Arquivo de fevereiro, 2009

Chiclete de cafeína

Posted in Histórias - A vida foi assim with tags , , , on 27/02/2009 by andreifonseca

Essa aconteceu com uma amiga, cujo nome vou preservar (acho que ela não importaria, mas achei melhor assim). Ela é uma pessoa maravilhosa, a qual admiro muito, mas também protagoniza situações caóticas e kafkianas, que só uma pessoa no mundo poderia criar: ela mesma. São muitas as histórias, mas vou me ater a uma em especial.

 

Certa vez, ela estava no Free Shop de um aeroporto, na companhia de um amigo. Ambos haviam trabalhado o dia inteiro, estavam exaustos e aguardavam o vôo de volta ao Brasil para descansar no final de semana.

 

Os dois observavam os produtos da sessão de perfumes, e esta amiga testava alguns, no intuito de escolher um presente para a filha. Foi quando o acompanhante puxou um pote com grãos de café e ofereceu a ela:

 

– Quer café? – disse, estendendo a mão com o pote de grãos.

– Quero! – respondeu a nossa heroína, decididamente.

 

No mesmo instante, sem praticamente olhar para o pote, ela enche a mão com grãos e os coloca na boca, mastigando ferozmente.

 

– Mas está cru! – constatou, fazendo cara de espanto e de nojo.

 

Pausa.

 

Vamos para a análise da história. Café, pelo menos até onde eu sei, é líquido e não deve ser ingerido com a mão. O que será que ela pensou, hein? Bala de café já sem o papel? Iguaria distinta daquele país que estavam visitando? Cansaço dos dias de trabalho? Algum perfume continha ingredientes alucinógenos? Atitude característica desta pessoa em particular, não surpreendente para quem a conhece?

 

Fico com a última.

Simon, o defensor dos fracos e oprimidos

Posted in Testemunha ocular dos fatos with tags , , , , on 27/02/2009 by andreifonseca

Há muito tempo admiro a arbitragem e Carlos Simon. Juiz gaúcho (embora eu não seja bairrista) da FIFA que apitou Copas do Mundo, tem uma carreira brilhante, muitas premiações, um cara político, educado, inteligente, jornalista, boa entrevista, etc. Mas, de um tempos pra cá, seu trabalho tem me decepcionado. Ontem tive uma prova disso.

 

No jogo contra o Novo Hamburgo, ontem, no Beira-Rio, o Internacional foi superior, até porque tinha o melhor time. Mas, o destaque, mais uma vez, foi o argentino D’Alessandro. Joga muito o gringo. E provoca também. Deve ser horrível marcar esse cara. E ontem, o Nóia veio para não deixá-lo jogar. Só que exagerou e parou o cara na porrada. E com o consentimento de Carlos Simon. Por várias oportunidades, o juiz apenas apontou a falta, quando os jogadores do Nóia se revezavam no coice no gringo, sem uso de cartões. Aí fica difícil. Não há quem agüente.

 

O Simon, na verdade, gosta de emparelhar o jogo. Se um time é mais fraco e usa da violência, ele não inibe, para que o jogo fique igual. Simon ….querido… xuxu… babe… não é assim que se faz. Fica feio. Ridículo, aliás. Não tenta dar uma de Robin Hood e defender os oprimidos. Você precisa ser justo de acordo com a regra. E ontem, neném, não foi. Aí, a punição fica por conta do agredido, no caso, o D’Ale. Fora da final pelo terceiro cartão amarelo (ele pede também, tenho que registrar).

 

E outra: comentarista da Band, Cláudio Cabral, foi muito feliz. “Olha aqui ó, quando o Simon apita, no primeiro tempo é um minuto e no segundo são três de acréscimo”. Certo que sim. Aliás, o Simon depois da FIFA, deveria se filiar à federação de futebol de Cuba. Acho que ele gostaria.

David Byrne – The Great Intoxication

Posted in Músicas with tags , , , on 25/02/2009 by andreifonseca

Como esta canção segue na minha cabeça, achei justo publicar a letra. E a música. The Great Intoxication está no álbum Look into the Eyeball, de David Byrne, e apesar do nome, não tem nada a ver com guerra nuclear. Fala de outro conflito, uma luta interna, dura e árdua, que todo ser humano passa. Tentem descobrir qual é. Achei a relação genial.

 

Obra prima de David Byrne. A versão é de um show na White Chapel, em Londres. Enjoy it.

 

The Great Intoxication – David Byrne

 

Who Disco?

Who Techno?

Who Hip-Hop?

Who Be Bop?

Who’s been playing records in his bedroom?

 

Who rocks out?

Who’s spaced out?

Who brings you?

Who sings you?

Who’s still workin’ on his masterpiece?

 

The great intoxication

The mental generation

Sound effects & laughter

Stupid ever after

Hopin’ it was cranked up

Loud enough for you to hear

 

He’s drunk and he’s insistent

Shy but he’s persistent

Boisterous & jumpy

Disorganized & funky

 

Every day he wonders

What the hell she sees in him?

 

Ah, but who saves you?

Who craves you?

Who Heartbreaks?

Who love makes?

Look into the eyeball of your boyfriend

 

Who drives you?

Capsized you?

Who shakes you?

Who wakes you?

Who’s still workin’ on his masterpiece

Feliz ano novo

Posted in O mundo cruel with tags , , , , , , on 25/02/2009 by andreifonseca

Começou 2009! Sim, porque no Brasil tradicionalmente as coisas passam a funcionar após o carnaval. Agora sim, estamos prontos para o ano que se anuncia. Vou torcer para a alta da bolsa, pela queda do dólar, muitas viagens, um novo amor e o título brasileiro para o Internacional.

Como já escrevi antes, tive um bom carnaval. Mas hoje, no último dia, resolvi passar a tarde com uns amigos na piscina, na companhia de cerveja, churrasco e boa música (Sala de Redação, na verdade, né, Milton?). Tudo parecia perfeito, até a chuva que se aproximava foi embora, inclusive com nuvens abrindo espaço e permitindo a temperatura ideal para um mergulho.

O que a gente não contava é com o provincianismo de Porto Alegre, que com 1,5 milhão de habitantes, não tinha um supermercado funcionando para comprar carne. Feriado? Foda-se. Escalem alguém para trabalhar, como eu o fiz muitas vezes quando estava no rádio. Não me interessa. Quero ser assistido. Temos UM supermercado 24 horas que estava fechado. Brincadeira isso. Quer ser diferente só quando convém? Não, não.

Por sorte juntamos o que tínhamos estocado nas geladeiras e deu certo. Mas fica aqui minha indignação pela falta de estrutura que uma cidade grande como Porto Alegre apresenta. Se eu dependesse dos meus amigos supermercadistas, teria que trocar o churrasco por um lanche no McDonald’s.

Assisti hoje, pela quarta vez, o BBB9. Saiu aquele chato do cowboy. Admito que o discurso de despedida dele me fez repensar meus conceitos. Agora, estou assistindo o show do David Byrne (possivelmente pela vigésima vez) em Austin, Texas, no DVD. Já ouvi quatro vezes seguidas a música The Great Intoxication. Tem a ver com meu atual momento.

Camboriú da Canoa

Posted in Mural with tags , , , , , on 23/02/2009 by andreifonseca

Retorno após um breve descanso em Capão da Canoa. Contrariando expectativas iniciais, tive um excelente carnaval. Foi bom rever a família, encontrar amigos, fazer festa e conhecer pessoas. Teve festa em Xangri-lá, galeto com cerveja e amigos na beira da praia e boliche no domingo de noite. Bem legal mesmo. Aproveitei bastante e me diverti muito.

Mas, decidi postar aqui minha indignação sobre o crescimento acelerado e irregular de Capão da Canoa. Cara, a cidade está virando balneário Camboriú. Mas sem a beleza das praias. As ruas estão cheias, as pessoas ficam estressadas, não há estacionamento, o trânsito pára a toda hora e tem prédios sendo erguidos por todos os lados.

Há cinco anos, a Zona Nova de Capão não permitia construção de prédios. Isso mudou e agora só vê obras em andamento com edifícios de oito andares ou mais. Porém, não há postos de saúde, supermercados ou restaurantes crescendo. Apenas construções residenciais. Daqui a cinco anos, a cidade estará virada em um caos completo. Não quero ser o profeta da desgraça, mas me preocupa demais.

Eu adorava sentar na rede da minha casa e admirar a vista, que devido às casas baixas, era possível ver morros próximo à Estrada do mar. Agora, vejo esqueletos de construções. E elas aumentam assustadoramente. E a prefeitura apoio. Claro, a maioria dos vereadores é dono de imobiliárias. Genial isso.

….

Sobre o Oscar, minha previsão de confirmou. Heath Ledger é o segundo premiado póstumo da história. Merecido.

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E o Big Brother? Como é chato esse cara novo. Sai daí, cowboy!

Carnaval no litoral. Shit!

Posted in Mural with tags , , on 20/02/2009 by andreifonseca

“Carnaval, carnaval… eu fico triste quando chega o carnaval”

 

É, meus amigos. Por falta de opção, estou novamente indo para Capão da Canoa, curtir a superlotação de supermercados, a poluição da orla e o barulho de carros-rave (que possuem caixas de som, pessoas pulando na cachorreira e alguns ainda se locomovem). Espero descobrir um lugar legal para ir. Espero encontrar pessoas legais. Espero conseguir descansar. E espero terminar meu quebra-cabeça de duas mil peças, e pelo menos um dos três livros que estou lendo ao mesmo tempo.

 

Li que vai chover durante todo feriado. Playstation já está empacotado.

 

Talvez escreva de lá.

 

Bom carnaval a todos.

Good Memories

Posted in Histórias - A vida foi assim on 18/02/2009 by andreifonseca

Amigos.

 

Me formei no Colégio Farroupilha, em Porto Alegre, em dezembro de 1999, no final do século passado. A última vez que tinha ido ao colégio foi exatamente um dia antes da cerimônia, quando tivemos um culto com a presença dos pais, e os alunos que tinham ligação com música fizeram uma apresentação. Eu estava entre eles. Lembro que cantamos “Coração de Estudante” do Milton Nascimento para uma colega que tinha falecido no ano anterior. Fui às lágrimas. Desde então, voltei ao colégio apenas aos domingos de anos pares para cumprir meu dever cívico.

 

Porém, hoje, esta história mudou. Atendendo ao convite do professor Vinícius Schwertner (na época, meu professor de vôlei), resolvi participar da cerimônia de abertura do ano letivo, com a presença de todos os professores do colégio. A jogada era fazer uma apresentação musical e montei um set de músicas do Johnny Cash. Nossa! A galera amou. Ainda fico impressionado com o impacto que as músicas do Man in Black tem nas pessoas. Incrível o número de cumprimentos que recebi. O melhor foi de uma professora, cujo nome infelizmente não lembro, mas ela me disse: “A tua música mudou o meu dia. Muito obrigada”. Pô, quase chorei.

 

Mas não foi apenas o cumprimento efusivo dos antigos mestres que me fez ficar atordoado até agora. Há uma década, eu não retornara àquela que tinha sido minha casa por nove anos. E de repente voltei e fui saudado como herói. Foi algo que mexeu comigo. Eu senti que os professores olhavam para mim com orgulho de ter feito um bom trabalho, de ter feito parte da minha formação e educação.

 

E mais além. Meus tempos de colégio não foram lá essas coisas. Meu perfil sempre foi um pouco diferente dos meus colegas, não fui um cara de muitas amizades em sala de aula. Talvez por isso a minha resistência em voltar um dia. Mas a forma como foi hoje não poderia ser mais perfeita. Senti que eliminei um fantasma na minha vida. Não sei se consegui passar para vocês o valor que isso tudo teve pra mim, mas espero que tenha sido possível.

 

Por fim, deve e muito agradecer ao Vinícius por ter me proporcionado isso. Foi uma tarde inesquecível. E sobre o Vinícius… bem… ele é mais que um professor. Sempre foi um amigo. Um cara que, desde os tempos de colégio, sempre foi um grande parceiro. Velho, obrigado novamente.

 

Segue aqui o vídeo que ele produziu.