Arquivo de setembro, 2011

World Trade Center

Posted in Mural on 12/09/2011 by andreifonseca

Dentre as milhares de coisas que eu queria fazer na primeira vez que fui a New York – em 2007, a principal era conhecer o Ground Zero, o espaço onde ficava o complexo do World Trade Center. Como já comentado no post anterior, foi um dos acontecimentos mais impactantes da minha vida.

Não é difícil encontrar, mesmo para um marinheiro de primeira viagem. Lembro que diversas linhas de metrô passavam ali perto, mas a linha azul C, com estação próxima ao albergue onde eu estava, tinha como fim da o próprio World Trade Center. Inclusive, no mapa tinha os dizeres “under construction”.

Ao sair do metrô, o visitante visualiza um enorme e impactante espaço vazio em meio a gigantes de concreto. Do outro lado, há uma igreja centenária, com um pequeno cemitério na frente. A primeira impressão é de que toda aquela área é absurdamente sombria, uma cova a céu aberto onde não há mais corpos ou destroços, mas o peso espiritual da tragédia marcando uma cicatriz invisível e dolorosa.

WTC Path Station - fevereiro 2007

Saint Paul Chapel - fevereiro 2007

A referida Igreja é a Saint Paul Chapel, que serviu de base para bombeiros e policiais nos trabalhos de resgate. Acabou virando um templo de resistência, pois não sofreu dano nenhum, diferente de outros prédios ao redor, que tiveram avarias. As mensagens deixadas por familiares emocionam inevitavelmente.

Distintivos de bombeiros de várias cidades que ajudaram nos resgates

Mensagens de familiares das vítimas

Caminhando ao redor do World Trade Center, era possível perceber os tapumes que proibiam uma visão melhor do visitante. Isso em 2007, depois houve uma mudança. Naquela época não havia memorial ainda, mas apenas fotos expostas em frente do que foi a entrada do WTC. Um exercício interessante é observar os prédios em volta, com andares que variam de 40 a 70. Basta pegar um deles e dobrar o tamanho, movendo o pescoço para trás, tentando visualizar os 110 andares das torres. A imponência do antigo WTC, então imaginária para quem a tragédia na televisão, se torna ainda mais impactante.

Na minha segunda visita, em 2008, já era possível ver um local de homenagens mais organizado. Na rua lateral – Fulton Street, se não me engano – havia um memorial dividido em três momentos: a construção do WTC, os atentados e os projetos de um novo centro financeiro.

WTC Memorial - fevereiro 2008

WTC Memorial - fevereiro 2008

Janela de um dos aviões que atingiram as Torres

Casaco de um bombeiro resgatado sem vida dos escombros - doado pela família

Achei fantástica a idéia das piscinas. Nada mais vivo que água corrente, passando constantemente e quebrando um silêncio compulsório de quem visita aquele lugar. Da mesma forma, o espaço deixado pela queda das torres nunca será preenchido, logo tudo foi construído em volta.

Em 2010 já era possível observar um esboço das obras, tapando o buraco visível das viagens anteriores. O silêncio das pessoas que ali transitavam já não era tão perceptível. A grande cova dava lugar a uma sensação de reconstrução, recomeço. Uma idéia de que a ferida estava cicatrizando.

WTC site - janeiro 2010

Não sei como está hoje, mas o melhor lugar para tirar foto é do segundo andar de um Burger King que fica bem na esquina. É possível ver 50% do buraco e os tapumes não obstruem a vista.

A última visita foi em janeiro de 2010 e observei na televisão que as obras estão bastante adiantadas. Impressionante a vontade de avançar no tempo, sem ignorar a dor eterna de tamanha tragédia.

11 de setembro

Posted in O mundo cruel with tags , , , , on 11/09/2011 by andreifonseca

Durante meus quase 29 anos de vida, três fatos me marcaram profundamente. O primeiro deles, o Impeachment do ex-presidente Collor. Ali comecei a me interessar por política e por jornalismo, as aulas de Moral e Cívica fizeram certo sentido e foi emocionante ver os caras-pintadas protestando nas ruas. O segundo foi o Tetra do Brasil em 94, primeiro grande título que eu comemorei e tive orgulho de ser do país do futebol. E o terceiro foi uma grande tragédia: o dia 11 de setembro de 2001.

Eu estava no bar da FAMECOS, no intervalo da aula, colocando açúcar em um café observando o intervalo da televisão sem volume. Entrou o temido Plantão da Globo, mostrando de cara imagens do World Trade Center em chamas. Enquanto a repórter falava e eu tentava adivinhar o que se passara, o segundo avião atingira a Torre Sul. Percebi naquele momento que o mundo estava mudando e alguma coisa muito séria acontecia e outras estariam para acontecer. Meu celular tocou e fui chamado para o trabalho na rádio imediatamente.

A medida que eu ia entendo o que realmente estava se passando, tomava consciência que estava vivendo o principal período da história mundial depois da queda do muro de Berlim. A maior potência do mundo foi dura e covardemente atacada por um grupo terrorista que usou corpos de inocentes como bombas altamente letais, requintando de crueldade uma ofensiva macabra e que trouxe novos significados para as palavras horror e terror.

Assumo que temi por uma terceira guerra mundial, onde a devastação planetária seria inevitável diante dos personagens envolvidos e o poder bélico disponível. Por sorte, não ocorreu, mas inocentes continuaram sofrendo e morrendo em decorrência de atos atrozes de ambos os lados.

Hoje, o dia conhecido como “11 de setembro” completa dez anos, com o principal criminoso já morto, muitas feridas ainda abertas, famílias em luto constante e uma reconstrução lenta e dolorosa de um símbolo de concreto. Sobre o World Trade Center falarei em especial num outro post. Agora, me atenho às homenagens que vi pela manhã.

Fonte: Site Terra

Impossível não ficar emotivo com relatos dos parentes das vítimas. Tento imaginar o desespero de quem estava nos aviões ou então de quem ficou em alguns dos andares acima de onde eles bateram. Sem esquecer das vítimas do Pentagon e dos passageiros que derrubaram o vôo United 93.

Ver os pais e filhos que ficaram tocando delicadamente o monumento de bronze com o nome das vítimas que cerca as duas piscinas colocadas nos lugares dos prédios é de cortar o coração. O silêncio ensurdecedor dos minutos de homenagem, o rosto de quem acompanha a cerimônia remetem a uma dor eterna.

Fonte: Site Terra

Em um programa sobre o 11 de setembro, vi o filho de uma vítima dizendo: “toda vez que a televisão mostra o momento do choque do avião nas Torres, eu vejo meu pai morrendo”. Não consigo sequer imaginar 1% do sofrimento que esta pessoa passa.

Aqueles que viveram o dia e hoje relembram como viram o que sentiram certamente guardam histórias de medo e angústia, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância. Dificilmente – e tomara que não aconteça – viveremos um momento tão duro e cruel em breve.