Eremetismo acadêmico

Posted in Coisas de Andrei, Mural with tags , , on 29/06/2011 by andreifonseca

Apesar de o termo ser forte, ele se refere diretamente a esse que vos escreve. O motivo, porém, foge da misantropia e da religiosidade, embora tenha tons de penitência – nesse caso, necessária.

Dedicar-se ao conhecimento requer sim exclusividade para o tema, principalmente se a pretensão for ambiciosa (e é o caso). Para trás ficou a saturação e a roleta russa de um círculo cujos critérios são altamente duvidosos, maniqueístas e injustos.

Enfim, o eremitismo. Sim, porque é preciso uma dedicação forte para um desafio. Praticamente exclusiva. Sendo assim, o círculo se faz outro, mais restrito, mais vicioso e obviamente mais vazio. Renunciar é preciso.

O foco muda bastante. Não existe espaço para buscar informação em outros campos que antes eram rotineiros. Isso faz falta. Porém, seguramente a maior ausência é a interação. Nesta situação atual, o monólogo ou uma leitura em voz alta são as formas mais freqüentes de quebrar o silêncio.

E a bagunça? Ah, a bagunça. São muitas informações e inúmeras fontes de pesquisa. Como organizar? Noções de arquivologia e Administração Básica, perhaps.

As vezes o trânsito distrai, com uma buzinada mais forte ou uma freada brusca. Há também os intervalos de estudo ou as confissões de concurseiros entre colegas de caverna. “Quem tem a barba maior?”, alguém pergunta. “A banca já foi definida”, afirma outro. Eremitas acadêmicos, enfim.

Fui cobrado diversas vezes pela ausência. Aviso: se justifica. Este texto tem, entre outros  motivos, esta prestação de contas. É isso.

Inclusive, é característica desse período a antisocialidade, afinal os neurônios se ocupam com artigos, parágrafos, conceitos, doutrinas e fóruns, tomando de assaltando e restringindo a entrada de novidades, lembretes de aniversário e histórias do cotidiano que se transformam em divertidos assuntos de mesas de bar.

Fazer dos Direitos Administrativo ou Constitucional juntos com Microeconomia e Código Processual Penal um papo interessante é como dizer que colonoscopia é divertido. Conta outra, bixo.

É verdade que a Ju entende e incentiva isso. Mas sofre. E continua do meu lado.

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E agora, heinhô Battisti?

Um canetaço do nobre (ex) Presidente Lula em seu último ato constrangeu o Supremo Tribunal Federal, guardião da Carta Magna. Numa votação cheia de embasamentos constitucionais para os dois lados, a maioria dos ministros voltou atrás da primeira decisão e decidiu pela liberação do italiano Cesare Battisti.

A pobre Itália perdeu a orientação da polenta e se voltou contra a decisão brasileira. E com razão. O Brasil alega o princípio constitucional da não-intervenção, mas o chefe de estado anterior “colocou o dedo” na competência exclusiva da Suprema Corte.

O câncer que ataca o sistema imunológico da penalidade no Brasil chegou a Europa. Battisti diz: “grazie, compagno”.

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When the Reds Go Marchin in

Posted in London Callling with tags , , , , , , , , on 30/03/2011 by andreifonseca

Eu sou um cara de muitos clubes de futebol, tenho praticamente um em cada cidade, país ou região. Mas cabe ressaltar o seguinte: eles não tiram em momento nenhum a preferência pelo Internacional. Esse sim é meu clube. Mas, ao contrário da minha vida amorosa, consigo dividir meu coração no futebol em várias partes. E dentre os gomos da laranja, na Inglaterra, existe o destinado ao Liverpool FC.

Claro que com a nossa viagem para a terra dos Beatles agendada, era fundamental visitar o Anfield, e assistir aos Reds. Para isso, era necessário planejamento, dinheiro e, acima de tudo, sorte.

Sim, porque conseguir ingresso para a Premier League é muito complicado (como diria um ex-chefe meu). Para quem não mora no Reino Unido e não é sócio do clube em questão, tem que esperar em uma longa fila até chegar a sua vez de tentar conseguir alguma coisa, se sobrar. E no meu caso, deu certo.

Com a garantia de assistir ao jogo, ficou mais fácil, pudemos aproveitar a cidade e viajar tranqüilos. Visitamos todos pontos turísticos relativos ao Beatles (quase 90% de Liverpool), mas isso é um assunto para outro post. Agora é a vez dos Reds.

 

Anfield ao fundo

O Liverpool FC, que joga de vermelho, é um dos clubes mais tradicionais do mundo. Fundado em 1892, rivaliza com o Everton FC, que joga de azul, o outro time da cidade. Ganhou diversos títulos, dentre eles a Liga dos Campeões da Europa (cinco vezes) e o campeonato inglês (dezoito vezes).

Para mim, o ponto mais marcante é a torcida, principalmente um grupo de fãs (relativo às organizadas) que ocupam o canto do estádio conhecido como “Kop”. O Liverpool tem uma música tradicional que emociona demais: You Will Never Walk Alone. É o hino do clube praticamente. Quando o time entra em campo ou está em vias de ganhar um jogo, a torcida entoa essa canção. Postei um vídeo aqui para o amigo ter um tempero de como é.

Bem, já foi possível sentir o tamanho do amor ao Liverpool logo na chegada à cidade. Tem produtos do clube por tudo, até na loja dos Beatles. No domingo, dia do jogo, fomos tomar café no hotel e o restaurante estava cheio de torcedores do Liverpool que vieram de outras cidades. Fardados, falavam alto e se preparavam para o jogo com o tradicional british breakfast. Depois, fardamos e rumamos para o Anfield.

The Kop

Aliás, o estádio, que já foi do Everton, é um verdadeiro templo. Imponente, bonito, fica em uma parte totalmente residencial da cidade, é um gigante cercado de pequenas casas antigas. Está bem defasado, tem mais de cem anos (tanto que o time vai ganhar um novo). Mas tem toda uma mística em relação ao Anfield. Os jogadores e torcedores consideram inadmissível um insucesso ali. Tem um cartaz no caminho do campo que diz “This is Anfield”, como quem diz “aqui é nossa casa e quem manda somos nós”.

Chegamos rapidamente de taxi, deve ter custado £8, e demorado uns 10 ou 12 minutos. De cara fomos ao bar em frente ao estádio, o local onde os antigos hooligans se reuniam. O pub estava completamente lotado, quase impossível se mexer, quanto mais chegar ao balcão. Ficamos dez minutos, o tempo de conseguir uma cerveja e ir para a parte dos fundos, onde os fãs fumam cigarro a vontade e fazem xixi em latões de lixo (sem que a polícia veja, é claro).

Curiosos, entramos faltando um certo tempo para o jogo. É possível tomar cerveja até a boca do túnel para as arquibancadas. Depois dali, necas. Nosso lugar, como podem ver nas fotos, tinha um poste na frente, já que era a parte mais antiga do estádio. Mesmo assim, estava ok.

O Liverpool, jogando bastante desfalcado, enfrentava o Wigan, um time sem muita fama. Logo quando os times entraram em campo, tocou You’ll Never Walk Alone para delírio da torcida. Admito que foi uma emoção fortíssima, cantei junto e pude perceber a paixão dos locais pelo seu time. Um orgulho centenário, que felizmente presenciei e partilhei do mesmo sentimento.

Com a bola rolando, a coisa não foi muito boa. O Liverpool, ainda de ressaca de ter vencido o Chelsea fora de casa, empatou em 1 a 1 com Wigan, mas tive uma experiência fantástica. Os Reds podem contar com o apoio deste fã de longe, pois o Liverpool will never walk alone.

Ogilvy para todos

Posted in Comunicação, London Callling with tags , , , , on 18/03/2011 by andreifonseca

Bater perna em Londres sem rumo traz surpresas agradáveis. Um dos dias em que a nossa programação de viagem estava destinada às compras, saímos caminhando pela Oxford Street.

Ao entrar em um shopping pequeno, reconheci a logo da Ogilvy (um dos maiores grupos de publicidade do mundo). Era uma sala grande e transparente, com muitas pessoas sentadas em pequenos grupos. Entrei.

Fui logo abordado por um cara simpático. Trocamos uma idéia e ele me explicou do que se tratava. Era o Idea Shop da Ogilvy.

Uma vez por ano durante três dias, um grupo da agência fica à disposição de qualquer pessoa que queira abrir um negócio ou já tenha e necessite de dicas de marketing e publicidade, principalmente voltada para web. Sensacional.

Além de conversar no dia e auxiliar em projetos, a troca de idéias continua por um tempo. E os frutos foram amplamente colhidos pelo movimento, que já está no terceiro ano.

O lugar estava cheio e com pessoas de várias idades, como podem ver na fotos.

No último dia do evento, aconteceu o Idea-a-thon, onde as pessoas, através do Twitter, enviavam briefings para o pessoal da Ogilvy com a #ideashop e ocorriam discussões online sobre os temas. A parada encerrou uma palestra do planner da agência, Hamish Priest. O vídeo pode ser acessado aqui.

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Ainda nesse dia, por alguma razão, paramos em uma loja pequena, dessas de souvenir.

Olha aqui, verifica o preço dali, não demorou para um atendente me abordar. Conversamos bastante e ele queria saber de onde eu era. Ao dizer “Brazil”, o cara quase deu um salto. Ele simplesmente AMA o povo brasileiro.

Era um menino, calculo que na faixa dos 25 anos. Falou um monte sobre o Brasil, principalmente futebol. Torcedor da Juventus, o cara disse que um brasileiro jogava no time dele (Felipe Mello, para os desavisados). Seguimos na conversa e eu disse que torcia para o Internacional, um clube que aceitava pessoas de todos lugares, raças, nações, etc.

Foi aí que ele me disse que torceria pelo Inter, contanto que não tivessem judeus, pois ele era palestino. Eu sorri e disse que não havia problema, poderiam ter os dois. Mas para ele havia. E muito.

Com lágrima nos olhos, ele contou que a guerra entre judeus e palestinos havia vitimado quase toda família dele, e os sobreviventes foram obrigados a deixar o país. O cara não visita os amigos e parentes há mais de 10 anos e vive sozinho em Londres.

Jamais entraria no mérito de certo ou errado, inclusive me orgulho de ter amigos nos dois lados. Mas admito que o relato desse cara mexeu comigo. A tristeza que ele transpareceu mostrou uma pessoa com esperança de paz, acima do ódio.

Carnaval alternativo

Posted in Mural with tags , , on 04/03/2011 by andreifonseca

Que legal, povo brasileiro. Chegamos à mais um Carnaval. Isso significa muita festa, trago, putaria, música alta e mortes no trânsito.

Sim, eu sou daquelas pessoas que não gosta do carnaval. Em tempos passados, tentei ir aos bailes (festas, blocos ou de qualquer jeito que o leitor quiser chamar), reunia amigos e tal, mas acho que o azar sempre me rondou nessa época. Nunca houve um em que eu realmente gostasse. Me diverti, claro, mas meus carnavais não chegam sequer perto das Top 10 festas mais divertidas da minha vida.

Porém, há uma exceção. Foi no carnaval de 2009 em que my Love and I nos aproximamos. Esse sim foi especial.

Fora esse, recordo que me diverti quando em, 2000 ou 2001, juntei cinco ou seis amigos e fomos para frente do Ibiza (antigo point noturno do litoral gaúcho) e ficamos jogando spray de espuma nas pessoas. Nosso carro não tinha som, então dependíamos do gosto musical de outros veículos. Não havia grana para entrar na festa. Mas foi legal.

Já houve reportagens em outros anos daquelas pessoas que odeiam marchinhas de carnaval, não suportam a festa. Eu acho legal a descontração, mas critico duramente a postura de algumas pessoas que realmente perdem a noção. Já prevejo que terei que conviver com barulho ensurdecedor de sistemas de som de carros potentes (escrevi sobre isso há um tempo) e com atitudes imprudentes no trânsito (o mais grave, sem dúvida).

A quem ler, peço que respeite o próximo e não se mate durante os trajetos e nas festas. Lembre-se que há outras pessoas que o esperam na volta. Aliás, a exposição do projeto Vida Urgente no Shopping Iguatemi é chocante e bastante oportuna. Existem fotos e relatos que contam como ficaram os quartos de jovens que perderam a vida no trânsito.

Por fim, quanto ao mundo dos negócios, nada no Brasil acontece de importante até que passe esse raio dessa festa. A frase “A gente conversa depois do carnaval” é comum em reuniões e prospecções, e atravanca processos. Eu sempre quis saber o que o Rei Momo e as mulatas têm a ver com a minha conta bancária.

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De lá pra cá.

Olha que legal. A Sony anunciou que vai baixar o preço do PSP (PlayStationPortable) aqui no Brasil, a fim de estimular as vendas do console no país. E inclusive divulgaram o preço: R$ 969,00.

Porra! Sabe quanto custa nos Estados Unidos? US$ 129,00. Pode-se comprar 4 consoles e ainda sobra um troquinho para jogos. Queria realmente entender o porquê disso.

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O BBB tá muito chato. Horrível. Vai ganhar o Rodrigão, que é um bocó. Saudade das brigas, discussões e arranca-rabos. Só a Maria que arranca a roupa para o Mau-mau, que se arranca de perto dela.

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Salve, presidenta!

Comemoramos, esta semana, que somos o terceiro PIB em crescimento do mundo. Atingimos um índice positivo de 7,5%, perdendo para a China (10,3%) e Índia (8,6%). Excelente, não fosse nossa colocação no quesito educação: 88º lugar. Lamentável.

Para terminar, uma matemática simples: Aumento de 68% para deputados + reajuste de 45% no Bolsa-Família = Suspensão de concursos e cortes de R$ 5 bilhões.

Por cima da massa

Posted in O mundo cruel with tags , , , on 28/02/2011 by andreifonseca

Neste final de semana, Porto Alegre foi palco de um dos maiores atos de crueldade, insensatez e brutalidade que o ser humano é capaz de produzir. Durante uma passeata, um grupo de ciclistas foi atropelado por um motorista, resultando em mais de dez feridos (sorte, pois poderiam haver mais, inclusive com vítimas fatais).

A história é controversa, vou tentar fazer uma análise fria, mas não podemos fugir de alguns fatos. Em primeiro lugar, os ciclistas, pertencentes ao grupo “Massa Crítica”, pedalavam incentivando a troca do carro pela bicicleta, um trânsito melhor, ou seja, uma causa legítima, pacífica e acredito sem possibilidade causar uma guerra nuclear.

Conforme relato dos ciclistas, o dito carro teria tentado furar o bloqueio quando o grupo estava na rua José do Patrocínio. Ocorrera uma discussão entre motorista (que estava com o filho de 15 anos) e os integrantes da passeata. Agora entram as duas versões.

Os ciclistas alegam que reivindicaram o direito de fazer a manifestação e o motorista, inconformado com o bloqueio da via, jogou o carro por cima das pessoas, atirando corpos e bicicletas para cima, produzindo uma cena de horror jamais esperada.

Já o motorista, em depoimento hoje na Polícia Civil, contrapôs dizendo que os ciclistas bateram no vidro do seu carro, inclusive chegando a quebrá-lo. Na tentativa de proteger o seu filho, ele teria tentado desviar e resultou em acertar algumas pessoas. Seu advogado afirmou hoje que “ele quis preservar as vidas”. Convido o leitor à assistir ao vídeo gravado das cenas.

Bem. Minha análise fria agora, como prometido.

Mesmo com provocação e com o vidro quebrado (supostamente), acelerar e atropelar um grupo de pessoas é um ato criminoso e brutal que, na minha opinião, deve ser encarado como tentativa de homicídio doloso. Ao dirigir e tentar desviar do bloqueio (se é que foi essa a intenção), o motorista assumiu os riscos de provocar o acidente.

Outro ponto. O motorista provocou um acidente de trânsito e fugiu do local. Crime previsto no Código Brasileiro de Trânsito. Certamente, o protagonista dessa história também responderá por isso. Isso não me cheira sinal de boa intenção e, sobretudo, de consideração com a vida humana.

Terceira questão. Acelerar um carro com mais de uma tonelada de peso na direção de um grupo de pessoas é um ato de bestialidade e covardia que poucas vezes eu tive notícias. Na China, durante uma passeata, um estudante se postou em frente a um tanque de guerra e conseguiu impedir o avanço de militares para inibir uma passeata.

E se o o motorista que protagoniza esta história fosse o condutor daquele tanque? Qual seria o desfecho da história chinesa? Aliás, fico curioso para saber como foi o psicotécnico deste cidadão ao tirar carteira. Será que tinha a pergunta: “É correto passar por cima de manifestantes quando estes bloquearem a rua?”. Arrisco um palpite de qual teria sido a sua resposta.

Duvido da tese de “não tentar atropelar”. Nem se o cara estivesse dirigindo uma lambreta ele teria como desviar daquelas pessoas. Ou ele acha q eu sou trouxa, ou ele é péssimo de cálculo ou faltou uma desculpa melhor.

Acima de tudo, sorte do grupo que não houve uma vítima fatal. E também do motorista. Afinal, ele pegará uma pena mais branda. Nada comparado à cicatriz eterna deixada na civilidade e na humanidade. Aliás, que péssimo exemplo de um pai para um filho, hein?

Defendo há muito tempo que o sistema penal brasileiro seja mais rígido. Uma atitude como essa mereceria uma sentença que levasse à cadeia por um certo tempo, além de trazer conseqüências educativas, como por exemplo, proibição de dirigir.

Por fim, lamentavelmente, a atitude deste senhor inicia uma mais um capítulo em uma guerra do trânsito. Qualquer desentendimento nas ruas envolvendo bicicletas e automóveis pode gerar uma confusão com tendências para resultados graves.

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Só mais uma consideração. A EPTC (órgão que controla o trânsito em POA) alega que não fora avisada da manifestação, enquanto o grupo afirma que faz a passeata todo mês, e teria sido um descaso do órgão público. Bem, como repórter, cobri diversas manifestações nas ruas e a EPTC sempre fornece apoio. Obviamente, a falta de comunicação não tira sequer 0,0001% da responsabilidade do atropelador. É apenas um registro que faço da importância de comunicar as autoridades sobre este tipo de atividade.

Troca da Guarda

Posted in London Callling with tags , , , , , on 17/02/2011 by andreifonseca

O guia sobre Londres da Folha de São Paulo que eu usei na viagem foi bastante útil, embora tem falhas graves (não cita sequer a existência da Abbey Road, quando mais direcionar o visitante para lá). Logo no início, a publicação faz uma relação de dez coisas que não podem deixar de serem vistas/visitadas. E uma delas é a troca da Guarda no Palácio de Buckingham.

Realmente é imperdível. Um espetáculo simples, mas extremamente organizado. Impressiona pela disciplina, os movimentos sincronizados e os gritos de comando.

Chegamos cedo, cerca de 80 minutos antes, e já havia certa concentração no local. Pessoas tirando fotos e buscando o melhor local, a polícia já cercava a área, isolava as ruas e orientava os visitantes.

Além de vários turistas, é claro, se via muitos “londoners”, mostrando o respeito pela cerimônia e pela monarquia. Com o passar do tempo, o acúmulo de pessoas aumentou bastante e não demorou para se ver ao horizonte uma cavalgada de guardas reais chegando com apoio da polícia local.

Em seguida, veio a banda do exército, tocando músicas militares bastante animadas. Os oficiais organizaram a tropa e houve então o rendimento do grupo que estava de serviço, sendo trocado por novos soldados.

Os movimentos realizados causam espanto pelo treinamento e coordenação, fazendo jus a fama que os guardas reais ingleses possuem sobre concentração e coordenação.

No final da cerimônia, a tropa dispensada marcha em direção ao Hyde Park, ao som da banda dos guardas.

A Ju gravou um vídeo que mostra uma pequena mas divertida parte da cerimônia. Coloquei no Youtube e cho que vocês devem gostar. Perdoem, por favor, o barulho do vento no início, o sol contra-luz e, principalmente, os comentários maldosos do casal.

Dica minha: tire fotos com os policiais locais, é um recordação interessante. O uniforme deles é demais. Pedi com educação e fui prontamente atendido, ainda mais quando disse que era brasileiro.

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Sobre Libertadores

O gol sofrido pelo Inter, ontem, aos 50 minutos do segundo tempo acabou com o meu humor e a minha paciência. Vem cá, hein? Até quando vamos ter um time covarde? Porra, o Internacional é mil vezes maior que o Emelec, não pode temer esse time.

Bolatti estreou bem, marcou muito no meio-campo e fez um belo gol. Leandro Damião tem futuro. Mas precisamos de reforço na defesa. Troco o Lauro pelo Vitor (pode ser?) e o Índio tá muito lento.

Já o imortal tricolor estréia hoje. Chuto que faz 3 a 0. No primeiro tempo.

Aliás, os grupos da dupla GRENAL são os mais fáceis. Ambos tem obrigação de terminar em primeiro.

Sherlock Holmes Museum

Posted in London Callling with tags , , , , on 15/02/2011 by andreifonseca

Sou uma daquelas pessoas que tem orgulho da própria infância. Fui muitos personagens, interpretados em cada brincadeira com entusiasmo, fantasias e tudo mais. E dentre todos os personagens que guiaram minhas peripércias, o destaque maior sempre foi Sherlock Holmes.

Descobri o grande detetive em um curso de inglês que a minha mãe tinha, uma pasta com mais de 20 fitas K7, muitos livrinhos de estudo. Acompanhavam algumas revistinhas de quadrinhos para que o estudante treinasse seus conhecimentos. Uma delas tinha uma capa diferente, onde aparecia um cara alto, com uma roupa esquisita, segurando um revolver.

Obviamente tive imensa dificuldade para ler e entendi pouca coisa, mas as “figuras” me causaram fascínio. Foi aí que começou a minha admiração pelo famoso detetive londrino.

Muitos anos, obras lidas e filmes vistos depois, consegui finalmente visitar o tal famoso endereço dito em todos os livros: 221b Baker Street, a casa de Sherlock Holmes. Parada obrigatória para os fãs de livros policiais.

O local em si é bastante simples, fica em uma área onde já se percebe a importância do museu do detetive, pois a estação de metrô é repleta de imagens de perfil do personagem, isso sem falar na imensa estátua postada na saída do tube.

Em frente ao lugar, fica postado um ator trajado de oficial da Scotland Yard. Ao lado, está disponível uma lojinha com produtos, brindes, jogos, etc. Parte do dinheiro da minha viagem ficou lá, inclusive com uma versão inglesa e com casos diferentes do jogo de solução de casos que aqui no Brasil leva o nome da polícia inglesa.

Ao entrar no museu, o visitante é surpreendido por um simpático (apesar dos poucos dentes) e poliglota Dr Watson, que nos saudou em bom português e explicou sobre os aposentos. Lá, o turista observa, nos três andares de uma casa bem antiga e conservada, uma reconstrução de onde o detetive teria habitado.

Existe a caracterização de diversos casos solucionados por Holmes, inclusive a cabeça do “Cão dos Barkervilles” (meu livro preferido) exposta como troféu. Não tem nada de extraordinário, mas é um momento único de realização para que milhões de fãs de literatura e do detetive.

Para mim, a exposição de algumas cartas é sensacional. Elas têm conteúdo variado, mas me chamaram atenção a de um garoto contando o desaparecimento da família de um vizinho (junto com o presente de aniversário dele) e de um garoto japonês que pede humildemente, em um inglês bem prejudicado, um simples autógrafo. O curioso é que, segundo uma funcionária do museu, são recebidas centenas de cartas por dia de todo mundo, nos mais variados assuntos, mas na maioria, um pedido de ajuda sobre um caso estranho.

Recomendo, mesmo aos que não são interessados em fantasias literárias. É um simples, mas belo passeio.