, mas é um momento único de realização para que milhões de fãs de literatura e do detetive.

Para mim, a exposição de algumas cartas é sensacional. Elas têm conteúdo variado, mas me chamaram atenção a de um garoto contando o desaparecimento da família de um vizinho (junto com o presente de aniversário dele) e de um garoto japonês que pede humildemente, em um inglês bem prejudicado, um simples autógrafo. O curioso é que, segundo uma funcionária do museu, são recebidas centenas de cartas por dia de todo mundo, nos mais variados assuntos, mas na maioria, um pedido de ajuda sobre um caso estranho.

Recomendo, mesmo aos que não são interessados em fantasias literárias. É um simples, mas belo passeio.

Londres, enfim

Posted in London Callling with tags , , , on 12/02/2011 by andreifonseca

Para quem está na Europa pela primeira vez, chegar justamente em Londres é um belo impacto e recomendo como obrigação para quem viaja de estréia ao Velho Mundo. Fomos recebidos por um tempo nublado, frio e uma longa fila na imigração do Aeroporto. Eu fiquei mais de 90 minutos esperando e não demorou cinco minutos no guichê de atendimento.

Feito isso, pegamos o Tube do Heathrow até uma intersecção das linhas PIcadilly e Central, pois a segundo é a que nos deixava no hotel. Findo o trajeto, nos acomodamos e partimos para garantir as passagens de trem para Liverpool.

A primeira incursão noturna foi no nosso preferido TGI Friday’s, onde pudemos almoçar/jantar e tomar a primeira cerveja na terra da rainha. Talvez o mais adequado tenha sido ir a um pub tradicional, você pode pensar. Mas fizemos isso no outro dia, e no outro, e no outro, e no outro…

No sábado, começamos a série de visitas por Westminster. Sair da estação e dar de cara com o Big Ben é um puta impacto. O relógio é bem imponente e fica em uma área cercada de prédio oficiais do governo, bem próxima à ponte que leva ao London Eye.

 

Certamente Londres é uma cidade que tem atrações para, pelo menos, um mês contínuo de visitas (e provavelmente ainda faltaria coisa importante para ser vista). Mas, nessa região vimos a mais impressionante de todas as construções da cidade e que já entrei na minha vida: a Abadia de Westminster.

Embora modificada diversas vezes devido à destruição causada pelas guerras e na maioria das vezes por capricho dos monarcas, a Westminster Abbey é uma aula de história e um cenário impressionante e único, pois possui túmulos e câmaras especialmente construídos para os principais reis e rainhas ingleses, além de uma sessão só para músicos, poetas, escritores e inventores. Para que o amigo tenha idéia, estão sepultados lá Charles Darwin e Isaac Newton. Infelizmente, não se pode fotografar na maior parte dela.

Aqui, os monarcas são coroados e ocorreu o velório da Princesa Diana. Admito que fiquei bestificado. Muitas lembrancinhas na saída e depois rumamos para o outro lado da ponte. A fila do London Eye era imensa e desistimos.

A próxima atração foi Churchill’s War Rooms. Próximo ao parlamento, durante a Segunda Guerra Mundial, foi construído um túnel que levava para estes aposentos. Aqui, estratégias eram discutidas e o Primeiro Ministro tinha a possibilidade de dormir com segurança dos bombardeios. Os quartos e salas de reunião foram deixados exatamente como na década de 40, ao final da guerra. Para os amantes de história, um prato cheio.

Ao longo dos dias, possivelmente já no retorno para oi Brasil, vou contar o resto. Tem muito para ser dito e a internet é cara, por isso que aproveito o oferecimento gratuito do wi-fi da Virgin Trains para enviar este texto.