Archive for the Comunicação Category

Ogilvy para todos

Posted in Comunicação, London Callling with tags , , , , on 18/03/2011 by andreifonseca

Bater perna em Londres sem rumo traz surpresas agradáveis. Um dos dias em que a nossa programação de viagem estava destinada às compras, saímos caminhando pela Oxford Street.

Ao entrar em um shopping pequeno, reconheci a logo da Ogilvy (um dos maiores grupos de publicidade do mundo). Era uma sala grande e transparente, com muitas pessoas sentadas em pequenos grupos. Entrei.

Fui logo abordado por um cara simpático. Trocamos uma idéia e ele me explicou do que se tratava. Era o Idea Shop da Ogilvy.

Uma vez por ano durante três dias, um grupo da agência fica à disposição de qualquer pessoa que queira abrir um negócio ou já tenha e necessite de dicas de marketing e publicidade, principalmente voltada para web. Sensacional.

Além de conversar no dia e auxiliar em projetos, a troca de idéias continua por um tempo. E os frutos foram amplamente colhidos pelo movimento, que já está no terceiro ano.

O lugar estava cheio e com pessoas de várias idades, como podem ver na fotos.

No último dia do evento, aconteceu o Idea-a-thon, onde as pessoas, através do Twitter, enviavam briefings para o pessoal da Ogilvy com a #ideashop e ocorriam discussões online sobre os temas. A parada encerrou uma palestra do planner da agência, Hamish Priest. O vídeo pode ser acessado aqui.

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Ainda nesse dia, por alguma razão, paramos em uma loja pequena, dessas de souvenir.

Olha aqui, verifica o preço dali, não demorou para um atendente me abordar. Conversamos bastante e ele queria saber de onde eu era. Ao dizer “Brazil”, o cara quase deu um salto. Ele simplesmente AMA o povo brasileiro.

Era um menino, calculo que na faixa dos 25 anos. Falou um monte sobre o Brasil, principalmente futebol. Torcedor da Juventus, o cara disse que um brasileiro jogava no time dele (Felipe Mello, para os desavisados). Seguimos na conversa e eu disse que torcia para o Internacional, um clube que aceitava pessoas de todos lugares, raças, nações, etc.

Foi aí que ele me disse que torceria pelo Inter, contanto que não tivessem judeus, pois ele era palestino. Eu sorri e disse que não havia problema, poderiam ter os dois. Mas para ele havia. E muito.

Com lágrima nos olhos, ele contou que a guerra entre judeus e palestinos havia vitimado quase toda família dele, e os sobreviventes foram obrigados a deixar o país. O cara não visita os amigos e parentes há mais de 10 anos e vive sozinho em Londres.

Jamais entraria no mérito de certo ou errado, inclusive me orgulho de ter amigos nos dois lados. Mas admito que o relato desse cara mexeu comigo. A tristeza que ele transpareceu mostrou uma pessoa com esperança de paz, acima do ódio.

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Nudez portenha

Posted in Comunicação, Copa do Mundo 2010 with tags , , , , on 27/05/2010 by andreifonseca

E assim disse o poeta Maradona: “Se a Argentina for campeã, vou correr pelado em volta do Obelisco”. Eita, nóis! Don Diego vai fazer bundalelê em Buenos Aires. Cara, juro… consigo imaginar a cena. E não tem nada de bonito. Lega foi o comentário do pessoal da Globo ao dar a notícia: “E olha que vai estar frio quando a Copa terminar”.

Além de prometer nudez em frente ao maior monumento na capital argentina, Maradona foi mais além, com o intuito de deixar jogadores a vontade. El comandante liberou sexo, vinho e churrasco durante a concentração na África do Sul. Mas vem cá… qual é a dele, hein? Alguém me explica?

Pô, o cara vai deixar os comandados comerem, bederem e comerem de novo. A Argentina será a seleção mais ousada na Copa, sem dúvida. Pelo menos no hotel. Ah, e com relação ao sexo, deve ser com “uma pessoa conhecida”.

Ah, sem esquecer dos seis videogames (até aí tudo bem) e os vasos sanitários de R$ 2 mil cada também requisitados. Pudera, com toda aquela fartura liberada, tem que se preocupar na hora de “liberar” mesmo. Rá!

Bem, com este post, inauguro a sessão Copa do Mundo 2010. Serão palpites, notícias, comentários… aguardem!

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Ozzymania

Se tem um cara que eu admiro pela história de vida e pela música, esse cara é Ozzy Osborne . Ele é foda. Único. Teve o grande prazer de vê-lo ao vivo em 2008, num show inesquecível, em São Paulo. Muito bom mesmo.

E agora, para fazer o lançamento do seu novo disco, Scream, ele resolveu se disfarçar do seu próprio boneco de cera, no museu Madame Tussauds, em New York.

Genial. O resultado foi esse aqui.

Azar o meu que, quando estive lá, não rolou.

Idiotices da vida

Posted in Comunicação, Mural, O mundo cruel with tags , , on 27/05/2010 by andreifonseca

Cenas de idiotices são comuns e tenho certeza que todos que me lêem (assim como eu) já as presenciaram ou cometeram. Pois bem, hoje vi uma ótima.

Estava no supermercado apenas para pegar o essencial da semana, pois eu havia esquecido a lista na geladeira mais uma vez (idiotice número 1). Mas, dessa vez, não cometi uma idiotice comum de quem está com pressa: entrar no supermercado para comprar um ou dois produtos e, para matar tempo, não pegar carrinho.

Atenção: é uma completa idiotice ir ao supermercado e não pegar sequer um cestinho. Vai dar merda certo. Você nunca, mas nunca mesmo, vai pegar somente aquilo que você imagina. Sempre entram coisas a mais. É a magia do supermercado.

Embora eu estivesse com pressa, não caí neste truque. Infelizmente um senhor baixinho que eu encontrei no corredor dos molhos não pensou como eu. Assim que ele chegou, já senti o drama.

O cara tinha um saco de pão, manteiga, queijo, mortadela e uma bandeja de bife numa mão, e na outra detergente, sabão em pó e uma Coca dois litros. Sim, era possível, por mais que parece inimaginável.

Acredito que aquele corredor era a última parada, pois ele caminhava rápido em direção ao caixa. Foi aí que parou junto aos potes de molho de tomate. E escolheu exatamente aquele maior de todos.

Com as duas mãos e braços ocupados, nosso herói começou a estudar como pegar o pote sem deixar nada cair ou muitos menos soltar algum produto. Rápidos segundos foram necessários para que ele, com a mão direita, segurando a caixa de sabão em pó, tentasse “abraçar” o pote de molho de tomate.

Rapidamente, percebi que a expressão dele mudou… o que era esforço se transformou em pânico imediato, quando ele recuou apressadamente. PAF! Aquele barulho seco de vidro quebrando ao bater no chão.

Estava feita a merda. O bocó ficou olhando a idiotice que acabara de fazer, com uma perfeita cara de… de… bocó! Impressionante. Era a crônica da morte anunciada.

Chegou um funcionário, viu a cena, e imediatamente entregou ao homem… um cestinho! Que constrangido e agradecido, colocou as suas coisas, pegou outro pote de molho de tomate e se dirigiu ao caixa.

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Sabe, tenho escutado A Voz do Brasil. Ouvi todas manifestações sobre a lei da ficha limpa, aprovada na semana passada. Sem dúvida, um dos atos mais importantes deste ano, caso não fique prejudicada na questão de tempo verbal da redação.

Realmente é um programa que traz aos brasileiros informações imprescindíveis, mas minha bronca é com a obrigatoriedade, pois não há outra opção de noticiário ou entretenimento. E só aqui no Rio Grande do Sul.

Por enquanto, os gaúchos devem se contentar com manchetes como a citada acima ou então com essa que ouvi na semana passada, que abriu o programa. “Servidores públicos travestis e transexuais podem adotar nome fantasia no crachá de identificação”.

Agora sim. Aquele que antes era Paulo ou João pode virar Cláudia ou Betina. Nada mais justo. Porém, tem que ter o nome social ou fantasia na parte da frente do crachá e o nome de bastimo na parte de trás.

Minha pergunta fica: e o banheiro, pode usar o feminino? Ou tem que ser o masculino? #comofaz? #alguémsabe? Sugestão de pauta para a @vozdobrasil.

A voz que não cala

Posted in Comunicação with tags , , on 18/05/2010 by andreifonseca

Desde o dia de ontem, o programa produzido pela RadioBrás, em Brasília, “A Voz do Brasil” voltou a ter a sua obrigatoriedade de veiculação em TODAS emissoras de rádio do Rio Grande do Sul no horário das 19 horas. Em 2006, uma liminar fora concedida, permitindo que veículos a transmitissem em horário alternativo.

O Supremo Tribunal Federal caçou, na semana passada, essa liminar. A decisão vale, porém, para emissoras gaúchas, que poderiam transmiti-la até 24 horas após a sua veiculação original, de acordo com a decisão anterior. As de São Paulo, por exemplo, podem utilizar a faixa das 19 horas ainda livremente.

Voltamos para a década de 30 do século passado, quando há quase 80 anos atrás, o presidente Getúlio Vargas criara este recurso a fim de transmitir suas idéias para um país gigantesco, em época de comunicação precária.

Concordo que naquela época se justificava. Não havia internet, Twitter, celular e tal, então o governo federal deveria ter um mecanismo de comunicação oficial. Escolhera (muito bem) o rádio, maior fonte de informação daqueles tempos. O programa ajudava a combater o caudilhismo no nordeste brasileiro, por exemplo, que dominava os veículos de comunicação.

Hoje, não vejo a mínima necessidade da obrigatoriedade deste recurso, ainda mais em caráter imediato. Emissoras têm programação, contratos publicitários e, sobretudo, audiência e compromisso com ouvintes que a escolhem por esse ou aquele motivo. Abruptamente, foram privados de uma programação que curtiam antes.

A decisão vale até a que o caso seja julgado em última instância. Procurei no site do STF uma notícia sobre a decisão e confesso que não encontrei. Gostaria de ler os argumentos do ministro Celso de Mello.

Respeito e muito o trabalho do STF, embora tenha opiniões divergentes sobre matérias por lá tramitadas e julgadas. A Associação Gaúcha das Emissoras de Rádio (Agert) vai tentar reverter, argumentando que a audiência aumentou em 300 mil ouvintes por minutos no horário antes ocupado por notícias oficiais.

A “Voz do Brasil” tem notícias dos três poderes e eu confesso que quando era obrigatória, ouvia de vez em quando, devido à minha profissão.

Mas eu sou um caso isolado. Perguntem ao grande público o que eles preferem enquanto se dirigem para casa: política ou música/esportes/entretenimento/notícia. Ou simplesmente a liberdade de escolher qualquer um desses, ao invés de ter que ouvir.

Tanto STF quanto Ministério das Comunicações quanto a própria voz do Brasil tem Twitter, site, rádios particulares, etc. Mesmo com emissoras sendo concessões públicas, o público quer ouvir aquilo que gosta. O maior censor é controle remoto e o dial do rádio.

A utilidade de um idiota

Posted in Comunicação with tags , , on 10/05/2010 by andreifonseca

Sou um grande fã de flash mobs (para os desavisados, aqueles movimentos repentinos combinados via internet). Já houve uma febre maior em cima disso, mas agora os criativos e planejadores de agencias descobriram que pode ser usado na propaganda.

A idéia trouxe excelentes frutos, e é isso que me dá tesão de continuar nessa área. O maior exemplo que vi disso, foi ano passado, na Trafalgar Square, em Londres. A T-Mobile promoveu um karaokê com mais de mil pessoas, que cantaram a música Hey, Jude. Lindo. Chorei quando vi.

O que mais chama a atenção é o divertimento das pessoas, algo impossível de ser mensurado. Eles vão lembrar disso para o resto da vida. Aí um jacu me perguntaria. Mas Andrei, e como a T-Mobile ganhou com isso?

Simples, eu respondo. As pessoas que compareceram receberam uma sms da operadora no dia anterior os convocando para estar lá, tal hora. O leitor acha que essas pessoas se sentiram como, ao participar disso? E ainda ver no Youtube depois? Assistam e me digam.

Além disso, houve outro em Londres, no Piccadilly Circus, promovido pela Trident Unwrapped, onde 100 moças solteiras, ao som de um apito, começam a dançar Singles Ladies. AO término da música, pegam seus casacos e se mandam.

Porém, nem tudo são flores. Dentro de bons exemplos, também há os ruins.

Sem dúvida, é o caso relatado no vídeo abaixo, no qual eu tive ataques de riso incontroláveis ao ver a comovente trajetória de um infeliz que tentou participar de um flash mob, sem saber a coreografia. O mais interessante é que não notou que o número par de pessoas tinha um fundamento.

Pô, os caras ensaiam durante meses e vem um desocupado e faz uma merda. Foda.

Luis Carlos Alborghetti (2009)

Posted in Comunicação, Histórias do Microfone with tags , , , , on 09/12/2009 by andreifonseca

Neste dia 9 de dezembro, o jornalismo brasileiro perdeu um de seus mestres e ícones. Faleceu Luis Carlos Alborghetti, 64 anos, de câncer do pulmão, na sua residência, em Curitiba, no Paraná.

Alborghetti era um cara fantástico. Ficou conhecido pela sua irreverência, opiniões fortes e por não medir palavras na hora de expressá-las. Apresentou o programa Cadeia Nacional, na rede CNT, em que, com um cacetete na mão, mostrava matérias sobre crimes e pedia “cadeia” aos responsáveis. Um estilo que fez escola, revelando, por exemplo, o apresentador Carlos Massa (o Ratinho), repórter de Alborghetti no início da carreira.

Eu admiro MUITO o Alborghetti. Já postei vídeos dele aqui, sou fã do seu tom áspero e de sua sinceridade. Mesmo aos berros e com palavrões, Alborghetti era um pregador da moral política e social, sendo um revoltado contra a leviandade e flexibilidade das leis criminais brasileiras.

O jornalismo brasileiro fica órfão de um cara que sempre essência, nunca se vendeu para “o sistema”, inclusive preterido em contratos e propostas devido à sua postura. Gostaria de tê-lo conhecido pessoalmente, pois teria sido um prazer ter apertado a mão dele e dizer que sou um grande e ele me influenciou muito.

Alborghetti aliava indignação com humor, sem cair no escracho. Com sinceridade, ele expressava consternação sobre os problemas do dia a dia, com foco maior na segurança pública. E dá-lhe porrada na mesa! Fora a toalha no ombro, que ele usava para secar o suor.

Vai com Deus, Alborghetti. Descanse em paz. Que tenhamos em breve um guerreiro como você para defender o óbvio, constantemente esquecido pelas autoridades.

Minha homenagem se encerra com vídeos dele, alguns dos meus preferidos.

Heineken: ousadia, criatividade e futebol

Posted in Comunicação with tags , , , , on 23/10/2009 by andreifonseca

Um dos motivos que me faz adorar publicidade foi a ação que a Heineken montou em parceria com o jornal Gazzetta Dello Sport, na Itália. Esse tipo de coisa mostra genialidade e ousadia, coisas que infelizmente poucas empresas permitem que as agências façam.

Para dar o devido crédito, li essa notícia no site Brainstorm9. Mas vamos para a história.

O jogo entre Real Madrid e Milan, realizado esta semana, na Espanha, foi um dos mais esperados da UEFA Champions League, o campeonato mais desejado da Europa. Se fãs de futebol aguardavam este encontro, imaginem os destes times.

Pois bem, aio que entra a sacada da Heineken, patrocinadora oficial do torneio. Através de uma dura pesquisa, esposas, amigos e chefes de torcedores do Milan foram convidados para esta pegadinha. Eles tinham que convencer os fãs a irem com eles em um concerto de música clássica. No dia do jogo.

As desculpas eram as mais diversas, sempre colocando os caras numa saia justa. Não adiantava argumentar sobre o jogo, sobre o adversário, o torneio. Quem fazia o convite era orientado a ser irredutível.

Ao chegar no teatro, havia um quarteto de cordas executando música clássica. Um telão passava frases chamando a atenção das pessoas. “Não é difícil dizer não ao chefe?”, “E para a namorada?”, “Como eles poderiam pensar em perder a grande partida?” surgiram no telão arrancando risos tímidos da platéia.

No final, aparecia a assinatura atual da Heineken, “Are you still with us?” (Você continua conosco?), e o quarteto tocou o hino da Champions League. Baaaaahhhh! Adivinhem? O telão passou a exibir o jogo entre Milan e Real Madrid ao vivo. Frenesi total.

Para completar, o time italiano ganhou por 3 a 2 lá no Santiago Bernabeu.

Vejam o vídeo postado pelo Carlos Merigo, do Brainstorm9.