Arquivo para junho, 2011

Let It Be

Posted in Coisas de Andrei, Músicas with tags , , on 30/06/2011 by andreifonseca

Quando eu comecei a tocar violão, há mais de 10 anos, umas das primeiras músicas que aprendi foi Yellow Submarine, dos Beatles. Bem simples, animada e não tinha pestana. Um prato cheio para quem está aprendendo. Aliás, qualquer pessoa na condição de aprendiz interessado admira quem sabe um pouco mais sobre a matéria em questão, mesmo que a diferença seja mínima.

Um grande amigo me disse uma vez: “qualquer coisa que eu faço ou digo, meu filho adora”. E eu respondi: “cara, veja a responsabilidade que você tem”. E é verdade. Servir de exemplo para uma criança é ter consciência de passar adiante um modelo sadio e benéfico, além de um grande orgulho.

Ao encontro disso, ocorreu o convite do professor Vinícius Schwertner, a quem refiro (com toda justiça) como um exemplo significativo do período que estudei no Colégio Farroupilha. Disse ele, no e-mail: “vai ter um Festival de Talentos para as crianças da 1ª a 4ª série, e a temática é Beatles. Te interessa?”.

Bom, a primeira parte da oração já me agradou de cara, e ainda tendo uma homenagem aos reis do rock… é fome com vontade de comer. Topei na hora.

Retornar ao colégio sempre é bom, tenho a chance de rever pessoas que foram importantes na minha formação pessoal e continuam importantes na minha vida. Sem falar que sempre aprendo voltando ao colégio na condição de convidado. O contato com a educação como um todo é benéfico em todas as instâncias. Isso já ocorreu outras vezes, como o leitor pode ver aqui e aqui.

Sem enrolar muito, o resultado pode ser visto no vídeo feito pelo Vinícius.

Nossa execução de All My Loving ficou bem legal, pena que não posso dizer o mesmo da minha tentativa de tocar Yellow Submarine em português, em uma tradução tosca feita minutos antes da participação.

A energia das crianças é impressionante. Contagiante. Emocionante. Foi ótimo rever as pessoas e vivenciar momentos que ficarão guardados com muito carinho. É gratificante ver a disposição dos pequenos e pequenas para se apresentarem perante os colegas. E louvável a atitude do colégio de incentivar.

Ressalta-se, aqui, o esforço hercúleo do Vinícius, do Paulo, da Carla e da Giane. Sem eles, a gurizada não viajaria em um submarino amarelo vendo a Lucy no céu com diamantes.

Por fim, espero que o seleto público não tenha pensado mal deste tio de barba aqui, e esforçado e prestativo, que tentou levar um pouco de alegria para este festival. Aliás, obrigado a eles por me levarem junto na viagem. Deixei de lado, momentaneamente, as contas a pagar, os problemas, as preocupações.

Obrigado, Vinícius, mais uma vez.

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Eremetismo acadêmico

Posted in Coisas de Andrei, Mural with tags , , on 29/06/2011 by andreifonseca

Apesar de o termo ser forte, ele se refere diretamente a esse que vos escreve. O motivo, porém, foge da misantropia e da religiosidade, embora tenha tons de penitência – nesse caso, necessária.

Dedicar-se ao conhecimento requer sim exclusividade para o tema, principalmente se a pretensão for ambiciosa (e é o caso). Para trás ficou a saturação e a roleta russa de um círculo cujos critérios são altamente duvidosos, maniqueístas e injustos.

Enfim, o eremitismo. Sim, porque é preciso uma dedicação forte para um desafio. Praticamente exclusiva. Sendo assim, o círculo se faz outro, mais restrito, mais vicioso e obviamente mais vazio. Renunciar é preciso.

O foco muda bastante. Não existe espaço para buscar informação em outros campos que antes eram rotineiros. Isso faz falta. Porém, seguramente a maior ausência é a interação. Nesta situação atual, o monólogo ou uma leitura em voz alta são as formas mais freqüentes de quebrar o silêncio.

E a bagunça? Ah, a bagunça. São muitas informações e inúmeras fontes de pesquisa. Como organizar? Noções de arquivologia e Administração Básica, perhaps.

As vezes o trânsito distrai, com uma buzinada mais forte ou uma freada brusca. Há também os intervalos de estudo ou as confissões de concurseiros entre colegas de caverna. “Quem tem a barba maior?”, alguém pergunta. “A banca já foi definida”, afirma outro. Eremitas acadêmicos, enfim.

Fui cobrado diversas vezes pela ausência. Aviso: se justifica. Este texto tem, entre outros  motivos, esta prestação de contas. É isso.

Inclusive, é característica desse período a antisocialidade, afinal os neurônios se ocupam com artigos, parágrafos, conceitos, doutrinas e fóruns, tomando de assaltando e restringindo a entrada de novidades, lembretes de aniversário e histórias do cotidiano que se transformam em divertidos assuntos de mesas de bar.

Fazer dos Direitos Administrativo ou Constitucional juntos com Microeconomia e Código Processual Penal um papo interessante é como dizer que colonoscopia é divertido. Conta outra, bixo.

É verdade que a Ju entende e incentiva isso. Mas sofre. E continua do meu lado.

….

E agora, heinhô Battisti?

Um canetaço do nobre (ex) Presidente Lula em seu último ato constrangeu o Supremo Tribunal Federal, guardião da Carta Magna. Numa votação cheia de embasamentos constitucionais para os dois lados, a maioria dos ministros voltou atrás da primeira decisão e decidiu pela liberação do italiano Cesare Battisti.

A pobre Itália perdeu a orientação da polenta e se voltou contra a decisão brasileira. E com razão. O Brasil alega o princípio constitucional da não-intervenção, mas o chefe de estado anterior “colocou o dedo” na competência exclusiva da Suprema Corte.

O câncer que ataca o sistema imunológico da penalidade no Brasil chegou a Europa. Battisti diz: “grazie, compagno”.