Ogilvy para todos

Bater perna em Londres sem rumo traz surpresas agradáveis. Um dos dias em que a nossa programação de viagem estava destinada às compras, saímos caminhando pela Oxford Street.

Ao entrar em um shopping pequeno, reconheci a logo da Ogilvy (um dos maiores grupos de publicidade do mundo). Era uma sala grande e transparente, com muitas pessoas sentadas em pequenos grupos. Entrei.

Fui logo abordado por um cara simpático. Trocamos uma idéia e ele me explicou do que se tratava. Era o Idea Shop da Ogilvy.

Uma vez por ano durante três dias, um grupo da agência fica à disposição de qualquer pessoa que queira abrir um negócio ou já tenha e necessite de dicas de marketing e publicidade, principalmente voltada para web. Sensacional.

Além de conversar no dia e auxiliar em projetos, a troca de idéias continua por um tempo. E os frutos foram amplamente colhidos pelo movimento, que já está no terceiro ano.

O lugar estava cheio e com pessoas de várias idades, como podem ver na fotos.

No último dia do evento, aconteceu o Idea-a-thon, onde as pessoas, através do Twitter, enviavam briefings para o pessoal da Ogilvy com a #ideashop e ocorriam discussões online sobre os temas. A parada encerrou uma palestra do planner da agência, Hamish Priest. O vídeo pode ser acessado aqui.

….

Ainda nesse dia, por alguma razão, paramos em uma loja pequena, dessas de souvenir.

Olha aqui, verifica o preço dali, não demorou para um atendente me abordar. Conversamos bastante e ele queria saber de onde eu era. Ao dizer “Brazil”, o cara quase deu um salto. Ele simplesmente AMA o povo brasileiro.

Era um menino, calculo que na faixa dos 25 anos. Falou um monte sobre o Brasil, principalmente futebol. Torcedor da Juventus, o cara disse que um brasileiro jogava no time dele (Felipe Mello, para os desavisados). Seguimos na conversa e eu disse que torcia para o Internacional, um clube que aceitava pessoas de todos lugares, raças, nações, etc.

Foi aí que ele me disse que torceria pelo Inter, contanto que não tivessem judeus, pois ele era palestino. Eu sorri e disse que não havia problema, poderiam ter os dois. Mas para ele havia. E muito.

Com lágrima nos olhos, ele contou que a guerra entre judeus e palestinos havia vitimado quase toda família dele, e os sobreviventes foram obrigados a deixar o país. O cara não visita os amigos e parentes há mais de 10 anos e vive sozinho em Londres.

Jamais entraria no mérito de certo ou errado, inclusive me orgulho de ter amigos nos dois lados. Mas admito que o relato desse cara mexeu comigo. A tristeza que ele transpareceu mostrou uma pessoa com esperança de paz, acima do ódio.

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