Eremetismo acadêmico

Apesar de o termo ser forte, ele se refere diretamente a esse que vos escreve. O motivo, porém, foge da misantropia e da religiosidade, embora tenha tons de penitência – nesse caso, necessária.

Dedicar-se ao conhecimento requer sim exclusividade para o tema, principalmente se a pretensão for ambiciosa (e é o caso). Para trás ficou a saturação e a roleta russa de um círculo cujos critérios são altamente duvidosos, maniqueístas e injustos.

Enfim, o eremitismo. Sim, porque é preciso uma dedicação forte para um desafio. Praticamente exclusiva. Sendo assim, o círculo se faz outro, mais restrito, mais vicioso e obviamente mais vazio. Renunciar é preciso.

O foco muda bastante. Não existe espaço para buscar informação em outros campos que antes eram rotineiros. Isso faz falta. Porém, seguramente a maior ausência é a interação. Nesta situação atual, o monólogo ou uma leitura em voz alta são as formas mais freqüentes de quebrar o silêncio.

E a bagunça? Ah, a bagunça. São muitas informações e inúmeras fontes de pesquisa. Como organizar? Noções de arquivologia e Administração Básica, perhaps.

As vezes o trânsito distrai, com uma buzinada mais forte ou uma freada brusca. Há também os intervalos de estudo ou as confissões de concurseiros entre colegas de caverna. “Quem tem a barba maior?”, alguém pergunta. “A banca já foi definida”, afirma outro. Eremitas acadêmicos, enfim.

Fui cobrado diversas vezes pela ausência. Aviso: se justifica. Este texto tem, entre outros  motivos, esta prestação de contas. É isso.

Inclusive, é característica desse período a antisocialidade, afinal os neurônios se ocupam com artigos, parágrafos, conceitos, doutrinas e fóruns, tomando de assaltando e restringindo a entrada de novidades, lembretes de aniversário e histórias do cotidiano que se transformam em divertidos assuntos de mesas de bar.

Fazer dos Direitos Administrativo ou Constitucional juntos com Microeconomia e Código Processual Penal um papo interessante é como dizer que colonoscopia é divertido. Conta outra, bixo.

É verdade que a Ju entende e incentiva isso. Mas sofre. E continua do meu lado.

….

E agora, heinhô Battisti?

Um canetaço do nobre (ex) Presidente Lula em seu último ato constrangeu o Supremo Tribunal Federal, guardião da Carta Magna. Numa votação cheia de embasamentos constitucionais para os dois lados, a maioria dos ministros voltou atrás da primeira decisão e decidiu pela liberação do italiano Cesare Battisti.

A pobre Itália perdeu a orientação da polenta e se voltou contra a decisão brasileira. E com razão. O Brasil alega o princípio constitucional da não-intervenção, mas o chefe de estado anterior “colocou o dedo” na competência exclusiva da Suprema Corte.

O câncer que ataca o sistema imunológico da penalidade no Brasil chegou a Europa. Battisti diz: “grazie, compagno”.

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